Entre os dias 07 e 09 de Setembro aconteceu, na cidade de Viamão-RS, o 1º Congresso do Movimento Revolucionário. De agora em diante, este é o nome da organização que mantém de pé a tradição, o programa e a concepção política do partido Bolchevique que dirigiu a Revolução Russa em 1917; da luta internacional contra o capitalismo e a exploração; e da defesa de um Governo dos Trabalhadores, a partir de uma revolução socialista pela tomada do poder pelos trabalhadores.
O Congresso de fundação do Movimento Revolucionário reuniu trabalhadores de Correios, bancários, professores, servidores públicos, trabalhadores privados e estudantes. Entre os temas debatidos, esteve a situação internacional e nacional. Neste ponto, discutiu-se que os Estados Unidos e o imperialismo aumentam os ataques contra a classe trabalhadora enquanto aumenta também a resistência dos povos, como o caso do Iraque, em que a população em armas está derrotando Bush e seus aliados. Também foi discutido o papel do governo Lula e do PT como a nova direita no Brasil, sua transformação em um partido burguês, igual aos outros no conteúdo, e a crescente indignação dos trabalhadores com tudo que aí está.
Do ponto de vista organizativo, reafirmamos a necessidade de fazer propaganda da revolução e das lutas dos trabalhadores, reforçando ainda mais o site www.movimentorevolucionario.org, que passa a ter atualizações permanentes e ainda mais matérias, além do jornal Correio dos Trabalhadores, que terá ainda mais páginas e passará, em breve, a ser quinzenal. Preocupados com o domínio do marxismo e da compreensão científica dos processos sociais e da luta de classes, toda semana existirão cursos para os militantes, além de serem realizadas palestras públicas periódicas. A estruturação do partido se dará com uma presença ainda mais forte nos bairros e cidades da periferia, combinado com o reforço de nossa presença nas principais categorias do proletariado (os assalariados que sobrevivem de vender sua mão de obra ao patrão).
Financeiramente, foi reafirmado o compromisso de não depender de nenhum setor que não sejam os próprios trabalhadores. Nossa organização não aceita o dinheiro da burguesia, pois os empresários, quando pagam, passam a ser os donos dos partidos, como ocorre com o PT e PCdoB. Também nos recusamos a sermos sustentados por mandatos de deputados e senadores, como faz o PSOL de Heloísa Helena. Só os trabalhadores é que devem sustentar uma organização revolucionária, e é com a força deles e dos militantes que estruturaremos nossas sedes, nossos materiais e nossa consolidação nacional e internacional.
Também foi votado um estatuto provisório e definidos os critérios de militância válidos para os integrantes do Movimento Revolucionário. Isso quer dizer que todo trabalhador é bem vindo e sua ajuda, qualquer que seja, é importante. Mas somente os trabalhadores e estudantes que se disponham a assumir um compromisso com a revolução, seu programa e com os deveres que cabem aos revolucionários, podem usufruir dos direitos que correspondem aos membros do partido comunista revolucionário. Para nós, o voto e a militância paga em véspera de eleição são a maior demonstração da podridão dos partidos chamados de esquerda, que adotaram estas práticas da direita mais corrupta. Em nosso partido, a militância é o contrário disso: ocorre por convicção, sem ser trampolim eleitoral, para seguir carreira ou ganhar alguma vantagem. Não há lugar para aproveitadores ou traidores no Movimento Revolucionário!
Foi com este sentimento e estas resoluções que surgiu, para ocupar um espaço deixado vago pelos partidos eleitorais, o Movimento Revolucionário, a organização que tem em seu nome e em sua prática a luta pela revolução socialista no Brasil e no mundo.
Nossa origem
Nossa trajetória, como grupo revolucionário, começou com a expulsão de muitos companheiros que militavam no PSTU, partido de esquerda que apoiou Heloísa Helena na eleição para presidente em 2006. Nossa expulsão, votada em 18/03, mas covardemente escondida até 27/03, foi definida pela direção nacional do PSTU, que fez isso para calar os que não concordavam com o abandono do programa que existiu por 10 anos no partido.
A maioria da direção do PSTU começou a rejeitar seu próprio passado, passou a ser um braço do partido eleitoreiro de Heloísa Helena (PSOL), e virou as costas a partes importantíssimas do programa revolucionário. O PSTU, que foi diferente de todo os outros partidos por muito tempo, exatamente por não cair na tentação de querer eleger deputados a qualquer custo ou falar o que “colava” mais, mudou de posição e teve uma política oportunista, ajudando a construir uma Frente Popular na eleição de 2006, mais um projeto capitalista e de enganação aos trabalhadores, com Heloísa Helena à frente.
Infelizmente, o PSTU se rendeu ao caminho mais fácil, de deixar de falar em revolução e ruptura, para bajular um programa da burguesia nas eleições de 2006. Esta traição à classe trabalhadora, somada ao fracasso que foi o resultado nas eleições (não elegeu ninguém, fez menos votos, e ficou ainda menor) levou a maioria da direção do PSTU a tratar com fúria os que defendiam manter uma posição revolucionária. A conseqüência é que o Congresso do PSTU, anunciado para ser aberto logo depois das eleições (outubro de 2006) foi adiado várias vezes e atrasou 1 ano.
Primeiro veio a transformação política; depois veio a mudança no discurso, em que passou a ser “errado” dizer que “a eleição não muda a vida”, que “não queremos só seu voto”, “eles são todos iguais”. A direção do PSTU se arrependeu do que fez de bom nos últimos anos. Por último, como resultado da degeneração política e do abandono de uma política revolucionária, veio o método burocrático e antidemocrático.
Ao invés de permitir o debate das diferenças, a direção nacional do PSTU simplesmente expulsou quem não queria dar estes passos à direita, e usou dos métodos mais desonestos para nos combater. A mentira foi a apelação mais utilizada. Disseram que éramos infiltrados de outro grupo político, que agrediríamos militantes e baixarias do tipo. Agora, 6 meses depois, perguntamos: quando os companheiros da direção nacional vão pedir desculpas a nós e a sua base, que acreditou nestas barbaridades e hoje fica chocada ao saber que tudo foi só uma fraude? Os companheiros vão se auto criticar ou vão permanecer com a lógica de que “vale tudo” para ter mais gente no seu partido?
De qualquer maneira, a partir da expulsão dos melhores e mais atuantes militantes do Rio Grande do Sul, iniciou a construção de uma organização que mantivesse a defesa intransigente da revolução socialista e da luta dos trabalhadores como única forma de mudar de vida. Desta luta e desta construção, nasce, em 14 de Abril, apenas 2 semanas após ser comunicada e expulsão, a Construção do Movimento Revolucionário, agrupando os expulsos do PSTU, ex-militantes deste partido que vieram saindo nos últimos anos (como milhares em todo o Brasil) e outros camaradas até então sem experiência política ou de outras trajetórias.
Para os que abandonaram a luta pela revolução, nosso grupo teria uma curta existência, as pessoas se cansariam da luta, se intimidariam com as dificuldades de recomeçar tudo de novo a partir de um grupo pequeno... Amargo engano! A História da luta de classes nos prova que sempre que há exploração, há lutas. E sempre que há lutas há espaço para os revolucionários, pois são estes os únicos a falar a verdade aos trabalhadores e lhes apresentar um caminho possível: o do socialismo! O espaço da defesa da revolução, que o PT e o PSOL nunca ocuparam, e que o PSTU abriu mão, está vazio hoje em dia. Cabe ao Movimento revolucionário a obrigação de ocupá-lo.
A democracia e a ação
Nossa organização, mesmo em pouco tempo (5 meses) já foi capaz de dirigir mobilizações, como a luta contra o desmonte da educação promovido pela governadora Yeda Crusisus (PSDB-RS) e ter a coluna mais organizada e política em atos unitários, como no 1º de Maio. Nós estivemos à frente de vitórias em Centros Acadêmicos e grêmios estudantis, além de estarmos inseridos na condução do espetacular processo de lutas em Correios, pela desfiliação de sindicatos da CUT, em campanhas salariais, atos contra as medidas do governo Lula, etc. Com 15 dias de existência já tivemos um jornal, que esgotou suas 2 edições. Em apenas 40 dias, já saía o número 2 do Correio dos Trabalhadores, com uma tiragem ainda maior, em cores e com um projeto político consolidado. Nosso site entrou no ar 48h depois de nossa fundação, e tem seus acessos multiplicados todo mês.
A ação revolucionária nunca cessou, provando a vocação para a luta, inerente a qualquer organização realmente revolucionária, para quem o debate interminável é um câncer que infesta e paralisa a iniciativa dos trabalhadores. Os revolucionários, desde Lênin (revolucionário russo de 1917), têm no partido revolucionário centralizado a expressão máxima da organização e determinação de luta da classe trabalhadora. Esta ação, porém, deve ser conduzida num ambiente democrático, com espaço para o debate e a discussão política e de conteúdo. Esse foi mais um exemplo de nosso Congresso. O PT realizou em 2007, após 27 anos de existência, apenas o seu 3º Congresso. Os partidos de origem stalinista, como o PCdoB e PCB realizam congressos com intervalo de tempo ainda maiores, de 10, 20 ou 40 anos. O PSOL adiou inúmeras vezes seu congresso e o realizou apenas agora, 4 anos depois da saída do PT. O PSTU, como já foi dito, adiou seu congresso em 1 ano e expulsou quem pensava diferente.
Nosso Congresso ocorreu após um debate de 5 meses, com a publicação de cerca de 30 textos de contribuições de todos os militantes, sem limitação de tamanho. Foram realizadas plenárias a cada 2 semanas no período final do Congresso, e todo texto e debate se reproduziu em mais 3 dias inteiros de Congresso, onde os informes, contra-informes e intervenções foram garantidos a todos. Todos os textos foram reproduzidos e apresentados com antecipação. As pautas das plenárias e do Congresso foram discutidas e votadas coletivamente e também por conta desta democracia amplíssima é que nossa organização sai completamente fortalecida deste Congresso.
Fortalecida porque definiu seu programa, seu regime interno de funcionamento, porque votou seus planos políticos e organizativos e porque delimitou suas fronteiras, ficando no partido aqueles que abrem mão da vida cômoda, do socialismo de salão ou de universidade, dos que se dispõe a colocar sua vida na mão da classe trabalhadora, bem como serviço da classe trabalhadora. Sai do congresso um partido exemplar na democracia e com uma firmeza inabalável de agir, de fazer e de lutar.
Partido de eleição X Partido revolucionário
A população brasileira, corretamente, cada vez tem mais ódio dos políticos. Entende-se político como o candidato, o que pede voto de 2 em 2 anos e sobrevive da carreira de deputado, vereador, etc.. Essa corja não tem nada a ser defendido. Não há nada de democrático neste sistema eleitoral que vivemos. Só concorrem com chance de se eleger os ladrões, empresários, banqueiros ou capachos deles. Os partidos com tempo na TV são os do mensalão e que retiram os direitos dos mais pobres. E eles são todos iguais. O PT, o PCdoB, o PMDB, o PSDB, etc., todos roubam do trabalhador e governam para os ricos. O PSOL de Heloísa Helena, é um PT pequeno, com intelectuais no lugar de metalúrgicos. Todos eles votaram contra o 13º salário e as férias dos trabalhadores ao apoiar o Super Simples. Nas últimas eleições, todos os candidatos a presidente prometiam mudar a vida do trabalhador sem acabar com o capitalismo. Isso é mentir à população e ajudar a explorar quem trabalha!
Os revolucionários não acreditam em mudança por meio de eleições. As eleições, no capitalismo, são uma farsa, um jogo de cartas marcadas. Os revolucionários podem participar das eleições, mas seu objetivo é denunciar o processo, e apenas ocupar mais um espaço para divulgar a luta como única forma de mudar de vida, de aumentar o salário, de baixar os preços, de conquistar saúde e educação gratuitos e de qualidade.
Só a revolução socialista muda a vida
Os revolucionários não se vendem nem baixam o tom de voz para ter mais chance de se eleger. Os revolucionários dizem a verdade às massas e constroem a luta pela revolução. Só com o fim do capitalismo e a derrubada do Congresso e dos governantes é possível construir uma sociedade livre, democrática e justa, na medida em que se destrua o atual Estado e sua classe dominante, a burguesia. Todos os partidos já governaram e todas as tentativas de “corrigir” o capitalismo já foram tentadas. Nenhuma deu certo e a vida só piora. É preciso dizer CHEGA! Precisamos derrubar o que está podre e construir outra sociedade, a partir de nós mesmos, que somos quem produz a riqueza. Isso só vai acontecer com nossa organização em cada bairro, cada fábrica, empresa e escola, construindo um grande Movimento Revolucionário, que organiza a Revolução no Brasil e no mundo.
Contra a traição e o vendaval oportunista
Infelizmente, a luta pelo socialismo tem todos os obstáculos a sua frente. Os trabalhadores, para se livrarem da exploração precisam derrotar os governos, a fome, a ignorância, a polícia, os preconceitos religiosos e um inimigo muito ardiloso: os traidores de sua própria classe. Os banqueiros e empresários contam sempre com a ajuda dos dirigentes sindicais vendidos, os líderes comunitários aproveitadores e os militantes covardes, que preferem ficar no conforto de suas filosofias do que ir para a rua, enfrentar na mão e na bala os horrores do capitalismo.
Como disse Leon Trotski (revolucionário russo, companheiro de Lênin), a crise histórica do proletariado é sua crise de direção. Trotski, com isso, quer dizer que a grande falta para saírem revoluções vitoriosas é a falta de organizações revolucionárias que não traiam a luta. Foram incontáveis as revoluções feitas pelas massas que foram derrotadas porque a direção entregou a luta em troca de privilégios. Muitos dos que abandonam a revolução nem sempre foram assim. Grandes dirigentes e partidos revolucionários mudaram de lado na hora decisiva.
É por isso que o Movimento Revolucionário surge com a tarefa de aglutinar os que não desistem, os que não abrem mão de lutar, mesmo que neste momento possam perder muito com isso. Os trabalhadores, na verdade, não tem nada a perder no capitalismo, a não ser suas próprias correntes. E ao lutar pelo socialismo, temos um mundo a ganhar
Só os trabalhadores podem tomar o poder
Nenhuma liderança salvadora nem nenhum partido eleitoreiro vai fazer a mudança pelos trabalhadores. São os próprios trabalhadores que precisam se organizar, lutar e fortalecer o seu verdadeiro partido, revolucionário e internacional, para tomar o que é nosso, e construir um poder dos trabalhadores, com a expropriação de todos os meios de produção, troca e comunicação, como as terras, empresas, indústrias, bancos e TVs da burguesia.
Um partido dos oprimidos
Entre todos os trabalhadores, há aqueles que são ainda mais explorados. São as mulheres, os negros e os homossexuais. Além da exploração do trabalho, estes setores da classe proletária sofrem a opressão do machismo, racismo e homofobia, cujo objetivo é garantir uma super-exploração destes trabalhadores, que são obrigados a aceitar salários ainda mais miseráveis e sofrer uma violência ainda mais brutal por parte do capitalismo. O partido revolucionário é o partido dos oprimidos. Nosso partido é o partido para as mulheres, os negros e os homossexuais. Só com a revolução pode-se acabar com a opressão e a exploração.
Por um partido mundial da revolução
Pela reconstrução da 4ª Internacional Socialista
Não existe revolucionário de um país só! Um revolucionário não tem pátria, não tem nação! A verdadeira divisão que existe entre as pessoas é a divisão de classes. De um lado, são os patrões, donos da propriedade, que não trabalham, mas ficam com tudo que é produzido. De outro estão os trabalhadores, que não tem nada a não ser sua mão de obra, que produzem toda a riqueza, mas vivem com migalhas. Porque a classe operária é internacional e a exploração é a mesma no mundo inteiro (só mudando a intensidade), todos os trabalhadores são irmãos e devem lutar juntos. O partido da revolução também precisa ser mundial. Este partido precisa se construir defendendo a tradição que levou à fundação da 3ª Internacional Socialista por Lênin e defender a Reconstrução da 4ª Internacional Socialista, fundada por Trotski para continuar a 3ª, que havia sido desvirtuada por Stálin.
O Movimento Revolucionário soma-se neste objetivo de reconstruir a 4ª Internacional e reivindica a possibilidade de participar dos fóruns e Congresso da Liga Internacional dos Trabalhadores (LIT) como passo nesta direção.
Venha para o Movimento Revolucionário
A diferença entre a miséria e uma vida digna; entre a morte sem saúde e o investimento público; entre a alienação e o tempo para cultura e lazer; entre a escravidão e a liberdade, se explica por 2 coisas: a intensidade da luta e a direção do partido revolucionário. As condições objetivas, de pobreza e indignação, já estão maduras. O que falta é a construção de uma direção revolucionário com milhões de trabalhadores dispostos a perder suas correntes dirigidos por um prorama sem vacilações, sem traições e sem covardia. A diferença entre o sofrimento e a felicidade depende disso: que cresça o MOVIMENTO REVOLUCIONÁRIO. Entra que o partido é teu!!