Trabalhadores em Correios na luta:  Agora é Greve!

Os trabalhadores da ECT (Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos) decidiram entrar em greve por tempo indeterminado, em todo o país, no dia 12 de setembro. A paralisação é a resposta dos trabalhadores em Correios ao governo Lula e à Empresa, que além de pautarem a contraproposta vergonhosa de reajuste somente na véspera das assembléias que votaram pela greve, não demonstraram disposição alguma em ouvir as reivindicações apresentadas pelo Comando.

Os trabalhadores compreenderam a dimensão dos ataques e, diante disso, a tentativa de desmobilizar a categoria não foi suficiente para conter a luta. A greve começou forte em todo o país, atingindo quase todos os estados. Em São Paulo 85% da categoria aderiu à greve no primeiro dia. No Rio de Janeiro a adesão foi de 70% e no Rio Grande de Sul de 85%. Na Bahia, 90% da categoria já se somou às mobilizações.

A categoria exige reposição salarial de 47,77% - valor que consiste nas perdas acumuladas desde 1994 -  e abono linear de R$ 200,00, além da implantação do Plano de Carreira, da periculosidade e da realização de concurso público para contratações imediatas, entre outras demandas. Lula e a ETC queriam dar ridículos 3,74% e um aumento de R$ 50,00 a partir de janeiro, além de “penduricalhos” como aumento de R$ 2,00 no vale-refeição em dezembro e abono de R$ 200,00 agora e outro em janeiro. Essa proposta de Lula, se aceita, seria uma farsa, à medida que a data-base da categoria é 1º de agosto! Ao “economizar” os R$ 50,00 de aumento entre agosto e dezembro, Lula deixa de pagar, no salário, os R$ 250,00 que é revertido em abono, ou seja, rouba os direitos dos trabalhadores e faz de conta que dá alguma coisa boa.

A categoria exige não só reposição salarial e aumento real, mas também direitos conquistados ao longo de anos de luta, como o plano de saúde familiar, licença-maternidade e paternidade, reembolso-creche, entre outros, que não podem ser retirados. Tais ataques vêm colados com a Reforma de Previdência – que aumenta a idade mínima para a aposentadoria e equipara a idade para homens e mulheres, a Reforma Sindical e Trabalhista – que restringe o direito de greve e  quer tirar o direito a férias e o 13º salário, e o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) – que congela o salário do funcionalismo público pelos próximos 10 anos.

Juntamente com todo este cenário de retirada de direitos, vemos muitos discursos de inexistência de dinheiro para investir em educação, saúde, emprego e salário digno para os trabalhadores. Ao contrário disso, o que ocorre é que existe muito dinheiro, mas que esse vai sempre para o bolso dos corruptos, banqueiros e empresários e para o pagamento das dívidas interna e externa que, na prática, já viraram eternas.

Portanto, toda luta por questões específicas dos trabalhadores em Correios passa por uma luta que é superior: derrotar o governo Lula e pôr abaixo o Congresso corrupto. A ECT e os patrões em geral, apóiam e são apoiados pelo governo e, nesse sentido, só o que fazem é nos atacar cada vez mais. Por isso, a luta só está começando: precisamos continuar e fortalecer a greve, com piquetes, assembléias pela base e ganhando novos colegas nos setores de trabalho para a mobilização a cada dia para que possamos assegurar nossos direitos e avançar para novas conquistas!

A VEZ DOS BANCÁRIOS

Como nos últimos anos, também em 2007, os bancários estão na luta! Exigimos segurança (portas giratórias antes do auto-atendimento, vidros blindados e adicional por periculosidade); o fim do assédio moral, que consiste na pressão permanente e estressante para atingir metas; o fim da extorsão aos clientes com juros e tarifas abusivas; mas, principalmente, exigimos reposição salarial. O salário de um bancário é cada vez mais miserável: todos acompanharam a perda do poder aquisitivo da categoria nos últimos anos, enquanto aumentou fantasticamente os lucros dos banqueiros. Nunca se trabalhou tanto e se ganhou tão pouco.

  Somos contra a pauta rebaixada apresentada pela CONTRAF/CUT, que abandonou a luta por resgatar nossas perdas desde o Plano Real, e somos contra a luta por uma PLR (Participação nos Lucros e Resultados) que não defenda a incorporação deste “prêmio” ao salário, em caráter permanente. O lucro que produzimos aos bancos não é passageiro: é incorporado ao patrimônio das empresas e cresce cada vez mais. Também queremos que nosso esforço seja incorporado ao salário. Por isso uma das lutas mais urgentes da campanha este ano é para arrancarmos um piso de acordo com o salário mínimo proposto pelo DIEESE, acima dos R$ 1600, item este que consta em nossa pauta de reivindicações.

  Muitas vezes se tenta esconder o governo federal por trás das “empresas” Banco do Brasil e CEF. Na verdade, estas “empresas” têm sua diretoria, políticas públicas e condução interna comandadas a partir do verdadeiro patrão: o governo, neste caso o presidente Lula. E Lula já determinou: conforme prevê o PAC, o funcionalismo público e funcionários de estatais ficarão até 10 anos sem reajuste salarial.

É economia com o dinheiro do trabalhador para sustentar o lucro das grandes empresas e reforçar a corrupção das empreiteiras, as mesmas que pagam as contas do agora absolvido Renan Calheiros. Junto com o PAC, Lula quer passar, no mês de Outubro, sua Reforma da Previdência, que aumentará ainda mais a idade mínima para requerer o benefício.

Unificar as lutas e fortalecer a Conlutas!

Em Correios, o governo Lula conta com os burocratas dos sindicatos para dar a rasteira nos trabalhadores. Lula apresentou a proposta-esmola de R$ 50,00 de aumento real, após negociações com a CUT, em particular com a Articulação (PT). Lula compra os pelegos para que mais uma vez sabotem a greve. Essa manobra já aconteceu em outras ocasiões, quando a CSC (PC do B) e a própria Articulação traíram a categoria, fechando acordos sem a base e furando a greve.

Em bancários, a intenção é que a CUT ajude o governo a salvar os lucros do Banco do Brasil e Caixa, para que eles possam remunerar os acionistas privados que já têm papéis das empresas, graças à privatização parcial que Lula vem fazendo. A idéia é salvar também os banqueiros, donos do Itaú, Bradesco, Unibanco e Santander, cada um com lucros maiores de R$ 4 bilhões somente no 1º semestre! Lula e o PT contam com os banqueiros e as empreiteiras do mensalão para pagar as campanhas eleitorais. Todo milhão que Lula ajuda os banqueiros a tirar do trabalho do bancário vai um pouco para o caixa 2 da corrupção do PT e aliados.

  Essa central traidora em que se transformou a CUT já nos demonstrou que está do lado do governo e dos patrões e, portanto, não pode defender nossas reivindicações de modo conseqüente. Por isso, é necessário fortalecer a Conlutas como alternativa que aglutine os trabalhadores organizados, os desempregados, movimento popular e estudantil.  É somente com a luta unificada dos trabalhadores e independente do governo que poderemos alcançar vitórias.

Nos Correios, em bancários e todas as outras categorias, para ganhar o mínimo que seja, é preciso Derrotar Lula, os empresários e banqueiros. E, para isso, é preciso construir uma nova direção nacional comprometida de verdade com a categoria e não em fazer acordos por baixo dos panos, que entregam direitos em troca de uma vida cheia de mamatas para ½ dúzia de burocratas.

A posição do Movimento Revolucionário é a de que a Conlutas não pode desaparecer, como quer a sua direção majoritária (PSTU) e não pode abandonar a luta para servir a projetos eleitorais (como quer o PSol). Tampouco, pode crescer a qualquer custo e abandonar seus princípios. Há companheiros da Conlutas que não fazem mais o debate sobre o governo Lula, nem denunciam as manobras dos governistas na categoria. Alguns deles até falam que é importante se mobilizar, mas que a empresa vai tentar punir o trabalhador.

Nós afirmamos com todas as letras que é somente com a mobilização organizada que conseguiremos a vitória! Que a maior punição são os anos sem reajuste, os direitos sendo retirados a cada dia e a tentativa de tornar nossas luta ilegal, com a regulamentação do direito de greve! Que Lula quer punir o trabalhador e que os Correios, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal não têm vida própria independente. Quem nomeia a diretoria destas empresas é o governo Lula, que, aliás, loteia seus cargos para os corruptos da base aliada. Por isso, a luta econômica precisa avançar para uma luta política contra o governo, os patrões e a visão empresarial e anti-social destas empresas, que deveriam ser públicas, mas, na prática não agem assim. Precisamos de um Correio e bancos que atendam as necessidades dos trabalhadores destes setores e da maioria da população.

Por isso, devemos unificar as lutas dos carteiros, bancários, professores, metalúrgicos, sem-terra, sem-teto, trabalhadores da saúde, estudantes e toda a classe trabalhadora! Por isso devemos fortalecer a Conlutas e construir uma alternativa de direção real! É somente com a nossa organização e com  revolução socialista que mudaremos profundamente esse quadro de exploração e opressão ao qual estamos submetidos!

- Derrotar Lula! Abaixo o Congresso corrupto!

- Abaixo as Reformas do Governo Lula e do FMI!

- Em defesa do monopólio postal da estatal. Por um correio público, estatal e de qualidade, controlado pelos trabalhadores de correios!

- Por contratações imediatas! Chega de sobrecarregar os Ecetistas!

- Pela reposição total das perdas salariais!

- Em defesa da periculosidade, já!

- PCCS dos trabalhadores sem cargo amplo!

- Licença-maternidade de 6 meses!

- Auxílio-creche para homens e mulheres!

- Abaixo o assédio moral e sexual!

- Contra toda forma de opressão de gênero, raça e orientação sexual!

- Todo apoio aos trabalhadores em greve!

- Generalizar e politizar as lutas!

- Contra a regulamentação do direito de greve!

- Derrotar Lula, Abaixo o Congresso corrupto!

- Pela estatização dos bancos privados. Por um banco estatal forte!

- É preciso fortalecer a Conlutas!

- Por uma revolução socialista dos trabalhadores!

 

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