Tropa de Elite, antes mesmo de estrear, já era o filme brasileiro mais visto na história do país, baseado na febre dos DVDs piratas. O filme de José Padilha, que é inspirado no livro Elite da Tropa, de Luiz Eduardo Soares, André Batista e Rodrigo Pimentel, vem despertando as mais diversas reações na sociedade. Narrado pelo Capitão Nascimento (Wagner Moura), o filme mostra a visão reacionária da tropa de elite da polícia militar do RJ, o BOPE, sobre os setores explorados e oprimidos da sociedade.
O Movimento Revolucionário quer aproveitar o filme para discutir o verdadeiro papel da polícia e das forças armadas no capitalismo. Hoje, a violência nas grandes cidades do país é um problema social, ou seja, de classe: trabalhadores contra os patrões, banqueiros e multinacionais. Isso quer dizer que a polícia, junto com as forças armadas e os seguranças privados, fazem parte de uma rede armada para defender a fortuna e propriedades dos empresários e políticos ladrões.
Quando os estudantes lutam contra o aumento da passagem, quando os sem-teto fazem passeata para ter um lugar para morar, quando os bancários, carteiros ou comerciários fazem greve por melhores salários, ou quando os desempregados e camelôs tentam sobreviver vendendo CD nas ruas, é a PM e o BOPE quem agride os trabalhadores. São eles que defendem os políticos como Renan Calheiros e Lula. O BOPE é inimigo de quem quer mudança. O BOPE é a tropa da elite, pois só defende os exploradores, ricos e corruptos.
O BOPE defende o governo dos traficantes e criminosos
O BOPE defende até mesmo os traficantes! Todos sabem que o BOPE e toda polícia segue ordens dos governos estaduais e do governo federal. No RJ, tanto Sérgio Cabral (PMDB) quanto Lula (PT) ganha dinheiro do tráfico, do jogo do bicho e da contravenção para suas campanhas eleitorais.
O PT é o partido mais corrupto do Brasil e o PMDB de Cabral é o mesmo de Calheiros, Sarney e Quércia, ladrões de carteirinha. O PT ganhou dinheiro do jogo do bicho no Rio Grande do Sul, no episódio de Waldomiro Diniz no governo Olívio Dutra. Agora, José Dirceu estava nesse negócio de novo, além de Duda Mendonça, publicitário de Lula, ser preso em rinha de galo. Só falta a prostituição como contravenção... Não falta não: o ex-ministro Palocci caiu, entre outras coisas, porque espionou o caseiro que denunciou as malas de dinheiro que eram trocadas na mesma mansão em que prostitutas eram pagas para a cúpula petista com o dinheiro do povo.
O tráfico é alimentado nos morros do Rio, porque os verdadeiros donos dos carregamentos de droga são empresários engravatados e políticos do Congresso Nacional, que moram na Zona Sul e em Brasília, e são os verdadeiros chefes do BOPE. A “missão” para proteger o papa, narrada no filme pelo próprio capitão do BOPE subindo o morro e matando a população que achava andando na rua, se repetiu agora com os jogos Pan Americanos, quando mataram geral no Complexo do Alemão. Assim não é tão difícil ser “caveira”: matando pobre e aliviando os ricos!
Para quem serve a Polícia?
A polícia é paga pelos governos dos banqueiros e exploradores em geral para defender os banqueiros e exploradores em geral. Nos bairros chega a ser ridículo: não tem polícia quando uma casa é arrombada, não tem polícia quando uma mulher chega tarde do trabalho e corre o risco de ser estuprada, mas sempre têm policiais e viaturas rondando as agências bancárias.
A polícia ouve pobre só em caso de tortura e dá atenção quando quer suborno. A maior culpa disso nem é dos policiais, que ganham menos de R$ 1000 para arriscar a vida defendendo propriedades e carros que nunca conseguiriam comprar, mesmo com o salário da vida inteira. Os policiais vivem uma contradição: são trabalhadores a serviço de agredir outros trabalhadores.
A maior culpa, na realidade, é dos governos, já que todos os partidos eleitoreiros governam para os exploradores e usam os policiais para espancar e amedrontar os que lutam contra essa realidade de pobreza, desemprego e falta de serviços públicos.
Não seria possível à minoria da população concentrar tanta renda, ter tanto dinheiro e tanta propriedade, sem que existisse um instrumento para garantir que tudo isso não fosse tomado pela grande maioria pobre da população. Para isso, historicamente, é que surge o Estado e as forças armadas: para garantir a dominação da classe que é minoria, contra a imensidão de explorados que não têm nada a perder no capitalismo e está o tempo inteiro prestes a se rebelar. Para 1 burguês ficar dono de toda riqueza produzida por 100 trabalhadores só com armas, bombas, prisões e pancadaria.
No Brasil, não apenas o BOPE, mas o conjunto das instituições que compõe as forças armadas, não garante a segurança de ninguém. A mesma polícia que matou e torturou para defender os banqueiros e empresários na ditadura, agora tortura e mata trabalhador e jovens da periferia para defender a “democracia” dos ricos.
A juventude das favelas nasce sem nenhuma condição de construir uma vida digna, sem nenhuma perspectiva de estudar e entrar no mercado de trabalho, e acaba seduzida pelo crime ou pelo tráfico de drogas. Com diz Ed Rock dos Racionais MC's, retratando esse quadro que toma conta da juventude da periferia: “ser empresário não dá, estudar nem pensar, tem que trampar ou ripar pros irmão sustentar/ ser criminoso aqui é bem mais fácil; rápido, prático, simplesmente esquema tático/ será instinto ou consciência, viver entre o sonho e a merda da sobrevivência?”.
A polícia, além de violenta, é corrupta
A Polícia Militar convencional, também reproduz a ideologia fascista e racista. A diferença desta para a elite da polícia é que o policial comum é ainda pior remunerado, pior equipado e pior treinado. Na prática são muito explorados dentro da hierarquia das forças armadas. Por tudo isso, a corrupção dentro da polícia convencional corre solta. Também existe corrupção no BOPE e em todas outras instituições do Estado. A diferença é que quanto mais de elite é a tropa, mais por baixo dos panos isso acontece.
O policial, mesmo que também seja explorado, é inimigo dos trabalhadores, porque serve ao Estado explorador. Mas é preciso responsabilizar o governo por todo esquema de corrupção que toma conta da polícia. Arriscar a vida para ganhar R$ 500,00 e defender quem te explora não vale a pena. Por isso eles aliviam os pontos de tráfico de drogas em troca de dinheiro. Também fornecem armas para os traficantes pelo mesmo motivo. Os superiores da PM ganham muito dinheiro com a corrupção, desde o “arrego” que ganham dos traficantes até propinas em casas de prostituição, em jogo do bicho e por aí vai...
A polícia não é diferente do Senado nem da Câmara dos Deputados na corrupção. A corrupção é inerente ao sistema capitalista. O Renan Calheiros poderia perfeitamente sair para comer frutos do mar com o “Capitão Oliveira”, o oficial corrupto do filme. Eles são todos iguais: são todos corruptos da elite!
Quem financia o tráfico?
A burguesia e militantes dos direitos humanos acusam os consumidores de drogas de financiarem o tráfico e, conseqüentemente, toda situação de violência que toma conta do país. Isto é superficial, mas também é irônico, pois é o mesmo discurso do BOPE. Nada mais falso.
As drogas ilegais representam um enorme negócio para a burguesia e a polícia corrupta do país. Por serem proibidas, o tráfico de drogas se transforma em uma fonte de dinheiro excelente para esses senhores. São eles que deixam a Droga entrar no país e nos morros, destruindo com as favelas. Eles que fazem dinheiro à custa da realidade que toma conta das periferias. E é em função desse negócio altamente lucrativo que não legalizam as drogas. É lucro certo e não paga imposto!
Por isso não existe o tal do “poder paralelo”. Existe um poder único da burguesia corrupta. O dinheiro do tráfico é lavado em bancos “legais”. Os donos do tráfico de drogas sentam-se junto na mesma mesa e fazem parte do mesmo negócio que os empresários “respeitáveis” dos ramos do cigarro, bebidas, armas, sapatos, aço, etc.
Responsabilizar o consumidor é esconder todo esse quadro e negar que para combater o tráfico é preciso legalizar as drogas e ao mesmo tempo dar oportunidades aos jovens de periferia, inclusive com campanhas contra o consumo de drogas. Legalizar as drogas é necessário para garantir a redução do consumo, o fim da “Guerra” de gangues, da corrupção e execução e tortura da população das favelas. Só legalizando as drogas se vai acabar com este negócio e desafogar as prisões, lotadas de “aviõezinhos” e sem nenhum político ladrão.
Eles querem dez vezes mais capitães nascimento
De um lado, César Maia do DEM (antigo PFL) faz propaganda dizendo que é preciso aumentar em dez vezes o número de policiais para combater os bandidos desse país. Do mesmo lado, Lula anuncia o Plano Nacional de Segurança com Cidadania, o Pronasci, conhecido como PAC da segurança, que diz, de conteúdo, a mesma coisa: mais presídio, mais polícia, mais repressão e violência e o uso da Força Nacional de Segurança nas regiões metropolitanas.
Declararam uma guerra contra as favelas, contra os negros e os movimentos sociais. Mas os verdadeiros bandidos são eles próprios. Eles que precisam ir para a cadeia. Contra eles que a população deve se indignar. Eles, o governo e o congresso corrupto, é que precisam ser derrotados.
O Estado burguês não tem condições de mudar a vida dos trabalhadores e da juventude da periferia. O sistema não se sensibiliza com o fato de que nas esquinas das grandes cidades tem sempre uma criança roubando, morrendo de frio, de fome, com um saco de cola na mão, etc. No capitalismo, quem manda só dá importância para seu compromisso com Bush, com as multinacionais, com os banqueiros e corruptos. Como não é capaz de encarar o problema da violência de forma coerente, sua função é transformar o jovem, que entra para o tráfico por falta de oportunidade, em “bandido”. Não é à toa que o mesmo BOPE, criado pela ditadura militar, que canta “o BOPE tem guerreiros que matam guerrilheiros”, canta também “Homens de preto qual é sua missão? Invadir favela e deixar corpo no chão”. É assim mesmo: socialistas e favelados são igualmente inimigos do BOPE, porque são os que podem ameaçar o sistema.
Mais polícia na rua não combate a criminalidade:
Abaixo o PAC de segurança do Governo Lula
O jovem que entra para o crime não o faz porque tem vontade e escolheu ser fogueteiro, ou porque gosta de trocar tiro com a polícia. Entra porque o capitalismo não oferece oportunidade para a maioria da população. A responsabilidade de tantos assaltos e crimes não é dos indivíduos. Não se explica esse tipo de coisa dizendo que fulano tem caráter e beltrano não tem. É um fenômeno social.
A responsabilidade, portanto, é da burguesia, do seu governo e do seu regime. Logo, o problema não pode ser resolvido com mais repressão, mais morte, mais presídio, etc. Essa é a lógica fascista de quem quer matar todos os pobres do país para acabar com a pobreza e de quem só enxerga nas favelas bandidos e traficantes. Essa é a lógica do Capitão Nascimento, que entra na favela para matar e torturar. É a lógica da direita mais reacionária, que agora Lula e o PT fazem parte.
Um programa revolucionário de combate à criminalidade
A criminalidade crescente que toma conta das grandes cidades é produto da exploração e da exclusão social que o capitalismo impõe à maioria das pessoas. Muitos jovens passam despercebidos pela sociedade a infância inteira, por serem negros e pobres. Quando descem do morro, mal são olhados nos olhos. Na medida em que experimentam a sensação de estarem armados e, em função disso, ganham o respeito de alguém, juntam esta sensação de respeito com o ódio alimentado durante anos, e entram para o crime.
A cultura do crime no Brasil não pára de crescer. Não há como não existir violência generalizada em uma sociedade baseada na exclusão, na humilhação e no terror policial. Portanto, para começarmos a falar em acabar com a violência social é preciso ter claro que sem mudar as condições econômicas e sociais da maioria da população, qualquer discussão sobre isso é conversa fiada.
Para isso é preciso que exista uma educação e saúde de qualidade; emprego, salário e uma aposentadoria digna para todos. É preciso de fato combater a miséria do país, não com assistencialismo como faz Lula, mas com medidas concretas. Nesse sentido, é preciso parar de pagar a dívida externa e a interna aos grandes banqueiros, acabar com a corrupção que assalta o dinheiro dos trabalhadores para encher o bolso de quem já é rico e investir esse dinheiro na criação de escolas, hospitais, obras de habitação popular e geração de empregos. A atual polícia fascista e corrupta deve ser substituída pela autodefesa dos trabalhadores. A existência da polícia só pode ser aceita se for uma polícia desmilitarizada, eleita e controlada pelos trabalhadores, com direito à sindicalização e à greve.
Por fim, os trabalhadores precisam assumir sua própria segurança, contra os governantes e chefes das polícias. Precisam tomar a frente de uma luta organizada, junto com a juventude pobre das periferias e com todos os setores explorados e oprimidos do país, para derrotar o governo Lula, o congresso corrupto e a polícia fascista.
Nós defendemos uma sociedade socialista, apoiada nos organismos democráticos dos trabalhadores. Somente assim existirão condições de que o crime organizado não seja mais uma atração aos jovens, pois estes terão perspectivas e oportunidades reais de construírem uma vida digna.
Para nós, o problema da violência só vai se resolver com uma solução revolucionária.