Greve de Bancários e Trabalhadores dos Correios
Marcam os meses de Setembro e Outubro

Campanhas Salariais

Os meses de setembro e outubro foram marcados pela mobilização de duas importantes categorias – correios e bancários – em função de suas campanhas salariais. Trabalhadores em correios e bancários da Caixa Econômica Federal entraram em greve por reajuste salarial e, principalmente, contra a retirada de direitos que cresce a cada dia com os ataques do governo Lula/Yeda que somente privilegiam os patrões. A luta também foi uma reafirmação de que as direções pelegas como a CUT, de seus sindicatos e de suas federações precisam ser derrotadas, pois estão a serviço do governo e das reformas de Lula, que atacam toda a classe trabalhadora.

A hora dos Correios!

A greve dos trabalhadores em Correios terminou após nove dias de paralisação em todo o país. A mobilização que atingiu os 30 dos 33 sindicatos da categoria foi traída pela burocracia das direções da Fentect (Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares) majoritariamente dirigida pela Articulação do PT e pela Corrente Sindical Classista do PCdoB e que também compõem a direção de vários sindicatos da categoria.

Essas correntes asseguraram ampla representação no Comando Nacional de Negociação e, mais uma vez, tomaram posição favorável ao golpe do governo Lula e da ECT (Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos) votando pelo fim da greve e a favor da proposta de 3,74% de reajuste com abono de R$ 500,00 e limitação da abrangência das cláusulas sociais aos novos contratados pela empresa a revelia das necessidades e da organização da base da categoria.

Mesmo com a derrota econômica imposta pela direção governista traidora, os trabalhadores em Correios saíram fortalecidos com esta greve. A revolta da base foi expressa em diversas assembléias em que se rejeitou a proposta golpista e se denunciou a atuação das direções. Esse ganho político com a experiência dessa greve deve passar pela continuidade das lutas no próximo período.

A vez dos bancários!

No caso da Caixa, a situação não foi muito diferente: após um mês de adiamento no início da campanha salarial, a CUT e seus sindicatos acabaram com greve no Banco do Brasil, Banrisul e bancos privados antes mesmo no início das mobilizações unificadas. Na Caixa, onde isso não foi possível em virtude da pressão dos trabalhadores, mantiveram a greve por cinco dias úteis até a corrente majoritária – Articulação (PT) – negociar um acordão com o governo, omitindo isso, inclusive, de seus aliados da DS (PT). É pelego golpeando pelego, para melhor agradar o seu grande patrão que é o Lula, e trair a categoria.

O resultado da greve foi o mesmo aumento que todos os bancos que não lutaram tiveram: 6% de reajuste, que nem sequer se aproxima das perdas de 100% desde o início do Plano Real (1994). Mais um golpe justificado pela existência de mesa única para as negociações.  Além disso, não se pode esquecer que os 6% também são uma esmola perto dos mais de 30% que os banqueiros aumentaram de lucro em apenas um ano, à custa dos bancários. Os Técnicos Bancários da Caixa também não ganharam a isonomia (equiparação de direitos com os escriturários). A única coisa arrancada de Lula foi um valor maior da PLR (Participação nos Lucros e Resultados).

Derrotar Lula e as direções pelegas!

Nos Correios e nos “bancos públicos” como a Caixa e o Banco do Brasil a situação é a mesma: Lula ataca, arrocha salários, sucateia agora para poder privatizar depois. O representante de Lula, Hélio Costa, quer privatizar os Correios, assim com a Yeda faz com o Banrisul. As direções pelegas dos sindicatos atuam como porta-vozes dos governos corruptos, que usam a verba que deveria ser destinada para assegurar educação, saúde, emprego e salário justo para os trabalhadores, para dar seqüência a esta bandalheira e aprovar a Reforma da Previdência que vem aí e que, além de equiparar idade de aposentadoria entre homens e mulheres, aumenta em cinco anos o tempo de contribuição dos trabalhadores!

As greves e mobilizações aumentaram a experiência com as direções da Fentect e da Contraf (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro), com a CUT e seus sindicatos, e os trabalhadores devem sair das greves cientes de que estes traidores não os representam. Diante dessa tentativa de desmoralizar os movimentos grevistas, os trabalhadores já sabem que os pelegos não podem continuar dominando os sindicatos do país, pois defendem a Reforma Sindical e Trabalhista – que regulamenta o Direito de Greve e retira o 13º salário, férias, licença-maternidade, FGTS, entre outros; a Reforma da Previdência; o PAC – que congela salários do funcionalismo público pelos próximos 10 anos, aumentando ainda mais o arrocho e desviando verbas para a corrupção que cresce a cada dia. Esses pelegos vão continuar cumprindo o papel de referendar políticas de ataque do governo Lula.

A luta continua!

Ficam claras duas tarefas: a necessidade de Derrotar Lula e a CUT e construir direções de luta e independentes do governo. Nestas greves, o Movimento Revolucionário apontou o caminho para a reorganização dos trabalhadores em Correios e bancários por dentro da Conlutas como alternativa real contra a burocracia das direções atreladas ao governo. Apostamos na Conlutas pra valer! Uma Conlutas fortalecida e não em unidade com parte da burocracia, como querem PSTU e PSOL, em sua estratégia de fusão com setores ainda cutistas e aproximação com a DS (PT) e CSC (PC do B).

É hora de seguir com a reorganização e fortalecer a Conlutas, pois a luta não terminou com as campanhas salariais. Além das questões específicas, como a periculosidade e os abonos, que estão em discussão em ambas as categorias, é necessário dar seqüência as lutas contra as Reformas de Lula e a retirada de direitos que afetam carteiros, bancários, professores, municipários, metalúrgicos, estudantes, que a depender do governo e dos ricos, continuarão sendo cada vez mais explorados e oprimidos. A luta não pode parar!

 

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