O que esperar de 2008?
Um ano das greves e lutas e não das eleições...
A Crise Econômica Mais Perto
Se em 2007, que foi considerado um dos melhores anos para a economia mundial da última década, os trabalhadores e a população pobre pioraram de vida, foram explorados durante o ano inteiro, assassinados pela violência e pela guerra mundo afora, foram traídos por políticos burgueses mentirosos nas eleições, ou por dirigentes sindicais pelegos quando tomaram as ruas, imagina o que se espera para 2008...
O ano mal começou e a crise da principal economia do planeta, a dos EUA, já virou uma realidade. As conseqüências da desaceleração da economia norte-americana sobre os povos do mundo todo ainda não podem ser previstas com exatidão, porém, como sempre, quem pagará o prejuízo serão os trabalhadores. É assim que pensa e age a burguesia. Para piorar o quadro, a situação dos EUA no Oriente Médio está cada vez pior e este ano pode marcar um aprofundamento da derrota americana no Iraque, significando uma crise estratégica para os EUA.
O que é certo é que desemprego e aumento do custo de vida, mais a miséria e a fome são o que está guardado para grande parte dos trabalhadores em 2008.
Quem Paga o Prejuízo?
No Brasil, já no primeiro dia do ano, Lula anunciou seu plano para cobrir o rombo no orçamento causado pela não renovação da CPMF. A maior parte do dinheiro que não será mais arrecadado com a contribuição provisória sobre movimentação financeira (R$ 40 bi) será arrecadado através do corte de gastos na educação, na saúde, nas estradas e pelo congelamento dos salários dos servidores públicos. O plano do governo é cortar R$ 20 bilhões das áreas sociais, como saúde, educação e segurança, além de arrecadar mais R$ 10 bilhões com o aumento de impostos.
Lula aumentou o IOF (imposto sobre operações financeiras), que irá tornar o crédito mais caro e aumentará o endividamento da população. Conforme o próprio governo Lula já anunciou, mais dinheiro vai ser arrecadado com o corte de gastos e com o aumento do IOF do que com a CPMF. Por exemplo: na compra de um eletrodoméstico de R$ 1.500 (à vista), em um prazo de 24 meses, a uma taxa de juros de 6% ao mês, haverá um aumento de R$ 45,94 no valor final do produto (além dos juros), o que supera o ganho de R$ 11,04 que houve com o fim da CPMF.
A política é sempre a mesma quando é aplicada por um governo burguês como o de Lula, igual ao de FHC: arrecada-se dinheiro através dos trabalhadores, que trabalham, geram riqueza e pagam impostos e se repassa todo o dinheiro para os grandes empresários, banqueiros e corruptos, através de isenção fiscal, pagamento dos juros da dívida pública e das operações comandadas por corruptos como José Dirceu, Renan Calheiros e Lula.
Se Quando a Economia Vai Bem a Corrupção Corre Solta, Quando Vai Mal...
No capitalismo sempre vai haver corrupção. Os empresários precisam de dinheiro, além de todo o lucro que obtém explorando os trabalhadores, o que já é um roubo. Esse dinheiro é obtido de muitas formas, mas a que mais tem chamado a atenção e causado indignação por parte dos trabalhadores é a que é feitas por políticos corruptos. Todos os parlamentares que compõem o congresso nacional estão comprometidos com algum empresário ou o próprio deputado ou senador é ele mesmo um empresário.
Para começar, sua campanha foi financiada por alguém que irá cobrar o dinheiro durante o mandato. É assim que funciona a democracia burguesa, uma troca de favores entre a burguesia corrupta. E essa corrupção existe o tempo todo porque um burguês nunca está satisfeito com o seu patrimônio. Ele sempre quer mais dinheiro para poder investir e lucrar mais. Se em 2007 os escândalos foram quase da mesma proporção do escândalo do mensalão, imagina o que ocorrerá em 2008, onde a burguesia terá prejuízo em função da crise econômica e buscará de qualquer forma tapar esse rombo, seja explorando mais os trabalhadores, retirando os direitos, arrochando os salários, seja roubando cada vez mais os cofres públicos.
Isso tudo, com certeza, vai ser lembrado durante as eleições de outubro. No entanto, está cada vez mais claro para o conjunto dos trabalhadores que através do voto nada vai mudar.
Mais do que nunca Lula quer acabar com a aposentadoria, com o 13º salário e com as férias.
A outra forma de tapar o rombo no orçamento e tentar evitar que a recessão chegue também ao Brasil é tornar a produção mais barata. Para isso, Lula já disse que pretende diminuir o custo do trabalhador brasileiro. Segundo as palavras do presidente, "é preciso facilitar as contratações, flexibilizar direitos e dinamizar a economia."
Isso significa que os direitos que os trabalhadores conquistaram durante anos de luta e mobilização, como a aposentadoria, as férias remuneradas, o 13º salário, a licença-maternidade para mulheres deixarão se ser obrigatórios. "O acordado terá mais peso em relação ao legislado". Ou seja, o patrão só pagará os direitos se quiser.
A CUT Continuará Traindo as Greves e as Lutas Para Defender Lula.
É Preciso Construir uma Alternativa!
Sempre que tem crise econômica, as lutas aumentam. Nesse ano, categorias que fizeram greve no ano passado, como correios e bancários, devem repeti-las com mais força e adesão da base. E categorias que não fizeram deverão fazer, como os professores estaduais no RS, que tem um grande histórico de enfrentamentos.
Mas todas as mobilizações são sabotadas pelas lideranças sindicais que fazem parte do governo federal. A CUT, por exemplo, quando entra em uma greve, já entra pensando em como acabar com ela. Porque a Greve é um golpe contra o governo, e a CUT existe para defender Lula e o PT. Os trabalhadores dos Correios, da Caixa Econômica Federal e muitos outros sabem bem disso porque foi o que ocorreu em 2007, em suas greves.
Portanto todas as lutas hoje são contra os patrões, o governo e os burocratas. É uma mesma luta em defesa dos trabalhadores. Não há como existir vitória alguma sem derrotar os dirigentes pelegos, que traem os trabalhadores por cargos e privilégios.
Por isso, em 2008, é preciso que as entidades que ainda não romperam com a CUT o façam de uma vez. E é preciso que as que já romperam entrem para a Conlutas, para construir uma central que unifique trabalhadores, estudantes, desempregados e o movimento popular, para lutar contra o conjunto do governo Lula e o congresso dos ricos e corruptos.
E é preciso que mais entidades entrem para a Conlutas para reafirmas seus princípios e impedir que a Conlutas se termine. É isso que está colocado para o Congresso Nacional de Trabalhadores, que ocorrerá em julho deste ano, em MG. Ou a nova central que surgiu em alternativa à CUT se fortalece nos marcos da independência de classe, da luta implacável contra o governo e contra a burocracia sindical, ou a Conlutas deixará de fazer sentido e passará a ser o que a CUT foi na década de 80: uma central combativa, porém com um objetivo estratégico bem claro, que era eleger deputados e governantes.
A atual direção da Conlutas (os partidos PSTU e PSOL) quer colocar a Conlutas a serviço do projeto eleitoral desses partidos, com o propósito de eleger vereadores em 2008 e assumir sindicatos e aparatos, não importando o quanto tenham que abrir mão do programa que defendiam nem as alianças sem escrúpulos que tenham que montar.
Nós do Movimento Revolucionário continuaremos a levantar a bandeira da Conlutas, porque ela nasceu como uma necessidade dos explorados, para lutar contra o governo que prepara, mais ainda em 2008, os maiores ataques para a classe trabalhadora brasileira.
- Que a Conlutas seja reafirmada e fortalecida! Não à fusão sem princípios com a intersindical.
- Pelo fortalecimento dos sindicatos combativos, oposições sindicais e da organização estudantil e nos bairros.
- Pelo combate ao governo Lula e à velha direita (PSDB e DEM). Nenhum destes blocos representa qualquer solução aos trabalhadores.
- Nenhuma confiança nas eleições! Só a luta muda a vida. Pela preparação de poderosas greves, manifestações e protestos no Brasil e no mundo.
- Pela construção do Movimento Revolucionário entre a classe trabalhadora. Só com uma organização que unifique a luta de todos os explorados é possível ter um 2008 e um futuro diferente para melhor.