DEMISSÕES, DÍVIDAS E MISÉRIA:
É A ECONOMIA CAPITALISTA

O que já era esperado aconteceu: a economia dos Estados Unidos entrou em recessão. Costuma se chamar uma situação de “recessão” quando a economia de um país deixa de crescer, provocando desemprego, quebra de empresas e perda do poder de compra e salarial da população. Tecnicamente, a recessão existe quando ocorrem 2 trimestres seguidos de diminuição do PIB (conjunto de riquezas produzidas num país). Ainda que os EUA não estejam há 6 meses diminuindo seu PIB, o próprio presidente do FED (banco central americano) e os analistas americanos já admitem que há uma recessão nos EUA. O que isso quer dizer, e quais são as conseqüências desse fato?

Mais uma crise capitalista contra os trabalhadores

Os efeitos da crise econômica já não podem ser escondidos. O índice ISM, que mede o nível de atividade do setor de serviços (o mais importante dos EUA) estava em 54,4 e se esperava que caísse para 53. Despencou a 44,6! Para se ter uma idéia, quando este índice está abaixo de 50 é porque está diminuindo a atividade do setor.  As bolsas de valores perderam 5,2 trilhões de dólares apenas em janeiro! A média de queda no mundo inteiro foi de 7,83%. Enquanto isso, a inflação sobe em todo o mundo e o barril do petróleo está próximo de 100 dólares.

Todos sabem o desespero que toma conta dos empresários e banqueiros quando deixam de ganhar as fortunas que esperavam. Eles nem precisam chegar a perder dinheiro: basta que deixem de ganhar o que contavam ganhar, que suas ações caem, provocam demissões, etc. Isso acontece porque não há espaço para todos os burgueses, em um sistema como o capitalista na sua época imperialista. O imperialismo se caracteriza pela época em que o capitalismo chega ao auge de suas contradições. As forças produtivas não conseguem mais crescer e os empresários e banqueiros precisam comprar uns aos outros. Não há “mais lucro” ou “mais mercados” para descobrir. O lucro de uma empresa, para aumentar, precisa ser a partir da compra do lucro do concorrente. Isso faz com que cresçam as fusões e surjam mega corporações, cada vez mais donas de tudo na economia capitalista.

Surge o que Lênin (revolucionário russo) descreveu como o processo em que a burguesia, como classe expropriadora (que toma a riqueza dos trabalhadores), passa, ela própria, a também expropriar parte de seus membros.  É isso que vêm ocorrendo há quase 10 anos, um processo nunca visto de fusões e compra de empresas, com setores inteiros de “burgueses nacionais” de países semi-coloniais e subdesenvolvidos sendo engolidos por multinacionais.

Só que, desta vez, não é apenas uma redução grande de lucros, mas uma das maiores crises que o capitalismo já viveu. Isso não apenas do ponto de vista financeiro, como também político. Os empresários têm assistido à perda de trilhões de dólares, somente até o início de fevereiro de 2008. E isso acontece num momento em que todos os planos dos governantes pelo mundo afora, de retirar ainda mais da maioria da população para salvar seus negócios, vêm sendo derrotados.

Na França, o governo não conseguiu flexibilizar os contratos de trabalho (o que diminuiria os direitos) dos jovens. Na Europa como um todo e nos EUA as lutas impedem que os governos imponham suas medidas de ataque aos trabalhadores. Na América Latina, cada tentativa de privatização ou retirada de direitos é respondida por greves e mobilizações, que já resultaram em revoluções em vários países, que foram derrotadas, mas que mostraram que o imperialismo não tem mais sossego. E o pior de todos os resultados para os EUA: o Iraque e o Oriente Médio. No Iraque, nada dá certo para os americanos, que amargavam cerca de 100 mortes de soldados por mês, até pouco tempo.

Desemprego, dívidas e perdas de direitos

E, se tudo isso vinha acontecendo com a economia “indo bem” segundo os cálculos dos especialistas burgueses, o que virá agora, que a crise atinge proporções enormes? O governo Bush tenta diminuir o tamanho da crise aumentando ainda mais o dinheiro para os ricos. Ao mesmo tempo, como tem medo de que a crise provoque uma convulsão social, além de reduzir o consumo (e, desse modo, os lucros das empresas), Bush também se obrigou a distribuir dinheiro à população.

No entanto, só aqueles que tiveram uma renda a partir de 3 mil dólares em 2007 vão receber algum dinheiro, e são apenas 300 dólares. Isso é o que Lula dá de bolsa família em 5 ou 6 meses! É uma esmola e prova de que Bush não é capaz de achar uma saída para a crise. Os trabalhadores que pagaram Imposto de Renda e ganharam mais de 75 mil dólares em 2007 (ou seja, os trabalhadores com maiores salários) vão ganhar míseros 600 dólares. Toda a população de desempregados, por exemplo, não vai ganhar nada!

Mas, como podemos perceber pelos valores baixos dos cheques do “bolsa Bush”, o governo americano só vai gastar uma pequena parte do seu pacote com o incentivo aos trabalhadores. A maioria dos 166 bilhões de dólares deste pacote vai para isentar grandes empresas de impostos. Quer dizer, o povo é explorado, as empresas o roubam a vida inteira, e quando seus negócios vão mal, estas empresas demitem os trabalhadores e são elas que o governo ajuda, e não aos trabalhadores.

Este plano de Bush vai fazer com que os EUA tenham um orçamento que prevê 400 bilhões de dólares entre outubro de 2008 e setembro de 2009. São 400 bilhões que vão faltar nas contas, dos quais mais de 70 bilhões de dólares são o que vai para a guerra do Iraque e Afeganistão. Este buraco é pago com o dinheiro de países como o Brasil e dos pagamentos das dívidas, como o que Lula faz.

Os efeitos na vida real dos trabalhadores não demoraram a aparecer, e estão atingindo o mundo inteiro: o acesso a empréstimos foi bloqueado, na Espanha são 4300 desempregados novos todos os dias e nos EUA houve 17 mil pessoas a menos com emprego em Dezembro de 2007. Quer dizer que a população cresceu e os empregos não apenas não acompanharam isso, mas caíram. Já são 355 mil pedidos de auxílio desemprego por semana nos EUA. E este é apenas o começo da crise, que vai se estender por todo ano de 2008.

No Brasil, a vida vai ficar ainda pior

Somente em janeiro, os especuladores internacionais, que colocam seu dinheiro no Brasil para lucrarem com um dos juros mais altos do mundo, fugiram com mais de 6,5 bilhões de dólares. Os milionários americanos e europeus utilizam o Brasil apenas para multiplicar seu dinheiro e, na primeira ameaça que tem em suas sedes, retiram o dinheiro daqui para cobrir o rombo de lá.

O governo Lula, que sempre ficou de joelhos para estes setores, agora já deixa claro que pode voltar a subir os juros da economia. Já se passaram 2 reuniões em que os juros deixaram de cair (embora ainda sejam gigantescos) e agora o banco Central e representantes do governo Lula já sinalizam que os juros vão aumentar. Quem vai pagar a conta, de novo, vão ser os trabalhadores que verão a prestação da geladeira, da TV, do cartão de crédito e do carro subirem.

Além da dívida da população em geral, a própria dívida do governo, atrelada a taxa de juros, vai subir. Qualquer pessoa, mesmo leiga, entende que isso é uma estupidez, como dar um tiro no próprio pé. Mesmo assim, na lógica do governo, não há muita saída, pois sem o dinheiro dos especuladores (que ameaçam debandar em massa), as empresas brasileiras simplesmente quebrariam. O empresariado brasileiro depende destes “investidores”, pois são eles que movimentam a compra de suas ações. Se os especuladores fugirem, a Vale do Rio Doce, a Petrobrás, os bancos, as empreiteiras, etc., perdem muito dinheiro.

Como são estas empresas que pagam as campanhas do PT, PCdoB, PSDB e dos outros partidos do Congresso Nacional, o governo Lula, assim como o de Bush, sai correndo para defender o interesse dos donos de empresas, e contra os trabalhadores.

Além de aumentar os juros, Lula sabe que a economia vai crescer bem menos este ano. Para compensar isso, Lula também volta à tona com suas famigeradas reformas. Quer voltar com a CPMF e aumentar impostos através da Reforma Tributária, assim como quer fazer com que os empresários economizem no pagamento de direitos dos trabalhadores, em especial quanto ao FGTS, que o governo pensa em diminuir a contribuição dos empresários.

É preciso fazer com que os ricos paguem pela crise

Para o Movimento Revolucionário, são os ricos que devem pagar pela crise. Foi para dar dinheiro aos banqueiros e empresários que o Brasil contraiu a dívida que tem hoje em dia. São os empresários que determinam uma economia que está cada vez pior para a maioria da população. São os ricos que mandam no governo Lula e nunca lucraram tanto como agora. Somente o Bradesco anunciou lucro de mais de R$ 8 bilhões em 2007. Chegou a hora dos ricos pagarem pela crise que eles mesmos criaram.

É preciso construir mobilizações de massa para derrotar Lula e pôr abaixo o congresso corrupto. Só com o fim deste governo é possível impedir os patrões de seguirem massacrando o povo trabalhador e de jogarem, mais uma vez, a crise nas costas dos mais pobres.

- Pela reestatização das empresas privatizadas. Pela estatização do sistema financeiro, sob controle dos trabalhadores.

- Pela expropriação das empresas que demitem seus funcionários e de todas as multinacionais

- Pela proibição da remessa de dinheiro para fora do país. Pela estatização destes recursos

- Fim do pagamento das dívidas públicas, externa e interna

- Aumentar os impostos para os ricos, isentar os impostos dos pobres e desempregados

- Emprego para todos, pela redução da jornada de trabalho para 36 horas semanais

- Por um governo dos trabalhadores. Que os próprios trabalhadores governem para impedirem as crises

- Por uma revolução socialista que ponha fim ao capitalismo decadente e suas crises cíclicas

 

 

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