Os trabalhadores seguem sendo vítimas
da violência capitalista

2007 foi o ano do filme Tropa de Elite, onde policiais cariocas "matavam geral" nos morros do RJ, além de torturarem e espancarem a população, o que inclusive foi capa do jornal Correio dos Trabalhadores. Mas 2008 vai pelo mesmo caminho das torturas e abusos policiais, dos assassinatos de trabalhadores e do medo entre a população.

Tortura gaúcha: Saco plástico e cabo de vassoura são só para pobre

Na última semana de 2007, a polícia militar do Rio Grande do Sul cometeu mais uma atrocidade contra o povo trabalhador. Depois de escândalos de roubos de carro, que eram feitos por assaltantes e PMs juntos, e depois de descoberto o envolvimento de PMs na chefia de quadrilhas de assalto a bancos, a PM, desta vez, invadiu uma casa, agrediu e torturou pessoas.

Primeiro, um policial, fora do expediente, com mais dois amigos, tentou invadir uma residência atrás do dono da casa. Pouco importa que a pessoa em questão fosse um traficante, um desafeto pessoal ou o que quer que seja. É inaceitável que um funcionário público, que supostamente deve servir à população, tente invadir uma casa, tanto em serviço como fora dele.

Mas isso é só o começo: o dono da casa, em circunstâncias ainda pouco claras, matou o policial que tentava invadir sua casa. Se um pobre entra no pátio de uma mansão pra pedir comida, e é morto pelos seguranças, todo mundo aplaude. Se uma criança tenta pular um muro de um casarão morre eletrocutada, a lei protege o dono da casa. Mas lei serve só para os ricos! Como o invasor vestia farda da PM e o dono da casa era um pedreiro pobre, neste caso, toda a polícia se mobilizou para destruir a vida do pedreiro. A chamada "defesa da propriedade" só é lembrada quando a propriedade é de um rico.

Foi assim que mais de 40 policiais começaram arrombamentos, espancamentos e intimidações e voltaram à casa do suspeito, que não se encontrava. Estes PMs, na falta do acusado, torturaram 4 jovens que estavam na casa, dois deles filhos do procurado. Foram horas de chutes, socos, espancamento repetido e as "técnicas do BOPE – tropa de elite" também. Os torturadores usaram o famoso saco plástico para tentar assassinar os jovens, e um cabo de vassoura introduzido no ânus de um deles, que teve que ser internado no hospital, em estado grave.

O Movimento Revolucionário defende a prisão e demissão imediata de todos os policiais envolvidos, em especial a demissão do secretário Mallmann, chefe da polícia que tortura no RS. Deve haver indenização material e moral às vítimas de tortura e deve ser a própria população a definir a pena dos responsáveis e cúmplices desta vergonha.

Restinga: líder comunitária é torturada e morta em POA

Em 12 de janeiro, a casa de Marlene de Oliveira e Osmar de Souza foi invadida. Depois disso, Osmar foi espancado, Marlene foi torturada, abusada e, no final, os 2 foram queimados. Marlene morreu neste dia e Osmar logo depois, no hospital. Esta notícia já seria costume para um final de semana, tamanha é a violência e a criminalidade que atingem a população em geral, mas em especial os mais pobres hoje no Brasil.

Mas o que é mais chocante, junto com a barbárie do ato de invasão, agressão, estupro, tortura e assassinato cruel, é o fato de Marlene ser uma importante líder comunitária do bairro Restinga, um dos mais pobres de Porto Alegre. Nada foi roubado da casa (que foi incendiada), e a própria polícia foi obrigada a admitir que deve se tratar de uma execução. Este crime tem todos os traços dos crimes feitos para "impor uma lição" aos demais líderes da região. É "um exemplo" para que ninguém se intrometa nos negócios que vão bem para os traficantes, os empresários e todos aqueles que ganham dinheiro à custa da exploração dos trabalhadores. 

Até hoje não há nenhuma prisão ou resultado para este caso. Chama a atenção como esta barbaridade é parecida com a dos policiais contra o pedreiro. Mas isso não deve ser surpresa: a diferença entre o "bandido" e o policial na maioria das vezes é só a farda.

Adolescente estuprada em cela com mais de 20 homens

No Pará, toda população brasileira ficou estarrecida com o caso da menina de 15 anos que ficou presa cerca de 1 mês numa cela com mais de 20 homens. A adolescente foi estuprada e agredida todo este tempo. Pela legislação, nenhuma mulher pode ficar na mesma cela junto com homens, além de que se for menor de idade nem sequer pode ficar a não ser em ambiente específico. Neste caso, nem julgado a menina tinha sido, por causa de um delito insignificante.

Os estupradores, os policiais, e principalmente os responsáveis da Secretaria de Segurança e a governadora Ana Júlia (PT) não sofreram nenhuma conseqüência. Os policiais e toda pessoa envolvida deviam ser imediatamente demitidos e presos. A governadora teria que ser afastada imediatamente do cargo e a população deveria estabelecer a punição de cada um dos agressores e cúmplices da agressão. Este caso mostra a que ponto chegou a vida dos trabalhadores e pobres no Brasil. Com esta denúncia, depois se ficou sabendo que são muitos os casos parecidos com esse no Pará (e com certeza em outros estados), enquanto Jáder Barbalho, ex-governador do Pará, e ladrão conhecido no país, segue solto. O que livra Jader e tantos outros corruptos, assassinos e ladrões da punição é o fato de serem ricos e amigos dos poderosos, principalmente se são da base do governo Lula.

A polícia defende os ricos

No capitalismo, os donos de banco, grandes empresários, grandes fazendeiros, etc., mandam na política, na polícia, nos deputados que fazem as leis e nos juízes que deveriam aplicar a lei. É o famoso "quem paga, manda". É por isso que os filhinhos de papai da burguesia matam mendigos, queimam índios, espancam trabalhadoras domésticas e fica por isso mesmo. É por isso que, ao contrário deles, os jovens pobres da periferia, ainda mais se forem negros, são jogados na parede nas batidas, são humilhados, espancados e mortos sem mais nem menos.

A polícia, como qualquer outra força armada pelo Estado capitalista, é inimiga dos trabalhadores. O motivo de sua existência é um só: aterrorizar os trabalhadores e defender a propriedade privada dos ricos.

É claro que a maioria dos policiais também vive mal, trabalha o dia inteiro, não tem segurança contra traficantes, por exemplo, e ganha muito mal. Mas estes policiais, mesmo sendo vítimas do capitalismo também, são usados como o braço da repressão dos ricos contra os trabalhadores. Esta é a contradição de um PM ou de um soldado: é um trabalhador pago para atacar outros trabalhadores.

Por isso, a principal medida contra a violência policial é acabar com a própria polícia dos ricos. A polícia militar é, como o nome diz, uma polícia em guerra contra os inimigos, que são aqueles que não obedecem as ordens. Mas que ordens são essas? São as leis dos juízes ladrões, dos senadores corruptos e dos governantes que massacram o povo trabalhador.

Não é para prender ladrão que a PM existe. É para prender a população se ela quiser invadir os palácios atrás dos ladrões que matam milhões de pessoas nas filas de hospitais, doentes, mal alimentados e sem emprego.        

Na região de Caxias do Sul, a ação dos policiais não foi uma reação de um "grupo de amigos" do policial morto. Foi a ação típica de um grupo de extermínio, de uma força de repressão e massacre aos trabalhadores que ousem a enfrentar. Foi uma ação de guerra civil duma classe, através de seus "homens armados", contra a população. A morte da líder comunitária é responsabilidade do capitalismo que deixa os trabalhadores viverem sem segurança, enquanto os corruptos andam em carros blindados. O estupro coletivo à uma garota de 15 anos é a prova da decadência de um sistema prisional que amontoa gente que rouba margarina do supermercado e deixa Renan Calheiros livre!

Por isso, só os próprios trabalhadores podem fazer justiça! Não uma justiça individual, do tipo "caçar" o assassino. Mas também não é a justiça burguesa que vai condenar seus próprios companheiros de classe. É a população deve decidir o que fazer com os que atacam os trabalhadores. Os inimigos dos trabalhadores, que os torturam e massacram devem se submeter ao julgamento e à "lei" das vítimas de suas ações e não das leis que lhes beneficiam.

A justiça real, dos trabalhadores, porém, só vai existir quando o próprio capitalismo for derrubado, pois é a exploração do patrão a raiz da diferença social, da alienação, da miséria e da criminalidade. A luta contra a violência é a luta pela revolução socialista, pela destruição do capitalismo e construção de uma nova sociedade, socialista, onde os trabalhadores governem, através de seus próprios organismos, de bairro, de fábrica, de empresa e de local de estudo.

Pelo fim da Polícia Militar

Pela auto-defesa e armamento dos trabalhadores

Que os trabalhadores, com suas leis, julguem seus agressores.  

 

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