Editorial
Com o desenvolvimento da crise econômica mundial nos 3 primeiros meses de 2008, os trabalhadores se viram diante de uma nova realidade, onde a euforia dos últimos anos mostrou que era artificial e não podia durar muito. Os grandes empresários, os banqueiros e seus governos não perderam tempo, e já anunciaram diversos ataques aos direitos da classe trabalhadora.
Já começaram demissões em alguns setores inclusive no Brasil. Nos Estados Unidos, Espanha e outros países, as demissões estão batendo recordes, além de aumentar a inflação e o salário ficar cada vez menor. Os donos dos bancos, empresas, empreiteiras e assim por diante, que representam a burguesia, tentam fazer que os trabalhadores paguem por sua crise. Por isso eles exigem que os governos, como o de Lula, diminuam os salários dos aposentados e cortem direitos sociais (como o 13º salário, as férias remuneradas e a licença maternidade).
Ainda em 2008, ocorrerão no Brasil as eleições municipais para prefeitos e vereadores, onde mais uma vez nossa paciência e inteligência serão testadas. Os políticos dos partidos que representam os patrões (como o PT, DEM, PSDB, e etc.) utilizarão de todos os artifícios que o dinheiro pode comprar para tentar fazer com que acreditemos que as eleições vão mudar a nossa vida.
Ao mesmo as coligações mostrarão a verdadeira farsa que são as eleições, com inimigos numa cidade se abraçando na cidade vizinha. Isso acontece porque todos eles são iguais e todos representam os interesses dos empresários que os financiam.
É justamente essa promiscuidade das coligações eleitorais e a necessidade de se construir uma frente classista dos trabalhadores em alternativa a isso tudo que discutiremos na página 7.
Voltando ao cenário internacional, discutiremos na pagina 8 a questão das nacionalidades oprimidas. Isso porque recentemente Kosovo, que fazia parte da Sérvia, declarou sua independência, e o Tibet, administrado pela China, está vivendo um processo de luta pelo mesmo motivo. Vamos discutir justamente se estes processos de independência são legítimos, se devemos ser a favor dessa luta e qual o rumo que defendemos para esses processos.
No cenário nacional, o mês de Abril é marcado pela mobilização dos trabalhadores rurais sem terra, na mobilização nacional que recebe o nome de Abril vermelho. Com isso se torna necessário que discutamos o valor que têm as mobilizações destes trabalhadores, e qual o programa que os revolucionários defendem para a questão agrária, a necessidade de uma reforma agrária radical, controlada pelos trabalhadores, que ataque o latifúndio e o exproprie sem indenização.
Estes debatem servem para cada um pensar sobre "como é possível mudar a vida?". Queremos demonstrar, através da experiência vivida pela classe trabalhadora e da reflexão sobre estas experiências, a necessidade dos trabalhadores lutarem. Não é mais possível ficar esperando ou acreditar nas eleições para prefeito, governador deputados, vereadores e presidente. A história antiga e recente da democracia dos ricos em que vivemos está cheia de exemplos que deixam claro que os únicos que saem ganhando com este sistema são os patrões e a burguesia. Os trabalhadores só podem confiar em si mesmos, em sua organização e luta direta, para conquistar seus interesses e reivindicações. Por isso, vamos à luta!