É preciso construir uma alternativa
classista e socialista dos trabalhadores nas eleições 2008

As eleições são controladas pelos grandes empresários e corruptos

Em Outubro, irão acontecer as eleições para prefeito e vereadores em todos os municípios brasileiros. Como acontece em todas as eleições, os partidos eleitoreiros e os políticos farão inúmeras promessas, dirão que são honestos e que são capazes de solucionar os problemas dos trabalhadores se forem eleitos. E, na busca por votos e melhores chances de se eleger, farão todo o tipo de coligação, onde os maiores adversários numa cidade serão os aliados na cidade vizinha.

  Tanto os partidos ligados aos patrões, banqueiros e grandes empresários (a Burguesia) como os que se dizem representantes dos trabalhadores, fecharão acordos de todo tipo em busca de tempo na TV e chance de eleger seus candidatos.

  O programa a ser apresentado pelas candidaturas e coligações, passará longe dos temas que são importantes à maioria da população. Para quem quer só o voto, as necessidades dos trabalhadores são o que menos interessa, pois nessa disputa estão em jogo milhões de reais, milhares de cargos e privilégios.

As eleições são um jogo de cartas marcadas, onde só quem saí ganhando são os ricos e corruptos

  Todos os anos a vida de quem trabalha só piora. São os preços que sobem; o transporte que fica mais caro, enquanto os ônibus ficam mais velhos e os engarrafamentos maiores; as filas nos hospitais públicos que só aumentam, enquanto os leitos diminuem e os medicamentos faltam nos hospitais; as escolas públicas estão cada vez piores; e os impostos que o trabalhador paga sempre aumentando.

  Todo o este sofrimento de quem trabalha e não é resolvido por nenhum político, se repete e piora dia após dia. Mas de 2 em 2 anos, os partidos eleitoreiros reaparecem para fazer promessas e jurar que vão acabar com os problemas. Mas a população vota em um, vota noutro, e segue tudo igual. Dos partidos que hoje têm deputados, todos foram a favor do Super-Simples, que retira direitos trabalhistas, como o 13º salário, exatamente dos mais pobres. Também foram a favor de aumentar seus salários em cerca de R$ 4mil por mês e decidiram que não trabalham mais nas 2as-feiras. Da direita (DEM-PFL, PP, PSDB) até o PSOL da Heloísa Helena, passando pelo PT, que já foi de esquerda, eles todos defenderam estas medidas.

  Nenhum candidato a presidente seria capaz de acabar com os problemas brasileiros, muito menos os candidatos a prefeito. Nenhuma coligação, em 2006, defendeu o não pagamento da dívida pública (externa e interna) e a utilização desse dinheiro, que já é superior a 1 trilhão de reais, no investimento de escolas, hospitais, habitação popular, reforma agrária e geração de emprego. Nenhum parlamentar hoje é capaz de romper com a lógica dos financiamentos fraudulentos das campanhas, ou de denunciar o próprio Congresso de que faz parte e que só faz leis para os ricos. Eles todos se defendem. Eles são todos iguais!

       As eleições representam uma excelente oportunidade de apresentar um programa socialista, por um governo realmente dos trabalhadores. Infelizmente, não houve nenhuma candidatura que realmente dissesse isso em 2006. Isso prova que coligar para ganhar simpatia e votos, como fizeram PSOL e PSTU, deixando de lado a defesa do que interessa aos trabalhadores, é virar as costas a quem mais precisa. Mas, mesmo quando os trabalhadores têm candidatos comprometidos com sua luta e resistência, as eleições são ganhas pelos que tem mais dinheiro.

  Somente fazendo acordo com banqueiros e empresários, e recebendo dinheiro de campanha para depois pagar votando contra os trabalhadores por todo mandato, é possível garantir um tempo decente na TV, materiais de campanha e condições de se eleger. Nesse sentido, ganham os que fazem churrascada, os que dão jantares e brindes para comprar o voto. São estes candidatos dos ricos, que, com muito dinheiro, se elegem. Não é possível mudar de vida pelas eleições. Elas são um jogo de cartas marcadas!

Se eleições são uma farsa devemos participar dela? E com que objetivo?

  Nós, do Movimento Revolucionário, defendemos que não é possível mudar a vida através das eleições. Mas, ainda que tenhamos clareza disto, e sempre deixamos isso claro, entendemos que uma parte da população acredita nas eleições, ou simplesmente não vê uma alternativa a elas. Por isso consideramos que o partido revolucionário tem a obrigação de participar das eleições burguesas: não para defendê-las, tentar ganhá-las ou enganar os trabalhadores de que alguém é a “luz que surgiu”, ou que “vai mudar o Brasil”, como criminosamente fizeram os apoiadores de Heloísa Helena em 2006.

  Mas é fundamental apresentar um programa que represente as necessidades dos trabalhadores, suas reivindicações e lutas, através de um programa socialista e revolucionário, nas eleições. Isso só pode ser feito através de seus candidatos, para as amplas massas de trabalhadores, explorados e oprimidos; dizendo claramente que as eleições são uma farsa, e defendendo e impulsionado as lutas como única maneira de os trabalhadores conquistarem suas reivindicações.

  Além disso, é preciso discutir como combater o senso comum, fortalecido pela política dos partidos reformistas, como o PSOL, que dizem que a participação dos partidos de esquerda nas eleições deve ter como objetivo acumular postos nos parlamentos e governos, para depois promover as “mudanças” que tanto os trabalhadores necessitam; ou, como dizia o ministro da ditadura Delfim Neto “deixar o bolo crescer para depois dividir”. Foi isso que o PT também defendeu por anos, e agora todo mundo viu no que deu.

  Os revolucionários defendem justamente o contrário: participamos das eleições com o objetivo de utilizar o espaço que existe (TV, debates, entrevistas, etc.) para apresentar amplamente para o conjunto do movimento das massas trabalhadoras o programa socialista e revolucionário, defendendo e explicando pacientemente a farsa que é a democracia em que vivemos (democracia para os ricos), mostrando que no capitalismo as reivindicações de nossa classe não podem ser atendidas, e a única coisa que nos é oferecida, na prática, é mais do mesmo, ou seja, mais exploração, violência e miséria.

Por uma Frente classista, dos trabalhadores, e socialista nas eleições de 2008!

  O Movimento Revolucionário considera importantíssima a participação dos revolucionários nas eleições burguesas, para desmascará-las e apresentar o programa revolucionário para as massas trabalhadoras. Por isso chamamos aos companheiros que compõe a CONLUTAS (uma central que reúne trabalhadores do campo e da cidade, desempregados, estudantes e oprimidos) para que construam uma Frente de fato classista. Isso não é a solução para a crise que os trabalhadores enfrentam no país, mas pode ser um passo neste sentido, dependendo do programa que defender.

  A situação dos trabalhadores não vai mudar sem que se acabe com o capitalismo e se construa outra sociedade, socialista. Isso só pode ser feito com a tomada do poder pelos trabalhadores, através de uma revolução. Os trabalhadores ainda não romperam com esta democracia fajuta em que vivemos, mas já não têm ilusões de que suas vidas vão melhorar por dentro dela. Uma candidatura eleitoral tem como objetivo fazer avançar este ódio contra este sistema e preparar as lutas, e não ser uma válvula de escape, que substitua as lutas e, de novo, crie a expectativa de “candidatos éticos” que possam “limpar a política”.

  A limpeza e moralização da política só vão acontecer com o fim das eleições de araque que presenciamos, a demissão imediata de todos os parlamentares e governantes, e a criação de um governo dos próprios trabalhadores, eleitos em assembléias populares, com mandatos revogáveis a qualquer momento, recebendo o mesmo salário que recebiam como trabalhadores. Essa é o programa que justifica que se participe de uma eleição! 

  Chamamos aos companheiros do PSTU a liderarem esta frente classista nas eleições de 2008, compondo o programa desde a base, em convenções e plenárias democráticas, em que filiados ou não a organizações possam participar e votar. Defendemos que a composição das chapas nos municípios seja discutida entre os que compuserem a frente, assim como o seu programa. Na questão legal atualmente a única organização que possui legenda eleitoral é o PSTU, por isso o PSTU tem a obrigação de ceder sua legenda aos lutadores que se dispusessem a ser candidatos por esta frente classista e socialista.

  Ainda que sua direção venha dando um rumo oportunista para o partido, e que tenham sido aprovadas coligações com o PSOL de caráter eleitoreiro para este ano, mais uma vez, nós chamamos o PSTU a mudar de rumo. Em 1998, o PSTU lançou Zé Maria a presidente, contra tudo e contra todos, fez 0,2% dos votos, mas cumpriu um papel brilhante de reafirmar o programa dos trabalhadores. Em 2002, repetiu isso e fez um debate fundamental sobre a ALCA (Área de Livre Comércio das Américas) que iria fazer da América latina uma colônia dos Estados Unidos.

  Hoje em dia, a experiência dos trabalhadores com as eleições é anda maior e é possível fazer um grande debate sobre os limites desta falsa democracia que vivemos. A última coisa que precisamos é de candidaturas de “esquerda” ao PT, falando em ética, direitos ao trabalhador e medidas sociais, tudo no abstrato e sem romper com o capitalismo. Esse papel o PT cumpriu por 20 anos e é o máximo que o PSOL se dispõe a defender. Este ano, até partidos burgueses que apoiaram FHC e se coligam com a direita mais podre no Brasil estarão na Frente de “esquerda”.

  Por isso dizemos que será um erro muito grave se o PSTU coligar mais uma vez com o PSOL, porque esse partido vai estar junto com o PV, um partido burguês, pago por empresários, e porque não é possível construir uma frente que defenda os trabalhadores com alguém que está junto com o governo Lula e com os ricos, como é o caso deste partido que tem ministro no governo Lula. O PSTU sabe que não é possível construir uma frente classista com o PSOL. Por isso, o PSTU não deve coligar com eles: isso é construiu uma Frente Popular, o que é inadmissível entre socialistas.

  A teoria e a prática marxistas ensinam que tudo corresponde a uma classe social. Um Estado ou é burguês ou é operário. Um partido ou é burguês ou é operário. Uma Frente eleitoral ou é burguesa (popular ou da direita tradicional) ou é operária (revolucionária ou classista, pelo menos). Nós desafiamos que se mostre algo que não tenha conteúdo de classe na política. Isso não existe! E a direção do PSTU sabe disso! Quando admite que a frente não é classista, faz isso para ganhar mais votos, mesmo sabendo que é uma Frente Popular, com um programa de desenvolvimento por dentro do capitalismo.

  De toda forma, fazemos este chamado. Ainda que esta frente não se expresse numa candidatura revolucionária, que deveria ser a saída dos trabalhadores, e é o que defendemos, os trabalhadores precisam ter, no mínimo, uma candidatura dentro da composição e dos interesses gerais de sua classe. Essa frente deve apresentar um programa que expresse os interesses, reivindicações e lutas dos trabalhadores, explorados e oprimido com a defesa do não pagamento da dívida externa e interna; a ruptura com o imperialismo; as reformas urbana e agrária radicais, controladas pelos trabalhadores; a reestatização das empresas privatizadas; estatização do sistema financeiro; a luta contra a super-exploração e opressão a mulheres, negros e homossexuais; o direito ao aborto; além de denunciar a democracia dos ricos.

  Outro papel importante que deve cumprir esta frente classista que defendemos é o de impulsionar e auxiliar as lutas dos trabalhadores. Defendendo a luta, greves, ocupações de terra, manifestações e organização dos trabalhadores como única maneira de conquistar as nossas reivindicações. Além de defender o fortalecimento da CONLUTAS. Sem esta alternativa, os trabalhadores não terão alternativa em quem votar nestas eleições, que defenda seus interesses.

  De qualquer forma, com ou sem uma candidatura nestes marcos, o Movimento Revolucionário chama, principalmente, a que a classe trabalhadora lute! Só a luta pode mudar a vida e o mundo em que vivemos. Uma luta com independência de classe, de massas, e pela defesa da revolução socialista!

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