Kosovo e Tibet:
A independência nacional e a autodeterminação dos Povos em debate!

Assim como em Kosovo no início do ano, é a vez do Tibet lutar por sua independência. Quando um povo luta por ter seu próprio país, o que está em jogo é muito mais que isso. Por trás da luta pela independência, os trabalhadores querem o direito de governar suas vidas, de ter mais saúde, educação, cultura e salário. A luta contra a colonização é uma luta contra a exploração, contra a injustiça. O que separa movimentos nacionais que apenas divulgam suas idéias em livros e teorias, de um movimento verdadeiro de libertação nacional é quando existe uma forte insatisfação contra a pobreza, o desemprego, o aumento dos preços. Portanto, quando as massas lutam por independência, é contra o capitalismo que as pessoas se mobilizam.

Derrotar o imperialismo, para libertar as nacionalidades oprimidas

  Como em qualquer parte do mundo, nenhuma luta está alheia aos interesses dos Estados Unidos. Junto com a reivindicação legítima dos trabalhadores de poderem estabelecer seu próprio território e nação, os interesses do imperialismo vêm para aumentar as diferenças entre os povos, jogá-los uns contra os outros e aplicar a política do “dividir para conquistar”. A divisão dos povos interessa principalmente aos banqueiros, latifundiários, donos de empreiteiras e assim por diante.  São eles que se beneficiam quando os trabalhadores lutam uns contra os outros.

  É por isso que a burguesia e, em particular os Estados Unidos, incentivaram a independência da Eritréia na África, a divisão das ex-repúblicas da Iugoslávia e da URSS, e assim por diante. Foram as classes dominantes que partilharam a América e a África entre os países ricos. Tribos e povos inteiros foram unidos em nações sem que houvesse nenhuma origem comum entre eles, da mesma maneira que povos sem nenhuma diferença cultural eram divididos em outros países, criando rivalidades para tornar inimigos os que eram iguais.

  Um dos lados desta política do imperialismo é fazer vista grossa ao direito de povos terem seu país, como é o caso dos bascos, que têm seu território ocupado por Espanha e França; da região da Caxemira, ocupada pela Índia; da Chechência ocupada pela Rússia; e muitos outros povos, que devem ter o direito de se tornar independentes. Nestes casos, o imperialismo dos EUA não tem interesse na independência. Em outros locais, aparece o outro lado da política de atacar os trabalhadores, que é dividindo-os.  

  Em Ruanda, na África, por exemplo, os colonizadores belgas inventaram uma divisão da população, chamando uma parte dos habitantes de tutsi, que foram colocados em empregos administrativos, com melhores salários; e outra parte, bem maior, chamada de hutu, que ficou com os piores salários e condições de vida. Estas duas “tribos” eram o mesmo povo, de origem bantu, e foram divididos para não poderem lutar juntos contra os invasores europeus. O resultado foi uma guerra violentíssima e assustadora, surgida em 1994, com mais de 1,5 milhões de mortos.

  Isso prova que o imperialismo lucra mais quando tem mais possibilidades de fazer os trabalhadores “concorrerem” pelo “direito” de serem explorados. Para os ricos é bom que os pobres se dividam, desde que não seja para atrapalhar seus interesses ou enfraquecer um governo aliado deles. Para os empresários, mais divisões nacionais significam menores salários, porque a miséria produzida pelo capitalismo é tão grande, que a ida de uma empresa de computação ou uma montadora de automóveis é disputada desesperadamente pelos países subdesenvolvidos e semi-coloniais, que põe lá embaixo o salário de seus trabalhadores a fim de atrair as empresas exploradoras.

  Isso faz com que o governo da Índia, por exemplo, libere as empresas de pagar 13º salário a seus funcionários, o que é um bom argumento para convencer a Volkswagen, por exemplo, de que é mais barato produzir lá do que na Malásia. Daí o governo de Cingapura diminui ainda mais os salários de sua população, obriga todo mundo a trabalhar 12 horas por dia e faz com que a fábrica vá para seu país. E assim por diante...

  Por isso o imperialismo se beneficia tanto da divisão da classe trabalhadora e por isso é tão importante que os trabalhadores do mundo inteiro dêem os braços e lutem juntos. Os ódios nacionais não representam os interesses da classe trabalhadora. Os rancores patrióticos, os preconceitos e a rivalidade entre povos só servem para a burguesia internacional fazer a festa e ganhar com nossa divisão.

A única independência nacional de verdade é com a revolução socialista

  Só há uma possível liberdade e independência para os povos oprimidos, que é a partir da expulsão de seus colonizadores, sejam eles países atrasados, como a China, ou Sérvia, sejam diretamente imperialistas, como no Iraque, Palestina e país basco.

  Mas os movimentos nacionais destes locais não são realmente independentes. A direção dos “movimentos de libertação nacional”, quando não pretendem mudar o sistema como um todo, e acabar com o capitalismo, defendem somente a independência, mas a manutenção das demais condições da região a ser libertada. Nestes casos, a independência é uma farsa, pois os povos vão sair do domínio dos ocupantes para cair no domínio dos Estados Unidos ou outra potência capitalista.

  Para os revolucionários, só é possível tornar uma região independente se forem nacionalizadas as empresas, bancos e terras deste país. É preciso expropriar sem indenização toda propriedade na mão de multinacionais e investidores estrangeiros. Assim como é preciso romper com a dívida externa de cada um destes países. Não se pode, também, aceitar a presença de qualquer tipo de tropa multinacional, sob nenhum pretexto, pois a ONU, a OTAN ou a Minustah (força de ocupação do Haiti liderada pelo Brasil) são apenas órgãos de fachada a serviço dos interesses dos países ricos, principalmente os EUA.

  E nenhuma destas medidas pode ser tomada por qualquer uma das direções nacionais dentro do capitalismo. A direção destes processos de independência é capitalista, burguesa ou pequeno-burguesa. É assim que são os líderes de Kosovo, do Tibet e de outros processos de independência. Por isso são incapazes de romper seus laços com a burguesia invasora. O capitalismo cada vez mais é globalizado, com trocas internacionais. Nenhum empresário, por mais “amor nacional” que diga ter, pode se dar ao luxo de romper com quem compra seus produtos e lhe fornece outros bens.

  É por isso que só a classe trabalhadora pode levar adiante a tarefa de arrancar a independência nacional. Somente ela não tem nada a perder no capitalismo e muito menos como nacionalidade oprimida. Mas a classe trabalhadora, para poder levantar seriamente a luta por sua autodeterminação, precisa lutar contra o conjunto do capitalismo, de seus tribunais internacionais, de seus exércitos de ocupação multinacionais e do grande capital, que financia o nacionalismo mas que proíbe todos os países de serem livres.

  A independência verdadeira só pode existir com um governo dos trabalhadores, que devem tomar o poder, destruir as instituições atuais e construir o socialismo. Este é o desafio para os trabalhadores sufocados pela opressão nacional: romper com suas direções traidoras e construir um Movimento Revolucionário autêntico.

Por um mundo sem fronteiras

  Para os revolucionários, a saída para os trabalhadores enfrentarem a exploração é sua união contra os patrões. Um trabalhador europeu tem muito mais em comum com um imigrante trabalhador do que com um patrão de seu país. A patronal tenta fazer com que os brasileiros tenham raiva dos argentinos para evitar que argentinos e brasileiros mostrem juntos a sua raiva contra os patrões destes dois países.

  Para nós, é preciso unir os trabalhadores. Defendemos que se unam tibetanos e chineses em um mesmo país, numa federação de povos, exercendo o poder eles mesmos. Que se construa uma única Palestina, laica e não-racista, onde convivam juntos árabes e judeus, a partir da destruição do Estado semi-nazista e teocrático de Israel.

  Mas são os trabalhadores e as nacionalidades oprimidas que devem escolher seu futuro. No caso de as massas oprimidas entenderem que é preciso romper a união nacional para desenvolver suas lutas, os revolucionários respeitam a decisão e fazem todo o possível para garantir este direito. Por isso somos a favor e apoiamos o direito à autodeterminação dos trabalhadores do Tibet e demais regiões, para garantir o Tibet e um  mundo livres!

Pelo direito à autodeterminação dos povos oprimidos!

Derrotar o imperialismo americano e seus lacaios nacionais

Pela legalização de todos os imigrantes, em qualquer país, com os mesmos direitos dos trabalhadores locais

Nacional ou estrangeira, é a mesma classe operária

Unir os povos, mesmo aqueles que hoje se separam nacionalmente. Pela unidade dos trabalhadores na luta pelo fim da exploração

Por um mundo sem fronteiras, sem racismo ou preconceito

Só um mundo socialista garante a verdadeira liberdade e independência!

 

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