Crise Econômica, Crise de Alimentos, George Bush e os Estados Unidos:
É preciso acabar com o imperialismo para os trabalhadores mudarem de vida
Virou moda dizer que hoje em dia tudo é globalizado. As roupas que se compram no Brasil são as mesmas que se vende no México, a comida do Japão é igual a da Rússia, as músicas ouvidas na França também empolgam os jovens na Tailândia. Por conta disso, muitas pessoas acreditam que as empresas, assim como a moda e o dinheiro, não seriam mais de um país ou outro, e sim "transnacionais". A verdade, no entanto é bem outra.
Mesmo com filiais em todos os lugares do mundo, as grandes empresas mundiais têm suas matrizes, principais acionistas, diretores e interesses concentrados em países ricos. Estas empresas remetem seus lucros, obtidos da exploração de trabalhadores no mundo todo, para enriquecer a economia de seu próprio país. Hoje, as multinacionais sugam recursos naturais, como petróleo, água, gás e madeira dos países pobres. Exploram a mão de obra mais barata dos países subdesenvolvidos e canalizam estes recursos para fortalecer ainda mais seus países.
O discurso de "fim das fronteiras" não serve para os trabalhadores, que são proibidos de entrar nos Estados Unidos e Europa. Cada vez mais imigrantes são hostilizados e expulsos das Europa, mesmo em países menos ricos, como Espanha. A liberdade entre países se dá entre países ricos, e só o que tem livre circulação é o dinheiro. O trabalhador só enxerga a globalização no seu salário (que diminui até se igualar com o trabalhador que ganha o pior salário no mundo inteiro) e no preço da comida e do transporte, que sobe o tempo todo, sempre para dar mais lucro às multinacionais.
Portanto, mais do que nunca, hoje há países ricos e países pobres. Os países ricos abrigam as maiores empresas e são governados por elas. São estas empresas que elegem os presidentes dos Estados Unidos, França, Inglaterra e Itália, por exemplo. São as burguesias destes países que decidem sobre o super-aquecimento do planeta e o descumprimento de metas como o Protocolo de Kyoto. São elas, através dos governos que controlam, que mandam no FMI, na OMC, na ONU e resolvem quem ganha ajuda humanitária, que país vai ser invadido e quanto vai ter de desemprego ou de mais exploração contra os trabalhadores.
Dizer que não há um centro da burguesia (onde o capitalismo está na sua forma mais avançada – o imperialismo) é como dizer que, por terem negócios nas Américas, as empresas de tráfico negreiro de 300 anos atrás e os navios portugueses e espanhóis que roubavam ouro e prata do continente eram acima dos países e não eram das metrópoles.
Estas empresas são, sim, de um país, mesmo com investimentos no mundo todo, porque não são independentes do Estado. Pelo contrário, quanto mais recursos, mais dependente do Estado é uma empresa. Ela precisa estar associada a outras grandes empresas e bancos para comprar eleições como a que vemos agora nos Estados Unidos. Elas pagam lobistas (empregados que recebem para pressionar políticos em benefício das empresas), financiam campanhas, compram juízes, porque precisam ter o controle das Forças Armadas, da Justiça, do Congresso, da educação e da imprensa para manter a propriedade de seus meios de produção de riquezas (fábricas, bancos, etc.).
Não por acaso, os maiores Estados burgueses são os que concentram as maiores empresas capitalistas. O principal deles são os Estados Unidos. Secundariamente, vem a União Européia. A UE, mesmo rivalizando com os EUA em muita coisa (o Euro está mais forte que o dólar), não está nem perto de desbancar os Estados Unidos como única superpotência imperialista. Isso porque a força de um "Estado" (a UE é uma soma deles), não é só monetária. Isso é um dos elementos importantes, mas não essencial. O determinante é o controle sobre a produção e o poder militar.
Nisso os EUA são imbatíveis, pois controlam as 2 maiores forças militares do planeta, a deles próprios e a de Israel. Além disso, têm bases militares em todos os continentes, inclusive com tropas na Coréia e Japão. Acabam de aprovar um escudo anti-mísseis em plena Europa, além de controlarem a OTAN (força de guerra que atua na maioria do tempo em plena Europa). Economicamente, tem o maior mercado consumidor do mundo, a economia mais desenvolvida, avançada e diversificada, além de terem ações e controlarem boa parte das empresas que, no nome, são européias.
Por tudo isso, qualquer possibilidade de libertar os povos hoje oprimidos, de derrubar alguma ditadura ao redor do mundo, ou de garantir melhores condições de vida em qualquer grande cidade da América do Sul, ou da Ásia, passa por um grande objetivo: lutar até o final contra o imperialismo americano.
Nosso artigo ainda quer discutir 3 questões em particular: o que está em jogo nas eleições americanas; até onde vai a crise da sua economia e qual mo futuro do Iraque e da ocupação dos EUA no Oriente Médio.
Iraque: o novo Vietnã
Cada semana que passa, são mais atentados, bombas e assassinatos contra militares americanos no Iraque. O número de soldados mortos já ultrapassou 4 mil desde a invasão em 2003. Além dos milhares de mutilados, feridos gravemente e incapacitados para o resto da vida.
O governo americano admite ter gasto US$290 bilhões diretamente com a guerra, e organizações independentes falam em US$500 bilhões. Se contar salário de soldados, gastos que envolvem a estrutura de uma guerra, mais o esforço bélico da economia toda, e eventuais pensões e aposentadorias, o gasto fica entre 2 e 3 TRILHÕES DE DÓLARES. Isso é tão espantoso, que, mesmo com o lucro do petróleo, este gasto é excessivo.
Mas, se para o trabalhador que paga imposto a guerra é um mau negócio, para as empresas é um presente. Não são elas que pagam 1 centavo sequer do esforço de US$ 3 trilhões. Mas são elas que lucram. A guerra do Iraque tem sido usada para arrecadar fortunas do povo americano e do mundo inteiro, que, depois de servirem para investir na destruição de forças produtivas no Iraque, termina nas contas das grandes empresas americanas.
Mas o grande pesadelo dos políticos americanos é saber que a resistência não pode mais ser vencida. As tropas italianas e espanholas já se retiraram, devido à clara derrota das forças de ocupação diante da resistência. Muitos outros países adotaram a mesma posição; todos pela pressão que os trabalhadores faziam exigindo o fim da participação na ocupação. Recentemente, a Inglaterra retirou parte de suas tropas, e os EUA são pressionados a isso todos os dias, embora não possam tomar tal decisão.
Tudo isso acontece porque os rebeldes estão ganhando a Guerra. A guerrilha libanesa do Hezbollah ganhou do exército super poderoso de Israel, que nunca tinha sido vencido. O Hamas palestino, mesmo com o boicote mundial, com o assassinato em massa e extermínio étnico feito pelos israelenses, e com a traição e golpe feitos pelo Fatah (grupo palestino pró Israel e EUA), consegue manter Israel expulso da Faixa de Gaza.
Todos estes fatos mostram a fragilidade que se encontra os EUA no Oriente Médio. O Iraque é o centro desta resistência e cada trabalhador em cada lugar do mundo deve prestar toda solidariedade e dar todo o apoio que puder ser dado à luta iraquiana. O destino do mundo inteiro e da luta de classes está sendo travado nas ruas de Bagdá e outras cidades. Uma derrota final dos EUA neste conflito, como ocorreu no Vietnã, tem potencial para generalizar protestos e lutas para varrer o imperialismo americano de suas bases militares no Equador, Colômbia, Paraguai, além de fazer com que a classe trabalhadora se sinta mais forte para levar adiante o enfrentamento necessário contra o conjunto do imperialismo.
Esta situação não está mais tão longe, se comparada com 5 anos atrás, quando os EUA resolveram tomar a ofensiva e tentar tomar o Iraque em poucas semanas e remodelar todo o Oriente Médio, como anunciaram na época. Hoje se conseguirem se retirar com alguma dignidade, e não fugindo desesperados como no Vietnã, já não será um negócio tão ruim para os americanos.
Democratas X Republicanos: Quem será o próximo funcionário das corporações petrolíferas, armamentistas e financeiras que sentará na Casa Branca?
A definição do futuro presidente dos Estados Unidos gera muita discussão e interesse. Mas, no fundo, além da curiosidade e da simbologia de se poder eleger o primeiro negro ou primeira mulher à presidência, quase nada pode interessar aos trabalhadores nesta eleição.
Independente de ganhar o candidato do Partido Republicano John McCain ou o candidato do Partido Democrata, fosse Barack Obama ou Hillary Clinton, o destino dos trabalhadores americanos e dos imigrantes não será alterado. McCain é o candidato da direita religiosa, fanática contra a ciência, racista, machista e homofóbica. Hillary é a candidata do setor financeiro, das empresas americanas que lucraram por 8 anos no governo de seu marido, além de ter votado a favor da Guerra de ocupação no Iraque e das restrições aos imigrantes dos Estados Unidos. Obama já confirmou que vai endurecer a repressão contra os imigrantes ilegais, além de ser o candidato que mais tem recebido dinheiro para sua campanha, o que comprova que a burguesia imperialista tem plena confiança no que ele representa.
A grande novidade nesta eleição não são os candidatos ou o programa de governo apresentado. A existência de um negro e de uma mulher com chances de ser presidente, antes da escolha democrata, é conseqüência e não causa. Não foram 2 candidatos bem preparados que iniciaram a reflexão das pessoas sobre como seria ter no governo um negro, ou uma mulher. Na verdade, a sociedade americana é formada, como quase todos os países, por maioria de mulheres. A luta das mulheres vem ganhando importância cada vez maior, através de reivindicações como o direito ao aborto sem ser considerada criminosa por isso, a luta pela qualidade da saúde, cada vez mais deteriorada... Diante da crise econômica e caos nos investimentos sociais, são as mulheres as que mais sofrem e são penalizadas, por ganharem os menores salários e serem as primeiras a serem demitidas. Por isso, as mulheres são um dos principais “grupos” de oposição à situação política americana.
De outro lado, entre negros e latinos, a população tem crescido tanto, que, em poucos anos, já terá superado a população branca nos EUA. Isso leva ao questionamento sobre a participação política dos negros. Muito antes de Obama aparecer como pré-candidato, séries de TV e programas já colocavam a possibilidade de um negro na presidência. Qual é a lógica disso?
Aí é que aparece a novidade desta eleição. A grande novidade é um sentimento de descontentamento como há muito tempo não se via nos Estados Unidos. Obama e Hillary só conseguem chamar a atenção pois representam, através de sua aparência, de sua condição de oprimidos bem explícita, a diferença com o modelo tradicional da política americana e, via de regra, do mundo todo: homem, branco e heterossexual. Obama levou vantagem nisso tudo, pois soube acrescentar à sua condição natural de “diferente” o discurso da mudança. Conhecido por dezenas de “change” (mudança) repetidos em cada discurso, Obama cumpriu o papel necessário à burguesia de fazer os que já tinham abandonado a confiança nas eleições voltarem a acreditar. Parte da juventude e outros setores são seduzidos por um jovem, negro, que critica a gestão Bush e Clinton ao mesmo tempo, com frases críticas ao conjunto dos políticos e aos “mesmos de sempre”.
A verdade, no entanto, é que, não importa quem se eleja, todos estão comprometidos com as instituições imperialistas e com a burguesia imperialista. Os trabalhadores americanos e os imigrantes não têm candidato nesta eleição entre os grandes partidos. AS eleições nos EUA são uma farsa ainda maior que no Brasil, se é que isso é possível. A votação acontece em dia de semana, e as pessoas que vão votar perdem um dia de serviço. Só vota quem é cadastrado, e isso exige outro dia de serviço a menos. Não há campanha eleitoral gratuita, o que faz com que só os milionários paguem suas inserções na mídia. As eleições são indiretas, o que significa que a população só elege delegados estaduais, e são estes que elegem o presidente. O sistema indireto, junto com o fato de que quem ganha a eleição por 1 voto num estado leva todos os delegados, fazem com que aconteçam golpes contra a própria eleição fraudulenta e arranjada. Foi o que aconteceu na primeira eleição de Bush, que fraudou os votos da Flórida e mesmo, assim, teve menos votos que Al Gore, mas foi declarado vencedor.
A crise que ameaça a superpotência
A crise econômica que abala os EUA já foi comparada à de 1929, quando quebrou a bolsa de valores de Nova Iorque. Aquela crise gerou um desemprego recorde, onda de falências e suicídios. Guardadas as devidas proporções, e considerando que esta crise recém está começando, o que não nos permite visualizar ainda até onde vai chegar, a quebradeira atual, mesmo assim, já é gigantesca.
A situação é tão dramática, que obrigou o governo Bush a destinar cheques à parte da população para tentar reativar um pouco o consumo. O desespero do governo americano é que a maior parte do PIB (conjunto das riquezas do país) vem do setor de serviços, ou seja um bom tamanho é conseqüência do comércio. Basta que os consumidores deixem de comprar por um tempo, que isso acaba com muitas empresas e a economia já desacelera e entra em recessão. O desemprego nos EUA já está subindo, os preços dos combustíveis e alimentos aumentando... Junto com isso, a crise imobiliária faz muita gente estar devendo tudo que tem aos bancos.
O resultado ou vai ser que os bancos vão quebrar, e a economia vai afundar ainda mais, ou, para os bancos não quebrarem, o governo vai ter que salvá-los às custas de mais ataque aos trabalhadores, cortes de verba da saúde e áreas sociais.
De qualquer modo, o próximo presidente terá um abacaxi nas mãos, pois as lutas, os protestos e as marchas estão de volta para ficar, no coração do capitalismo.
- Nem Democrata nem Republicano. Os trabalhadores não têm candidatos entre os grandes partidos
- As eleições são uma farsa. Pela mudança radical na forma de representação do povo trabalhador americano
- Legalização dos imigrantes com todos os direitos. De votar e ser votados
- Pela luta direta dos trabalhadores, explorados e oprimidos, contra o avanço da repressão e fascismo nos Estados Unidos
- Pela retirada imediata do Iraque
- Pelo fechamento de todas as prisões ilegais ou legais americanas com objetivos políticos, como Guantánamo
- Pelo fim de qualquer presença militar no estrangeiro. Fechamento das bases militares
- Pela estatização do setor bancário, das grandes indústrias e empresas. Pelo controle operário desta produção
- Pela organização dos trabalhadores em seus locais de trabalho, estudo e moradia, rumo a organização nacional e de base da classe trabalhadora
- Por uma revolução socialista nos Estados Unidos
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