A Crise Mundial de Alimentos e a Luta dos Trabalhadores:
ASSIM CAMINHA O CAPITALISMO: PREÇOS ALTOS, FOME, DESEMPREGO E SALÁRIO BAIXO
A vida está cada vez mais cara! Os trabalhadores e a população pobre sofrem com o aumento do custo de vida por um lado, e pelos reajustes salariais miseráveis por outro. Todo ano sobe o preço do transporte público, do gás, do telefone e da comida, sempre acima da inflação oficial, e muito mais do que sobe o salário do trabalhador.
Para uma família pobre, os gastos com esses produtos e serviços básicos representam quase a totalidade do orçamento mensal. E, justamente nesses setores, a inflação é mais alta. Por exemplo, nos últimos 3 anos a inflação no setor alimentício foi de 180%. Qual categoria de trabalhador teve um reajuste perto disso? Nenhuma. Quer dizer, os trabalhadores estão assistindo seu dinheiro ser confiscado pelo governo e empresários através do aumento do custo de vida.
Na prática, para a maioria da sociedade, a inflação é muito maior do que os números oficiais do governo, que levam em conta os preços de todos os produtos em circulação, dos quais grande parte os trabalhadores não sentem nem o cheiro, como camarão, champanhe, caviar, TVs de plasma, etc.
Como se isso não bastasse, no Brasil, o governo Lula aumentou os juros dizendo que com isso a inflação seria controlada. Mas não é isso que está ocorrendo. O resultado é que o crediário nas lojas e os empréstimos estão mais caros, e junto disso, a inflação segue subindo. Agora, o governo aumentou o preço da gasolina e do diesel e, assim, a comida e os transportes públicos vão ficar ainda mais caros. É o trabalhador pagando o preço da crise que os empresários fizeram.
CRESCE A LUTA CONTRA A FOME NO MUNDO
O mais impressionante dentro do aumento dos preços e do custo de vida em geral tem a ver com a questão da comida. A fome é uma das piores conseqüências do capitalismo, pois impede o ser humano de garantir sua necessidade mais elementar, a de sobrevivência, além de aliená-lo mais ainda.
No início do capitalismo, quando este era um sistema em desenvolvimento, que trazia grandes progressos para a humanidade, a fome diminuiu profundamente. Porém, quando o capitalismo entra em sua época de crise e de decadência, por volta de 1900, a fome começa a crescer sem parar. Este aumento da fome acontece porque, mesmo se produzindo cada vez mais alimentos, eles ficam concentrados nas mãos de alguns poucos grandes latifundiários. A novidade do que está acontecendo agora é que fazia mais de trinta anos que populações inteiras não lutavam contra a falta de comida, como está acontecendo esse ano.
Principalmente no Haiti e em países da África e Ásia, as massas de miseráveis tomaram as ruas e promoveram gigantescas mobilizações contra os governos que defendem os grandes empresários. As lutas contra a fome se transformam em lutas políticas contra os governos. No Haiti as massas derrubaram o primeiro ministro do governo e exigem a retirada das tropas de ocupação da ONU (Minustah), liderada pelo Brasil de Lula. No mundo inteiro os enfrentamentos com as polícias dos governos provocaram prisão e mortes de milhares de pessoas.
A ANARQUIA DA ECONOMIA CAPITALISTA E O BIOCOMBUSTÍVEL
Na tentativa de culpar alguém pela crise dos alimentos, os grandes produtores de petróleo e governos como o de Hugo Chávez e Raúl Castro (sucessor de Fidel) denunciam a produção brasileira de bicombustível, dizendo que produzir combustível através de alimentos (no caso a soja) é um crime contra a humanidade.
O Movimento Revolucionário defende a utilização de fontes de energias alternativas ao petróleo, desde que isso venha junto com uma ampla reforma agrária controlada pelos trabalhadores do campo. A utilização da soja para produzir energia seria um erro caso faltasse comida no mundo. Mas não falta. Na verdade se produz mais do que é necessário para alimentar todos os habitantes da terra, segundo a própria ONU.
O problema é que os produtores de alimentos estocam, escondem, queimam ou jogam a fora os produtos quando precisam impedir que os preços despenquem. Portanto o problema não é de produção e sim de especulação e distribuição. Sempre tem comida nas prateleiras dos supermercados perdendo a validade. Mas o que interessa para a burguesia não é a necessidade da população e sim o quanto vale seus produtos no mercado financeiro.
UM PROGRAMA REVOLUCIONÁRIO DE COMBATE À FOME
E AO AUMENTO DO CUSTO DE VIDA
Enquanto as grandes riquezas estiverem nas mãos dos grandes empresários, a vida continuará mais cara e pior, e os salários continuarão uma vergonha. Para mudar esse quadro, os trabalhadores que produzem comida, tanto no campo como nas fábricas, que constroem e fazem os ônibus, trens e caminhões andarem, precisam controlar essas riquezas.
Dessa forma, toda a produção seria planejada a partir da necessidade da sociedade e não do lucro de meia dúzia de empresários. Nesse sentido, defendemos a estatização, sem indenização e sob controle dos trabalhadores, de todas as grandes empresas. A partir disso é possível avançar na construção de um governo socialista, apoiado nos organismos de luta dos trabalhadores e a serviço da maioria da sociedade. Somente um governo socialista pode romper com imperialismo, parar de pagar a dívida pública, estatizar as grandes riquezas, investir em salário, emprego, acabar com a fome e oferecer uma vida de fartura para todos.
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