Editorial
A realidade, dentro do capitalismo, se torna cada vez mais dura para aqueles que trabalham. A crise econômica mundial segue, está aumentando o custo de vida, além de crescerem o desemprego e miséria no mundo. A situação é tão grave que em diversos países, como Haiti e Egito, a população saiu às ruas para protestar contra a miséria e a fome, colocando os governos contra a parede por serem os principais responsáveis pela crise.
No Haiti, o primeiro ministro foi deposto pelas mobilizações. Essa realidade de inflação para os pobres e crise dos alimentos é o tema da contracapa do jornal.
Os governos tentam justificar das mais diversas maneiras a crise econômica e de alimentos, mas a verdade é que a culpa pela crise é do sistema econômico e do modo de produção no qual vivemos.
O capitalismo apóia-se em uma produção que, ao mesmo tempo em que é feita coletivamente, pelo suor de milhões de trabalhadores, é acumulada por apenas poucas pessoas, os donos das empresas, fábricas e bancos (chamados de meios de produção). Além disso, enquanto dentro de uma fábrica a produção segue uma disciplina quase absoluta, com horários rígidos, metas e assim por diante, como um todo a produção capitalista é uma anarquia. Se o preço da soja está alto, todos os produtores plantam soja, e falta arroz e feijão. Resultado: o feijão e o arroz ficam com os preços lá em cima para o trabalhador. Ao mesmo tempo, vai ser tanta gente vendendo soja, que o preço pode cair, levando à falência os burgueses com menos capital, e ocasionando crises de super produção, quando um produto é queimado, jogado fora ou escondido pelos empresários, para voltar a subir de preço.
Nessa gangorra, é o trabalhador quem sempre sai perdendo. Perde quando se produz menos (o preço sobe); perde quando se produz mais (sobra produto, que é escondido, há desemprego, dificuldade para consumir, conseguir crédito, etc.).
Nesta fase do desenvolvimento capitalista, onde cada vez mais as empresa de todo o mundo se fundem, formando grandes multinacionais e monopolizando cada dia mais o mercado mundial, o imperialismo, expresso nos Estados Unidos e União Européia, ganha cada vez mais força, sendo o principal responsável pela situação de crise mundial.
É preciso lutar contra o imperialismo e o capitalismo, pois só assim acabará a fome, a inflação e o desemprego. Essa discussão está contida nas páginas centrais de nosso jornal.
Em 1968, em particular no mês de maio, ocorreram lutas e mobilizações que até hoje influenciam a vida dos trabalhadores. Este tema é o artigo de nossa página 6, que conta o exemplo histórico de luta dos trabalhadores e estudantes franceses, vietnamitas, americanos e de muitas partes do mundo.
Por fim, como resposta à situação crescente de miséria no capitalismo, a luta dos trabalhadores vem se fortalecendo. Mas essa luta e resistência nem sempre consegue se expressar de maneira direta, com a classe trabalhadora em luta contra os patrões e suas instituições. Esta luta de classes, muitas vezes é distorcida e canalizada para se expressar de maneira "comportada", "ordeira" e de um jeito que pareça que está mudando, para enganar o povo descontente, mas, no fundo, mantendo tudo como está.
Foi isso que aconteceu na Bolívia com Evo Morales, Tabaré Vasquez no Uruguai, Lula no Brasil e tantos outros lideres dos trabalhadores que serviram de testas de ferro do imperialismo para desmobilizar os trabalhadores e auxiliar na manutenção do regime democrático burguês de exploração, que vivemos. É justamente nesse sentido que vem a eleição de Fernando Lugo no Paraguai, um dos países onde os trabalhadores são mais explorados e miseráveis da América Latina, retratada na página 7.
As páginas do Correio dos Trabalhadores têm exatamente a função de contribuir para o avanço da conscientização daqueles que mais sentem a necessidade de mudar de vida. Com debates políticos e com nossa organização em cada escola, local de trabalho e bairro, podemos preparar as lutas que irão pôr abaixo todas as injustiças e sofrimentos que hoje fazem parte do dia a dia do trabalhador pobre, da mulher, do negro, do homossexual, das crianças que precisam esmolar, dos idosos sem saúde, etc.
Não é mais possível ficar esperando ou acreditar nas eleições para prefeito, governador, deputados, vereadores ou presidente. Mudam os partidos e os nomes, mas a realidade é sempre a mesma. Eles são todos iguais!
Que sejamos nós, os que sofrem na pele a exploração os que vão dizer bem alto: morte ao imperialismo, pelo fim do capitalismo, e que vamos construir uma sociedade em que os trabalhadores governem e decidam seu próprio destino. Uma sociedade socialista!