Publicado em 04/05/2009

1º de maio: no mundo, milhões de trabalhadores saem às ruas para protestar!

Marchas, choques contra a polícia e manifestações anticapitalistas:  a luta de classes está cada vez mais forte

O 1º de maio, dia internacional da luta dos trabalhadores, foi mais um dia marcado por grandes protestos no mundo todo. Milhões de pessoas saíram as ruas para mostrar seu descontentamento com a realidade em que vivem, especialmente depois da crise econômica. As principais manifestações ocorreram na Europa, com inúmeros enfrentamentos com a polícia.

Milhões de trabalhadores protestaram contra as demissões e as medidas dos governos que, diante da crise capitalista, vêm salvando os burgueses com bilhões de dólares e euros, e colocando a crise nas costas dos trabalhadores. Com o índice de desemprego se aproximando dos 20% na Espanha (mais de 4 milhões de pessoas), e batendo recordes na Inglaterra, Irlanda, Alemanha e outros tantos países, o já tradicional dia de protestos do 1º maio se converteu num verdadeiro “dia de fúria” contra o capitalismo, incluindo estes países acima.

Em países como a Grécia e a Coréia do Sul ocorreram lutas importantes, assim como houve demonstrações e protestos em quase todas as partes do planeta. Em Istambul, na Turquia, houve conflito físico entre trabalhadores e policiais, causando mais de 50 pessoas presas.

Na França, onde já foram realizadas duas greves gerais nos últimos meses, mais de um milhão e duzentas mil pessoas saíram às ruas gritando palavras de ordem como “mais emprego justo” e “a crise são eles; a solução, nós”. Na França, depois da crise, mais de 2,5 milhões de pessoas estão desempregadas.  

A insatisfação já não se resume ao voto

Depois de uma primeira onda de insatisfação com o conjunto dos governos mundo afora, inclusive nos Estados Unidos e Europa, além de América latina e Ásia, em que dezenas de governos foram alvos de protestos, mas, ao final, as mobilizações populares se direcionaram a eleger candidatos da oposição nas eleições, os trabalhadores estão  despejando toda sua indignação com a realidade em que vivem nas lutas. 

O capitalismo  em decadência, através de suas crises cíclicas  e cada vez mais profundas e sem solução, transfere todos os prejuízos que a burguesia  tem contra os trabalhadores, a fim de garantir seus lucros. Direitos são flexibilizados, e se multiplica a chantagem de que “ou você aceita diminuir o seu salário ou vou te despedir”,  sempre com respaldo dos governos. Esta política tem como objetivo fragmentar a luta dos trabalhadores e jogar uns contra os outros. O propósito é tentar apelar para o desespero econômico e para a saída individual, de um trabalhador se dispor a tudo para salvar seu emprego, enquanto os colegas são despedidos, num concurso de quem aceita se degradar mais.

O mais preocupante para os capitalistas é justamente que essa intenção não está se confirmando na prática. Pior ainda é que as maiores lutas estão ocorrendo em países  imperialista como França,  Inglaterra  e  Alemanha. A existência de grandes lutas ( e não da via de mão única da eleição, que não muda nada), e exatamente no coração do capitalismo, onde estão as sedes de suas grandes empresas, acende a luz de perigo para a burguesia mundial. Um único elo que se rompa nessa corrente e em que o capitalismo seja derrubado, junto com suas instituições e governos, pode derrubar todos os outros, num efeito dominó, dado a integração dos negócios internacionalmente.  

Esses países por algum tempo conseguiram acalmar os ânimos de seus trabalhadores superexplorando os trabalhadores  dos países pobres (semicoloniais), mas a crise capitalista é tão grande que os governos imperialistas são obrigados a explorar também os seus próprios trabalhadores.  Os governos sabem do risco que correm com essa mudança no tratamento a seus operários, mas não podem evitar esse perigo. É dessa nova realidade, e dos choques que serão provocados por ela que se determinará o novo período histórico. As lutas radicalizadas neste 1o de Maio são apenas uma demonstração do que pode vir.

A dúvida sobre o "que fazer"?

Um primeiro grande passo está sendo dado pela classe trabalhadora mundial: ultrapassar as fronteiras da legalidade e parlamentares e extravasar o repúdio à situação econômico por meio de lutas. No entanto, ainda há muita confusão sobre qual caminho a seguir. Qual o programa e as bandeiras que podem garantir a melhora do nível de vida?

O socialismo, neste sentido, volta a ser mencionado com muita força . Isso porque, em 1989, com a queda do muro de Berlim, começou o processo que desintegrou a ex-União Soviética, culminado no seu fim em 1991. Neste processo,  a direita e os capitalistas em geral, além dos representantes oportunistas e reformistas dos trabalhadores, correram aos jornais, universidades e TVs para alardear que o "socialismo morreu". 

Essa foi a "senha" para a burguesia criar uma outra forma, para implementar o mesmo conteúdo de antes,  chamada de neoliberalismo. Essa tese se caracterizava pela redução do peso do Estado na economia, e pela desassistência aos trabalhadores em todos os ramos (Previdência, saúde, segurança, educação...). Quer dizer, quem tivesse dinheiro, que pagasse por esses serviços; quem não tivesse que ficasse no desespero, e ainda  que o mercado se autorregularia sem precisar da intervenção do Estado.   

Mas 20 anos depois da queda do muro,tudo isso foi por água abaixo,a burguesia agora implora para o Estado socorrê-la,  com  várias estatizações sendo feitas pelos governos burgueses . A prova dos fatos desmoralizou o neoliberalismo e retoma a discussão sobre a necessidade do socialismo.

Os trabalhadores do mundo todo não tem mais nada a ganhar com o capitalismo,  que periodicamente aumenta  a  miséria,   fome,   desempregos  e as guerras . A única saída para os explorados é multiplicar as greves  e protestos,  fazendo com que 1o de Maio seja todo dia, paralisando a produção, atacando as instituições capitalistas e construindo, pela base, organismos que reúnem os trabalhadores por bairro e local de trabalho a fim de preparar a luta pela tomada do poder através de uma revolução.

 

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