Publicada em 12/11/2009

20 anos Da queda do muro de Berlim

Cerca de 100 mil pessoas estiveram presentes nos portões de
Brandeburgo, um dos símbolos da queda do muro, para comemorar os 20
anos de um dos fatos mais marcantes do século XX. Foi organizada uma
grande festa popular, para "celebrar" este feito. Entretanto, hoje essa festa foi financiada pela burguesia, que se aproveitou da burocratização de um estado operário para declarar a morte do socialismo.

 
Independente da propaganda burguesa, o fato é que ao derrubar o muro de Berlim os trabalhadores lutavam contra a traição de suas direções, que aos poucos já vinham restaurando o capitalismo.

  O muro que não dividiu só um país, mas o mundo todo

Foi em uma manhã de sábado, dia 13 de agosto de 1961, onde várias
pessoas que moravam perto das fronteiras entre a Alemanha socialista e
a capitalista acordaram com ruídos e uma surpresa: vários
trabalhadores sob a mira de metralhadoras levantando um muro. A
Alemanha, após a derrota da II Guerra Mundial, foi partilhada. De um lado, ficaram as potências capitalistas:
EUA, Grã-Bretanha e França, que influenciavam a República Federativa Alemã.
E do outro, a grande potência operária, a União Soviética, influenciando a RDA –
República Democrática Alemã. A "Alemanha" tornava-se assim o lugar
onde a contradição política, ideológica, e econômica tornaria-se mais
latente. Dois projetos políticos dividindo o que, antes, era um país só. Durante muito tempo, mesmo o território tendo divisas bem demarcadas, não
houve muro algum, e com isso várias pessoas passavam de um lado para
outro, buscando novas oportunidades. Por existir toda uma
disputa ideológica, o imperialismo enviou muitas remessas de dinheiro
para melhorar a condição de vida da Alemanha ocidental, para
justamente atrair cada vez mais trabalhadores do lado oriental para
seu território. Enquanto do outro lado, o processo de reconstrução do
país, ainda destroçado pela guerra, foi mais lento, contribuindo também para isso os
trabalhadores que fugiam do autoritarismo imposto pela burocracia alemã.
Para se ter idéia da insatisfação que setores massivos tinham,
somente no ano de 1953, marcado por grandes levantes do lado oriental contra a
separação da Alemanha, 331 mil pessoas deixaram a
RDA. Diante desse enorme contingente de pessoas que atravessavam as
divisas, os estalinistas alemães começaram a cercar a cidade e o
restante do país com arames farpados.

No dia 15 de junho de 1961, praticamente 1 mês antes do levantamento
do muro, Walther Ulbricht -o governante da RDA-, quando questionado
sobre os muros de arame farpado, responde com naturalidade e cinismo à imprensa
internacional: “Ninguém tem a intenção de construir um muro”. E assim a burocracia stalinista conduzia suas polêmicas e executava suas políticas.
O muro existiu durante 29 anos, mas assim como as medidas do
"socialismo em um só país", acabaram por ruir. Após a Perestróika e a
Glasnost proposto por Nikita Krushev em 1985 na URSS, as bases dos
países operários começaram a se destruir, e gradualmente a economia
capitalista começa a consolidar-se dentro desses países. Esse
processo não se deu de forma igual em todas as nações, mas como efeito
dominó. As políticas estalinistas, ao manterem uma economia sem a burguesia, fazendo com que o lucro
de tudo que fosse produzido voltasse pra própria sociedade, garantiam
uma certa qualidade de vida para os trabalhadores. Porém, a existência
de uma camarilha dirigente, que gozava de maiores poderes que o
restante da população, e ainda por cima submetiam essas mesmas pessoas
a um regime autoritário e repressor, solapando todos os direitos
democráticos, acabaram por destruir as conquistas dos Estados operários.

Assim, entendemos a queda do muro de Berlim, assim como o fim do
estalinismo, como uma vitória dos trabalhadores contra a falta
de democracia  e a restauração do capitalismo impostos pela burocracia. Tanto os trabalhadores alemães
reivindicavam isso que um dos primeiros prédios a serem invadidos logo
após a queda do muro foi o da Stasi, a polícia secreta. A queda do muro representa
o fim de um ciclo histórico onde todas as lutas e organizações dos
trabalhadores acabavam voltando-se para a URSS. Com o fim de um dos
maiores aparatos contra as mobilizações da classe trabalhadora, todo o
sistema de repressão que os regimes autoritários implantados nos
estados operários burocratizados. A partir desse momento as lutas
poderão acontecer sem a interferência dessas organizações tanto nos
próprios países, agora ex- estados operários, quanto no restante do
mundo.

A queda do muro representa o início da luta pelo verdadeiro socialismo!

Os países imperialistas se aproveitando desse movimento dos
trabalhadores de lutar por direitos democráticos básicos, como livre
manifestação e organização, aproveitara para difundir a idéia de que o
socialismo havia morrido, e o capitalismo era o único sistema viável.
Mas aos olhos de trabalhadores que sofreram as penalidades
recentemente de uma das maiores crises que o capitalismo vivenciou se
demonstra a necessidade de um projeto político diferente, mais justo,
mais igualitário, ou seja, o socialismo, que exige de forma intrínseca
a democracia para que a classe trabalhadora, e que a partir de seus
próprios organismos governem seu destino. Fica aparente que não
existiu dentro dos países do leste europeu o socialismo e muito menos
o comunismo (forma de sociedade onde não existe governo algum). Mas
sim o que existiu fora a ditadura do proletariado, porém
burocratizada. Como corrente trotskista que somos, reivindicamos todas
as conquistas conseguidas com os processos revolucionários do início
do século XX, o fim da burguesia, por exemplo. Porém entendemos e a
realidade demonstra que não existem “ilhas socialistas”, ou seja, a
teoria do socialismo num só país cai por terra, já que o capitalismo
impõe uma divisão internacional do trabalho, o que significa que
existe uma divisão de como explorar os proletários. Dessa maneira o
socialismo só triunfa quando a burguesia cai quanto classe
internacional.

Argumentos não faltam para demonstrar o quanto é necessário acabar com
o capitalismo buscando uma sociedade socialista, sem cometer os erros
que ocorreram. Mas mesmo com o muro de Berlim tendo caído existem
muitos muros que a classe trabalhadora deve continuar derrubando com
suas lutas; Os mesmos que constroem esses muros ideológicos, também
constroem muros de tijolos e ferro, tão nefastos ou até piores que o
muro de Berlim. Como é o caso do muro que separa Israel da
Cisjordânia, onde israelenses invadiram território palestino e
cercaram terras que já haviam dono. E há ainda mais um muro que o
capitalismo construiu, o que separa o México dos EUA. Estima-se que
tentando atravessar o muro de Berlim cerca de 125 pessoas morreram,
isso em 29 anos. Em 15 anos da existência do muro que separa os países
americanos já morreram mais de 5 mil pessoas! Os capitalistas são
especialistas em construir muros para dividir a classe, e acabar com
vidas. Por isso nessa comemoração dos 20 anos da queda do muro de
Berlim fica claro que os tijolos podem ter caído mas a vontade de
construir o socialismo não morreu.

 

 
 
 
 
 
 
 
 

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