Imperialismo aumenta contingente no Afeganistão
Já está confirmado e agora só resta esperar o desembarque: o imperialismo aumentará o contingente de soldados no Afeganistão.
Os Estados Unidos choramingaram e pediram ajuda aos europeus para reforçar a ofensiva que já dura oito anos, sem ter obtido qualquer sucesso.
Só dos Estados Unidos sairão mais trinta mil soldados. A OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) definiu o envio de sete mil soldados. A Coréia do Sul, capacho assíduo dos norte-americanos, juntou-se à missão e comprometeu-se com trezentos soldados.
O comprometimento dos europeus ficou, principalmente, com o treinamento do exército afegão para, num futuro muito distante, assumirem, por conta própria, a segurança de seu país.
Diante do aumento da ofensiva, o presidente Barack Obama estabeleceu um novo prazo para o início da retirada das tropas: daqui a dezoito meses.
O presidente afegão, Hamid Karzai, está confiante no apoio do imperialismo: "Esperamos que a comunidade internacional e os Estados Unidos, como nosso mais importante aliado, ajudem o Afeganistão a manter uma força", disse ele após encontro com o secretário de Defesa americano, Robert Gates, em visita a Cabul.
Observações
Obama, quando eleito, foi muito criticado por seus adversários por não ter um programa de governo claro e objetivo. Mas se há um ponto que foi colocado por ele em seu programa foi a retirada, o mais rápido possível, das tropas da região. Logo, a mudança na sua política deve-se a vários fatores, mas o fiasco dos Estados Unidos nessa guerra e a sua necessidade de reverterem a crise econômica podem ser colocados como preponderantes.
Obama sentia o desejo da população norte-americana em acabar com a guerra -derrotada, até então-. Mas como finalizar a guerra, que supostamente iniciou para capturar Osama Bin Laden, sem Bin Laden e com um saldo de, só em 2009, 486 soldados mortos, sendo 300 deles norte-americanos?
Além disso, os gastos do governo na guerra estão sendo astronômicos. É preciso reverter isso e retirar algum lucro, para não sair ainda mais no prejuízo. Pelo menos, esse é o pensamento do governo norte-americano.
Entretanto, Obama sabe que essa mudança política terá um custo. E os governantes europeus também sabem disso. Mas como Obama está em início de mandato, tem uma tranqüilidade eleitoral maior.
Tanto Espanha como França e Alemanha hesitaram em enviar mais soldados, e somente cederam diante da justificativa de serem uma contribuição no treinamento das forças locais. Evidente que o receio da comunidade européia se dá, principalmente, pelas contestações da população à ocupação do Oriente Médio.
Já Karzai parece ser o presidente menos “sensível” ao seu eleitorado. Enquanto a população afegã escurraça o imperialismo, ele declara o desejo de contar com a presença dos invasores. O que é isso? Mas é claro que, diante da barbárie vivida no Afeganistão e na guerra civil aberta em processo eleitoral -claramente fraudado-, ele não tem preocupação em se reeleger ou eleger um aliado: há lugares onde a democracia burguesa consegue ser ainda mais ditatorial, violenta e instável.
Salve a resistência afegã, para expulsar o imperialismo e o seu governo fantoche.
VOLTAR