Ex-presidente francês Jacques Chirac é condenado por corrupção
O ex-presidente francês Jacques Chirac foi condenado, após ter governado a França ao longo de intermináveis 14 anos, a dois anos de prisão, por ter montado um esquema de empregos-fantasmas criados na prefeitura de Paris no início dos anos 1990, quando era prefeito da capital francesa.
O ex-chefe de Estado, considerado um ícone da direita europeia, e estrela da política neoliberal dos anos 90 e 2000, após se eleger ao final dos mandatos do Partido Socialista de François Miterrand, foi declarado culpado por "desvio de fundos públicos, abuso de confiança e aquisição ilícita de interesses".
Ele é o primeiro presidente francês condenado por um tribunal correcional. No entanto, ao mesmo tempo em que foi impossível não condenar Chirac, a partir de farta comprovação de sua corrupção, o julgamento com quase 20 anos de atraso é prova do caráter de classe da Justiça burguesa em qualquer país, com punições severas e rápidas contra os pobres e trabalhadores, mas extremamente lenta e tolerante com os poderosos. No caso do ladrão Chirac, sua pena de 2 anos foi definida com suspensão condicional. Ou seja, está condenado, mas ficará em liberdade!
Para nós que vivemos no Brasil, onde Collor, Sarney, FHC e Lula roubaram e deixaram roubar à vontade e nunca sequer foram ameaçados com processos que fossem adiante, e onde nem Malluf nem os mensaleiros, sejam do PT, PSDB ou DEM, são punidos, a condenação de Chirac é uma grande decisão. Mas a condenação (ainda mais sem prisão efetiva) de um grande corrupto, lamentavelmente, não acaba e nem mesmo diminui a corrupção.
O roubo de dinheiro público é endêmico e incontrolável no capitalismo, onde também as leis, o orçamento e as decisões de governo são tomadas em função de interesses particulares. “Meter a mão” diretamente em boladas de dinheiro não é nada mais que um passo adiante disto tudo.
No caso de Chirac, os empregos fantasmas foram remunerados pela prefeitura de Paris entre 1990 e 1995, quando Chirac era prefeito e presidente do partido RPR e, além disso, preparava a candidatura às eleições presidenciais de maio de 1995. O dinheiro público da capital francesa teria sido desviado para seu partido e suas ambições eleitorais. Algo que segue ocorrendo, na França, no Brasil e onde mais haja dinheiro público e governos burgueses.
Um desses rumorosos casos envolve outro ícone europeu, mas desta vez da chamada “esquerda”, o ex-primeiro ministro português José Sócrates, do Partido Socialista. Lá, como aqui, “em eleição, direita e esquerda viram todos mensalão”.
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