Dubai em crise!

A crise chega até mesmo onde o crescimento parece não ter fim.

       

        Dubai, um dos sete emirados que formam os Emirados Árabes Unidos, recentemente anunciou que pretendia adiar em seis meses o pagamento de US$ 59 bilhões da empresa estatal Dubai World, responsável por suas maiores obras.

        Famosa por seus suntuosos arranha-céus e por seus hotéis de luxo era visto como um paraíso em meio ao deserto, a cidade mais parecia um canteiro de obras, investindo pesado, mesmo durante a crise.

        Durante a crise econômica, em 2008, quando a maioria dos países e suas maiores empresas anuciavam corte de gastos, fechamento de postos de trabalho e muitas fusões para tentar diminuir  o impacto da crise; Dubai andava na contramão, anunciando mais investimentos e até mesmo a construção do prédio mais alto do mundo e de três ilhas em formato de palmeira.

A cidade-estado está pagando o preço de um modelo econômico exibicionista e artificial, baseado em  investimentos estrangeiros para tentar alavancar a cidade como um pólo turístico e comercial.

        Com a crise, o preço dos imóveis tiveram uma queda de quase 50%, e, para manter o nível dos investimentos, usaram todas as suas reservas, o mesmo que ocorreu em vários outros países desenvolvidos. Diversos governantes subestimaram a crise econômica, até mesmo Lula disse que a crise iria chegar como uma marolinha no Brasil, e o nosso país entrou em recessão. Em Dubai não foi diferente, e agora cortam as despesas públicas para tapar o rombo que foi aberto com a crise.

 

A outra face de Dubai

 

        A outra realidade de Dubai,aquela que não é noticiada pela imprensa burguesa, aquela que fica escondida atrás dos arranha-céus é a da super exploração dos trabalhadores,que em sua maioria são imigrantes de vários países, principalmente da Índia e de Bangladesh. Esses trabalhadores pagam a agencias que lhes prometem bons salários para trabalhar na contrução civil e em outros setores que exigem pouca qualificação. Porém, quando chegam lá, se deparam com uma realidade muito mais dura:  salários até seis vezes menores do que lhes fora prometido, cuja jornada de trabalho dura cerca de 14 horas, sem direito algum, e impedidos de lutar por melhorias na sua condição de vida. Quando recorrem à luta, como em 2007, em que trabalhadores da construção civil paralisaram suas atividades, são violentamente reprimido pela polícia.

        Ainda por cima, ficam impedidos de saírem dessa realidade, já que, quando chegam, têm seus passaportes confiscados, e, já endividados, não têm outra alternativa a não ser se submeter a um regime de semi-escravidão, para tentar juntar algum dinheiro para voltarem para suas casas. É dessa maneira que o capitalismo consegue manter seus impérios, à base do imperialismo, que invade outros países para roubar as riquezas, e da superexploração de trabalhadores, como os imigrantes de Dubai, os mexicanos nos EUA e tantos outros precarizados, que se multiplicam.

 

 

 

 

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