Reunião do G20: imperialismo sem saber o que fazer para evitar a crise
O G20 -grupo das 20 principais economias do mundo- realizou seu último encontro em Seul, Coréia do Sul, nos dias 11 e 12 de novembro. Os chefes de Estado das maiores economias mundiais (que juntas somam 90% de toda a riqueza do mundo) reuniram-se num momento em que a crise econômica demonstra não ter acabado ainda. Inclusive a cada medida que os governos mais atingidos assumem, a crise aumenta, passando de crise econômica à crise também política.
Além da crise que se arrasta, a chamada “guerra cambial” foi um dos principais temas discutidos no encontro, principalmente após a iniciativa dos EUA de lançar US$ 600 bilhões no mercado do país, desvalorizando o dólar e valorizando as moedas locais.
A ideia inicial do encontro era buscar uma política de câmbio consensual, já que a medida adotada unilateralmente pelo governo norte americano -visando recuperar somente a economia nacional- prejudica o conjunto dos outros países, aprofundando a crise mundial.
Incapacidade de solucionar os problemas do capitalismo
O imperialismo é incapaz de encontrar resposta para todos esses problemas. O G20, na prática, não serviu para nada, já que os países imperialistas seguirão tocando suas políticas monetárias e cambiais como bem entenderem.
Os encaminhamentos foram totalmente abstratos, sem qualquer medida concreta. As decisões, anunciadas num texto intitulado “Plano de Ação de Seul”, afirmam que os países devem buscar um "sistema de taxas de câmbio mais determinado pelo mercado". Mas esse já era o óbvio antes da reunião! Ninguém precisava ir até à Coréia do Sul para discutir isso! A questão é o que fazer com quem descumpre a orientação! Na prática, a ordem segue sendo “cada um por si” (a única lei verdadeira que rege o capitalismo) demonstrando que os EUA não precisarão mudar sua política cambial, arrastando o resto do mundo inteiro, principalmente as economias mais pobres, para a crise.
O encontro ainda sancionou o “Pacto de Basiléia III”, série de medidas que regulamentam o sistema bancário mundial, porém sem determinar uma data para sua implementação. No que depender da iniciativa dos banqueiros, só entrará em vigor, parcial e gradualmente, a partir de 2013. Até lá, estarão valendo as mesmas regras que permitiram aos banqueiros e especuladores a criação das “bolhas”.
Maior poder para os subdesenvolvidos? Não: é o imperialismo preocupado com seus negócios nos países pobres!
O encontro em Seul apoiou as reformas do FMI que dão mais peso às economias subdesenvolvidas, como Brasil e índia. Esta iniciativa, longe de ser uma “conquista”, só demonstra a preocupação do imperialismo com as economias proporcionalmente menos afetadas com a crise e que, atualmente, garantem os lucros das multinacionais instaladas.
O capitalismo cava seu próprio túmulo. E os coveiros acabaram de se reunir
O capitalismo é incapaz de solucionar suas crises e contradições. O G20 é mais uma demonstração, pois mesmo percebendo o rumo fracassado que suas medidas estão tendo, não tem a capacidade de reverter a situação.
Para promover mudanças, por mínimas que fossem, seria necessário contrariar os interesses de grandes grupos empresariais desses países, grupos esses que são responsáveis pela estabilidade dos governos que lá estavam debatendo.
O capitalismo está em um novo ciclo de retirada de direitos e piora considerável na qualidade de vida dos trabalhadores, tudo para tentar manter as astronômicas taxas de lucro da burguesia.
Os governos estão pressionados. De um lado, devem aplicar os projetos que lhes beneficiem enquanto classe burguesa. Mas de outro, tentam amenizar o máximo possível o impacto sofrido pelos trabalhadores diante desses ataques. Tudo para evitar a instabilidade política que ameaça os planos traçados pela classe dominante, inclusive correndo o risco de perder o controle de países importantes para a estabilidade do capitalismo.
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