Militares promovem chacina pública na Guiné
Os últimos dias de setembro renderam chocantes imagens ao mundo.
Na República da Guiné, país a oeste do continente africano, uma multidão de 50 mil pessoas foi alvejada a tiros pelo exército do governo, que tentava assim dispersar uma manifestação. O resultado foi de 157 mortes e mais de mil feridos.
A multidão protestava contra o atual governo do país, comandado pelo capitão Moussa Dadis Camara. Ele assumiu a Guiné em dezembro do ano passado, quando da morte do ditador Lasana Conté -que governou o país por 24 anos-. Ali se instalou uma junta militar que, através de um golpe, empossou Camara.
Desde que deixou de ser colônia da França, em 1958, o país africano jamais teve estabilidade política ou uma democracia -do ponto de vista burguês- consolidada.
O massacre promovido pelos militares teve repercussão internacional e gerou protestos e críticas por todas as partes. A França, que mantinha um acordo de “cooperação militar” com sua ex-colônia, cancelou a parceria depois da chacina.
Governos ditatoriais, corruptos e sanguinários são extremamente comuns no continente africano desde o processo de independência no continente. Para não perderem o total controle sobre suas colônias, as potências européias investiram em governos “nativos” -para darem um ar de legitimidade à independência-, mas aliados e fantoches. Assim, parte do caos instaurado no continente africano está diretamente ligado aos resquícios do imperialismo.
Já a outra parte também está, mas talvez de modo mais disfarçado. Isso porque o imperialismo tem interesses econômicos fortíssimos nesse continente. Apoiando-se no modo de vida quase que tribal de muitos habitantes e no total descontrole sobre a produção, empresários europeus exploram recursos naturais com mão-de-obra semi-escrava, o que lhes rende um lucro gigantesco. A Guiné, por exemplo, é a maior exportadora de bauxita do mundo, porém, é também um dos 15 países mais pobres do mundo.
Assim, defendemos que as manifestações continuem e se fortaleçam, apesar da repressão, pois essa é a única forma de mudar o governo e a realidade de opressão e exploração. Porém, sabemos que as críticas vindas da “comunidade internacional” não passam de “palavras ao vento”, pois esses críticos, além de contribuírem para essa situação, não moverão uma palha sequer para ajudar os explorados e oprimidos da Guiné.
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