Movimento Revolucionário faz atividade com argentino que lutou na revolução líbia
Na cidade de Buenos Aires, Argentina, ocorreu uma importante atividade de apoio às massas líbias, que tomaram Trípoli, derrubaram Kadafi e justiçaram este ditador. O ato de solidariedade efetiva se deu em um auditório completamente lotado da Faculdade de Filosofia e Letras, da Universidade de Buenos Aires, e foi palco do lançamento de um Comitê Internacional de Solidariedade e Apoio às Massas Insurrectas Líbias.
Neste momento, tal iniciativa tem uma relevância ainda maior, pois a população que fez a revolução, em especial a da população de Misrata, cidade mais radicalizada em que os conselhos populares mais se desenvolveram, está sob a ameaça de ver sua revolução confinada à derrubada de Kadafi, por conta de uma política colaboracionista do intitulado novo governo do Conselho Nacional de Transição (CNT) em relação ao imperialismo.
As milícias populares, que cumpriram um papel de duplo poder na Líbia e que eram compostas pela classe proletária líbia (petroleiros, operários da construção, professores, caminhoneiros, etc.) e amplos setores populares, representaram o verdadeiro elemento da derrubada de Kadafi. Mas, agora, o CNT tenta desarmar as milícias e impor um governo submisso aos interesses da França e Estados Unidos.
Os milicianos de Misrata, entre eles o argentino Emanuel Piagesi, foram responsáveis pela maior contribuição e firmeza no cerco e ingresso em Trípoli, e, depois, do cerco e justiçamento de Kadafi. E, por isso, o CNT e o imperialismo querem castigar os que executaram Kadafi em nome e para júbilo da revolução. Para defender os revolucionários, impedir que se desarmem as massas e propor a continuidade da revolução, para que os trabalhadores governem a Líbia através de seus organismos, é que Emanuel (chamado de Yussef na Líbia) e o Comitê Internacional se mobilizaram.
A atividade foi um grande sucesso, não apenas por colocar o tema da defesa da revolução líbia sob a necessidade de defender as massas armadas, mas por ter uma perspectiva de ação neste sentido. Foi definido que haverá uma jornada internacional de lutas em torno da revolução, em que atos deverão ser realizados em inúmeros países; e deve-se ter ações diretamente na Líbia.
Yussef deixou claro em sua fala, muito consciente e com uma avaliação com a qual os revolucionários marxistas têm pleno acordo, que o CNT tenta se apropriar da vitória contra a ditadura, desarmando o povo e entregando a riqueza ao imperialismo. Falou de como o “exército” popular foi se formando à medida que lutava e expropriava arsenais da ditadura. De como soldados desertavam e aderiam à revolução, ajudando na instrução e luta em comum; e de como seus generais e colaboradores de Kadafi foram justiçados pelas armas agora na mão do povo. Também relatou como as milícias se tornaram este braço armado da classe trabalhadora, e da colaboração e atividade em comum entre a vanguarda do front de guerra e sua retaguarda, através de um papel destacado das mulheres, por exemplo, e do funcionamento das comunicações, do controle dos hospitais, da alimentação, etc.
As organizações organizadoras do debate foram a CS argentina, o Movimento Revolucionário, a Democracia Obrera, o grupo Asambleas del Pueblo, o TORRE, dirigentes da comissão interna do frigorífico Paty e o Movimento de Costureiros Bolivianos.
E o Movimento Revolucionário, que junto com a Convergência Socialista da Argentina forma a Corrente Revolucionária Internacional (CRI), se coloca como parte desse esforço internacional, e denuncia a lamentável omissão das demais correntes de esquerda, que foram incapazes de jogar qualquer papel durante a revolução até agora e que simplesmente abandonaram os milicianos, na prática e também politicamente, à medida que agem como meros espectadores de uma revolução ainda em curso.
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