Revolução no Egito tem mais confrontos. Movimento Revolucionário se prepara para chegar ao país!
Após jornadas gloriosas de luta que derrubaram tanto o ditador Mubarak como os representantes da junta militar que assumiu o governo logo depois, os trabalhadores do Egito prosseguem sua marcha revolucionária, outra vez ocupando a Praça Tahir e mais uma vez sendo baleados, mortos e oprimidos, tendo frustradas todas as promessas que lhes foram feitas. Outra vez, porém, as massas egípcias reagem e exigem a queda de mais um governo, a nova versão do governo militar, que muda algumas caras mas mantém o mesmo autoritarismo criminoso e assassino ainda dos tempos de Mubarak.
Nestes dias de dezembro, enquanto no ocidente muitos se preparam para festejar o Natal e praticamente o mundo todo vislumbra as comemorações do ano-novo, os heroicos revolucionários do Egito se enfrentam contra bandidos de uniforme militar, que tentam barrar as conquistas que as ruas tomadas clamam como urgentes: salário, emprego, democracia, liberdade de expressão e organização, independência nacional, direitos às mulheres, etc.
A TV estatal, a mando da junta militar, alardeia um “plano” para derrubar o governo e mostra imagens de agressões a policiais e militares, numa tentativa grotesca de colocar os assassinos como vítimas. Em apenas 4 dias de violência, 13 manifestantes foram mortos, e se somam às centenas de mártires das outras duas ondas revolucionárias de um processo que vem desde o início de 2011.
A violência começou por parte de soldados que tentaram dispersar um acampamento do lado de fora da sede do governo. Durante a noite, policiais e soldados usaram cassetetes e gás lacrimogêneo para expulsar os manifestantes da praça Tahrir, epicentro dos protestos que em fevereiro derrubaram o governo de Hosni Mubarak. Repetindo Muamar Kadafi, justiçado pelas balas do povo em armas na Líbia, que um dia disse que a revolução era obra de “jovens drogados e que escutam rock”, o major Adel Emara, integrante da junta militar que governa o Egito, fez um pronunciamento na TV no qual acusou os manifestantes de usar "meninos de rua, viciados em drogas e desaparecidos" no confronto com o Exército. Um exemplo claro de um governo sênil, que já não governa mais nada nas ruas e que sobrevive baseado na força e na colaboração dos oportunistas dos partidos eleitoreiros, especialmente os islâmicos que recém ganharam as eleições parlamentares.
Os crimes da junta militar contra o povo chegaram ao ponto de estarem sendo construídos dois enormes muros em pleno centro do Cairo, para afastar a população dos prédios do governo. Um deles foi erguido na rua Sheikh Rihan com o objetivo de impedir a expansão dos distúrbios, um dia depois da construção de outro muro na rua Qasr al Aini, onde aconteceram os maiores incidentes até então.
Nessas duas ruas, próximas à praça Tahrir, estão localizados vários prédios governamentais, como as sedes do Conselho de Ministros e das duas câmaras do Parlamento egípcio, além do Ministério do Interior e de Saúde, entre outros. A medida desesperada mostra que o governo não consegue mais impedir as manifestações e busca, agora, apenas ficar mais distante delas.
Os trabalhadores do Egito dão um exemplo de luta ao mundo inteiro e os revolucionários devem colocar todos seus esforços para fazer avançar este processo. Por isso, o Movimento Revolucionário estará presente no Egito em poucos dias, para acompanhar, fazer parte e dar apoio prático à revolução que avança nas ruas, nas praças, nas fábricas, nas escolas e nas trincheiras do Egito inteiro. Essa revolução é nossa também, dos explorados do mundo todo. Vamos juntos militar para que ela triunfe!
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