Publicado em 11/12/2010

Monarquia sueca e nazismo

        Um programa de rede sueca obteve documentos que comprovam que o pai da rainha da Suécia, Walther Sommerlath, era filiado ao nazismo e fez parte inclusive do "esforço de guerra" de Hitler, como fabricante de armamentos nazistas na Segunda Guerra.

        A Família Real sueca sabia do passado nazista do pai da rainha, mas vinha tentando esconder o fato. O documentário de TV sueco Kalla Fakta (Fatos Frios) mostrou o falecido pai da rainha como um membro do antigo partido nazista que enriqueceu durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) com uma fábrica de armamentos, tomada de donos judeus.

        A rainha, muito elogiada nos meios de comunicação de variedades, em especial do Brasil, por ela ser brasileira naturalizada, teve o descaramento dedizer que seu pai não foi “politicamente ativo” e que a fábrica que ele comandava produzia trens de brinquedos, secadores de cabelo e partes de máscaras de gás utilizadas por civis. Ela também negou que seu pai havia tomado o controle da fábrica de donos judeus. Agora, a mentira foi desmascarada.

        Documentos obtidos pelo Kalla Fakta em Berlim e na América do Sul mostram que Sommerlath integrava o partido nazista no Brasil em 1934, apenas um ano depois de Hitler tomar o poder na Alemanha. Eles mostram também que o pai da rainha retornou à Alemanha em 1939, pouco depois do início da Segunda Guerra, e apropriou-se de uma indústria que foi reapropriada pelos nazistas. Sob a gestão de Sommerlath, a fábrica começou a produzir peças de tanques de guerra, armamentos antiaéreos e outros itens que foram vitais para os nazistas durante a Segunda Guerra.

        Quando a hoje rainha Silvia casou-se com o rei Carl Gustav em 1976, a história já era conhecida da família real, mas isto sempre foi relevado e abafado. O que explica este descaso com a inclusão de nazistas em sua dinastia, é que a monarquia sueca, sustentada por uma ideologia de privilégios de berço e de parasitismo social às custas dos trabalhadores, sempre nutriu um grande apreço pelo nazismo.

        A aliança informal com o nazismo veio desde o início, e a família nazista que passou a ser membro desta mesma coroa sueca nada mais prova que a grande proximidade entre os diferentes regimes burgueses, mas sob o mesmo Estado capitalista. A monarquia é uma excrescência que corresponde a um modo de produção menos desenvolvido e pré-capitalista, mas que foi incorporado e hoje convive com as demais instituições burguesas. Da mesma forma, o nazismo é uma expressão de uma saída desesperada e extrema da burguesia em massacrar os trabalhadores.

        A Suécia, longe de representar uma aliança absurda, revela apenas mais um dos inúmeros exemplos da relação promíscua entre os nazistas e o conjunto de poderosos existentes na época e até os dias de hoje.

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