Publicada em 20/11/2009

O pior passou para os exploradores.

Mas para a classe trabalhadora a crise ainda está longe do fim!

 “Agora o pior já passou”! Essa frase fica incessantemente sendo repetida nos meios de comunicação por economistas, políticos, e principalmente por Lula: dizem que o pior da crise passou e agora a economia já demonstra um crescimento.

Os economistas estão comemorando o fim da recessão também na Europa. Dados divulgados recentemente demonstram que o PIB da Zona do Euro (bloco formado por 15 países) aumentou nesse segundo trimestre, fazendo com que, oficialmente, a economia saia da recessão. Isso aconteceu graças a um crescimento do 0,4% do PIB na região!

O “fim” da recessão foi puxado graças ao crescimento das principais economias européias. França, com um crescimento de 0,3%, e Alemanha, 0,7% (índices que não recuperam absolutamente nada do que foi perdido). Mas a verdade é que para os trabalhadores isso tudo não passa de conversa fiada! Vários países que compõe a União Européia continuam tendo PIB´s negativos: Grécia (-0,3%), Espanha (-0,3%), Chipre (-1,4%), Hungria (-1,8), Romênia (-0,7%) e até mesmo o Reino Unido (-0,4%).

Mesmo que os analistas digam que a economia está se restabelecendo, ainda está longe do que era. Alguns novos índices apontam uma melhora mas, se compararmos ao mesmo período de 2008, segue existindo uma contração na economia de 4,1%, na Zona do Euro. Esse índice sobre para 4,3% em relação à União Européia, somando os 27 países que compõe o bloco. Logo, a economia européia está longe de ser o que era.

 

Os números mostram o fim da recessão. E o desemprego mostra a sua continuação!

Todos esses índices significam uma coisa para os trabalhadores: o desemprego, que tornou-se uma constante dentro dos países europeus.

Enquanto a burguesia comemora os primeiros números positivos depois de mais de um ano vendo seus lucros despencarem, para os trabalhadores europeus não há nada a comemorar, já que o número de desempregados segue crescendo, atingindo seus piores índices em 10 anos! Estima-se que dentro da UE existam mais de 20 milhões de pessoas desempregadas! Em setembro, esse número representou 9,7% da população sem atividades remuneradas (o maior índice desde 1999, quando atingiu 9,6%). O número é comparável a economias periféricas e subdesenvolvidas, como o caso de Brasil e Argentina, onde mesmo levando em consideração a crise econômica, a taxa de desemprego varia sempre em torno dos 10%.

Enquanto os governos de todos os países, ricos ou pobres, mobilizaram-se para salvar os banqueiros e grandes empresários, afirmando que ajudavam as empresas para evitar que demitissem, a burguesia tentava manter as taxas de lucro através das demissões em massa. Ou seja, mais uma vez, quem paga a conta para salvar os patrões são os trabalhadores, já que esse dinheiro que os governos concederam saiu dos cofres públicos. Verbas que, depois de serem desviadas para os bolsos dos políticos corruptos, talvez fossem para saúde, educação... Porém, diante da riqueza entregue aos exploradores, fica um rombo gigantesco que exige do governo o corte de grande parte dos gastos públicos para continuar mantendo a arrecadação no mesmo patamar. Quer dizer, menos investimento em saúde, educação, emprego, segurança.

Para os trabalhadores europeus só existe uma saída: a luta. Desde o início da crise econômica, o proletariado europeu tomou a linha de frente na luta de classes mundial e novamente demonstra sua força.

Diante de cada ataque que a classe trabalhadora sofre, ela responde com mais lutas e, no que depender dos índices econômicos, isso não tende a parar.

Os trabalhadores devem avançar cada vez mais em sua luta contra a burguesia, que desemprega e arrocha seus salários, assim como contra os governos, que atacam e retiram seus direitos. E, a partir disso, avançar cotidianamente em sua organização internacional, para acabar com o capitalismo no mundo todo.

 

 
 

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