Publicado em 04/05/2009

África do Sul: Partido de Nelson Mandela vence as eleições, mas novo governo não mudará realidade do país.

Nas últimas semanas de Abril ocorreram as eleições sul-africanas para presidência do país, e para a escolha dos novos parlamentares nacionais e provinciais. O vencedor do pleito foi o Congresso Nacional Africano (CNA), partido do atual presidente Thabo Mbeki e do ex-presidente Nelson Mandela, que mantém a hegemonia política no país há anos.

Jacob Gedleyinhlekisa Zuma foi eleito o novo presidente da África do Sul.  Além de ser o presidente do CNA, Zuma é famoso na política sul-africana por outros motivos: já enfrentou diversas acusações de corrupção, fraude, extorsão, lavagem de dinheiro e estupro. Sendo que a maioria das denuncias é recente, surgidas nos últimos 7 anos. Mas, casualmente todas as denúncias contra o novo presidente foram retiradas pela a Procuradoria Geral sul-africana alguns dias antes das eleições, liberando-o para concorrer no pleito.

O fim do Apartheid e a Ascensão do CNA

O Congresso Nacional Africano é hoje o partido político mais forte na África do Sul. Sua ascensão se deu através da luta dos negros contra o regime de Apartheid que vigorou no país de 1948 até meados dos anos 90. O regime racista impunha a exploração e opressão da ampla maioria da população sul-africana, que é negra, pela minoria branca.

As lutas contra o regime de apartheid na África do Sul foram marcadas por mobilizações e verdadeiras batalhas do movimento negro contra o governo da elite branca no país. A luta dos africanos resultou na derrubada do apartheid e na realização de eleições livres no país em 1994. A derrubada do regime racista foi uma estrondosa vitória do movimento negro sul-africano, que ecoou em todo o continente africano e no mundo.

Por sua atuação nas lutas contra o apartheid o CNA ganhou grande prestigio junto as massas. O partido de Nelson Mandela, mais conhecido líder da resistência negra no país, colhe até hoje os frutos da conquista heróica dos sul-africanos. Mandela foi eleito o primeiro presidente negro do país no pleito de 1994, fato que consumou a mudança no regime político do país.

Mas infelizmente, a vitória de Mandela e do CNA, embora tenha significado o fim do apartheid, não acabou com a exploração que sofria a população sul-africana. O fim do regime racista, que foi uma grande vitória e conquista do movimento negro, não alterou a estrutura econômica e o modo de produção no país. Os grandes burgueses, a elite branca, seguiu dona de suas empresas e explorando os trabalhadores no país.

A mudança de regime político, do apartheid para a democracia, mudou apenas a forma e arranjo das instituições do estado na África do Sul. Foi uma vitória das massas no sentido de que derrubaram o regime racista, impondo uma democracia, mas do ponto de vista social, das classes sociais, o poder não mudou de mãos, ou seja, a vitória democrática das massas foi ao mesmo tempo uma derrota destas no campo social, a medida que a classe burguesa, os empresários, a elite branca, seguiu controlando as indústrias e o estado sul-africano.

O CNA garantiu o lucro da elite branca e a superexploração dos negros ao longo de seus governos

A expressão mais clara do papel cumprido por Mandela e o CNA depois da derrota do apartheid é política destes ao longo de seus governos. Eles foram os responsáveis por implementar o Neoliberalismo no África do Sul. Assim com Collor, FHC e Lula no Brasil, Mandela e o CNA aplicaram todos os mandamentos da cartilha do FMI no país.

O governo de Mandela em especial foi que aplicou os maiores ataques aos trabalhadores sul-africanos. O ex-presidente sul-africano foi o responsáve, por privatizar as empresas públicas e por dar a “liberdade” ao mercado pregada pelos neoliberais na década de 90. Os últimos 15 anos na África do Sul são marcados pelo desemprego e miséria crescentes, bem como pelo profundo ataque aos direitos trabalhistas. O desemprego, assim como a miséria, já atinge quase metade da população, e a epidemia de AIDS está devastando o país.

Thabo Mbeki, agora ex-presidente do país, diante da crise na saúde causada pela AIDS, chegou a afirmar que o HIV não transmite a AIDS e que a população não precisa se preocupar. Como resultado do descaso do governo do CNAHoje mais de 10% da população da África do Sul está infectada pelo com o HIV.

Para acabar com a miséria e exploração na África do Sul é preciso lutar contra Mandela, o CNA e os patrões.

Apesar de ter acabado com o apartheid, a luta dos trabalhadores africanos não acabou com a exploração e opressão que estes sofrem no dia-a-dia. Mandela e o CNA garantiram com suas políticas e governos que a elite branca, a burguesia, seguisse dominando o país e explorando os trabalhadores sul-africanos.

Os trabalhadores da África do Sul precisam sair às ruas e lutar contra os patrões e, principalmente, contra o CNA que é o responsável por garantir a dominação e o lucro da burguesia no país. A exploração, a miséria e o desemprego dos sul-africanos é responsabilidade do CNA que garantiu aos patões as condições para que estes seguissem explorando os trabalhadores no país.

É necessário que os trabalhadores construam uma nova direção para suas lutas, que seja independente do CNA, e comprometida com as necessidades dos trabalhadores sul-africanos. É necessária a construção de um partido revolucionário na África do Sul, que organize e conduza as lutas dos trabalhadores para a derrubada do governo e do estado capitalistas, para expropriação da burguesia e para a construção de um governo dos trabalhadores sul-africanos, através de seus organismos de luta. Somente com a derrota do estado burguês e do capitalismo os trabalhadores da África do Sul poderão acabar de vez com a exploração e opressão que sofrem todos os dias. 

 

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