Publicado em 27/04/2010

“Enquanto nós recebemos amendoins pra trabalhar, eles querem organizar o mundial”

        Essa era uma das palavras-de-ordem que milhares de trabalhadores da África do Sul gritavam em suas manifestações no início da 2ª quinzena de abril, durante os atos públicos que reivindicam melhores condições de salário. Tudo isso ocorre enquanto o país quer finalizar as obras para a Copa, que iniciará daqui a alguns dias.

Cerca de 130 mil funcionários públicos ligados ao setor hospitalar, recolhimento de lixo e principalmente o transporte público, entraram em greve por tempo indeterminado exigindo 15% de reajuste salarial.

Houve paralisação em Johanesburgo, Durban e Cidade do Cabo, algumas das principais cidades do país, sendo que todas sediarão jogos da Copa. Enquanto são feitas obras gigantescas de estádios, os trabalhadores continuam tendo de sobreviver com as migalhas que lhes é oferecida.

Os trabalhadores já vinham tentando negociar desde 2004, não havendo nenhum resultado até agora. Cansados de esperar uma resposta, os trabalhadores foram à rua protestar, numa luta que, além do salário, questiona a própria economia capitalista e sua inevitável desigualdade social.

Enquanto bilhões de dólares são despejados para fazer obras faraônicas, em um país paupérrimo; os trabalhadores são submetidos a salários de fome, desemprego e miséria. As obras que gastam todo o orçamento público pouco poderão ser aproveitadas pela população após a Copa do Mundo.

Além disso, as obras da Copa sofrem no país de um mal conhecidíssimo dos brasileiros – o desvio de verbas.

Enquanto os trabalhadores acabam recorrendo à pressão exercida por suas manifestações, a burguesia da África do Sul continua enchendo seus bolsos às custas do suor dos trabalhadores.

Brasil: o próximo a mudar sua realidade através da Copa?

Enquanto os trabalhadores africanos são protagonistas nas manifestações durante as vésperas da Copa, Lula, por aqui, continua usando o fato de o Brasil ser o próximo país sede como campanha eleitoral, dizendo que será um momento onde a realidade de nosso país mudará para sempre.

Mas os trabalhadores brasileiros já podem tomar como exemplo o que está ocorrendo na África do Sul, onde os estádios ficarão no país, mas ao seu lado, as favelas, os baixos salários, a violência, etc. Tudo isso continuará também, mostrando que a Copa passa, mas os problemas permanecem.

VOLTAR

 
Notícias Relacionadas

• Volkswagen e Porsche; Fiat e Chrysler; Renault e GM: Crise estimula fusões na indústria automobilística.

• Governo do Sri Lanka massacra população que luta por independência do Eelam Tamil!

•Fernando Lugo assume paternidade de criança de 2 anos e mostra que seja como presidente, seja como bispo, sempre agiu contra os explorados e oprimidos

• GM está próxima de pedir concordata! Obama exige que empresa se divida em duas: Uma falida, com as dívidas trabalhistas e financeiras, e outra com o lucro e o patrimônio da GM

• O leste europeu 20 anos depois da queda do muro: Geração pós-queda do muro de Berlim diz não ao capitalismo no Leste Europeu

• Crise põe PIB mundial em queda livre: Pela 1ª vez, economia mundial deve ter recessão anual

• Uruguai aprova o direito à eutanásia!