Escândalo: Seguradora AIG e Obama pagam bônus milionários aos executivos com dinheiro público
Uma notícia está revoltando o mundo: a principal seguradora dos EUA, a AIG, que decretou falência no início da crise e foi socorrida pelo governo Bush com US$ 170 bilhões, já está em seu 4ª pacote e usa o dinheiro para enriquecer seus controladores. O mesmo processo, onde o Estado compra ações e adquire o controle da empresa, foi realizado em muitas outras grandes empresas e bancos no mundo todo.
Agora, se descobriu mais um escândalo, dessa vez patrocinado por Obama. Os bilhões de dólares tirados dos cofres públicos foram transformados em bônus para 73 executivos da AIG. A maioria deles ganhou 1 milhão, e alguns chegaram a receber mais de 4 milhões de dólares.
No total, foram 280 milhões de dólares destinados a bônus para executivos, o que é um deboche aos trabalhadores, que estão sendo desempregados, obrigados a pagar para salvar empresas que sempre lucraram às suas custas, e, agora, ainda desviam o dinheiro para o bolso dos executivos. O pior disso tudo, no entanto, é que o governo Obama sabia!
A AIG revelou que fez um acordo com o governo, através do Secretário do Tesouro Timothy Geithner, estabelecendo que poderia desviar até 227 milhões de dólares, o que quer dizer que a diferença entre o roubo praticado e o autorizado é de menos de 20%.
A repercussão e a raiva gerada no mundo inteiro principalmente entre os trabalhadores nos EUA foi tanta, que o presidente Barack Obama foi obrigado a fazer um jogo de cena e criticar a AIG, dizendo que também está com raiva. A lógica de Obama é como a de Lula, que culpa os assessores e diz ter sido apunhalado, com o objetivo de se safar e apenas punir seus subordinados. Nos EUA, o resultado disso é a pressão para que Geithner renuncie. Além disso, essa indignação levou o Congresso a criar um imposto de 90% de bônus dado aos executivos em empresas, que receberam mais de US$ 5 bilhões de ajuda do governo, incluindo a AIG e várias outras empresas.
Mas estas medidas são uma farsa. Fica claro que Obama e o Congresso acharam uma coisa normal os executivos roubarem o dinheiro público. Eles só começaram a tentar restringir isso, e ainda assim deixando uma parte do roubo liberado, por causa da pressão popular. A AIG pagou os bônus com a conivência completa do governo dos EUA, da mesma maneira que fizeram a Freddie Mac e a Fannie May, onde se pagou mais de 600 mil dólares em bônus aos executivos.
Uma população revoltada
Para se ter uma idéia da reação dos trabalhadores norte-americanos diante desse escândalo, a diretoria da AIG recomendou a seus funcionários que não peguem transporte sozinhos, que não usem uniforme da empresa e não falem dela na rua, por questão de segurança. Esse medo existiu após vários protestos e ameaças de mortes feitas contra executivos da empresa que receberam os bônus milionários.
E não teria como ser menor a revolta das pessoas diante de uma barbaridade como essa. O governo Bush sabia do pagamento dos bônus a grandes executivos, e sempre foi a favor desse trenzinho da alegria. Esse foi mais um dos motivos que levou a maioria da população dos EUA a repudiar Bush, identificado com a elite econômica, formada por magnatas e corruptos. Obama, eleito para ser a esperança e mudança desejadas, agora mostra que é farinha do mesmo saco.
Um agravante nessa história é que, depois da intervenção estatal, a AIG hoje é mais do Estado (ou seja, comandada por Obama) que dos acionistas privados. Por isso, a responsabilidade de Obama nesta corrupção é ainda maior. Ao se negar a demitir esses executivos ou fazer qualquer coisa nesse sentido, Obama permite que poucos enriqueçam, ainda mais, às custas da crise e do empobrecimento da população em geral.
Não há salvação para o capitalismo
Esse roubo na AIG, patrocinado por Obama, acontece por todos os lados no capitalismo. De diversas maneiras, os grandes empresários e corruptos dão um jeito de ganhar muito dinheiro “legal” e ilegalmente, seja através da exploração de salários baixos, de participações nos lucros maquiadas para baixo e de bônus para altos funcionários. O resultado, é que os ricos sempre ganham, e os trabalhadores sempre perdem.
No capitalismo, mesmo quando a burguesia se obriga a adotar medidas como as “estatizações”, essas ações não só não servem para solucionar a crise, como servem para dar continuidade ao roubo e a exploração dos capitalistas sobre os trabalhadores.
Para salvar a economia dos países e do mundo como um todo, é preciso que a indignação aumente em todos os cantos do mundo e o ódio contra os banqueiros e executivos falidos e contra o capitalismo e seus governos se revertam em muita luta, greves, ocupações e protestos de rua. Só com a derrubada do capitalismo e a tomada do poder pelos explorados será possível garantir justiça, emprego e boas condições de vida a todos.
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