Capitalismo mata nos ares. Airbus caem por falhas de manutenção matando centenas.
Em menos de 1 mês, dois aviões fabricados pela empresa Airbus caíram no mar. O primeiro deles era operado pela Air France e caiu no Oceano Atlântico. A aeronave saiu do Rio de Janeiro com destino à França. Ao todo, 228 pessoas estavam a bordo do vôo 447, e todas morreram. As buscas feitas pela Força Aérea Brasileira (FAB) e pela Marinha foram suspensas, e permanece apenas um submarino francês na área.
No acidente mais recente, a aeronave A310-300, da companhia aérea iemenita Yemenia Air, caiu no mar quando se aproximava do arquipélago de Comores, no Oceano Índico. O voo havia deixado Sanaa, no Iêmen, com destino a Moroni, em Comores, e tinha sua origem na França. Dessa vez, uma passageira foi resgatada com vida, mas os outros 152 ocupantes do vôo morreram.
No total, 380 pessoas foram mortas em acidentes cujas causas apontam para o mesmo problema: negligência e irresponsabilidade das empresas aéreas. Embora nos dois casos as aeronaves passassem por tempestades quando caíram no mar, os aviões são projetados e contam com equipamentos supostamente preparados para isso.
Após os acidentes e as centenas de vítimas, a Air France teve que enfrentar uma greve de seus funcionários, que denunciaram a falta de manutenção e erros na leitura de sensores que mediam a velocidade dos aviões. Da mesma forma, a Yemenia usa aviões que são reprovados para voar em rotas envolvendo a Europa. A empresa, então, usava estas sucatas nos deslocamentos para a África, e um desses aviões foi o que caiu.
Em nenhum desses casos as mortes aconteceram por problemas inevitáveis. Foi a ganância das empresas, que lucram economizando na segurança e manutenção dos aviões que matou 380 pessoas.
Outros acidentes em 2009
O ano de 2008 terminou com um Airbus que caiu no Mediterrâneo. E 2009 iniciou com um avião com 49 pessoas a bordo caindo sobre uma casa perto do aeroporto internacional de Buffalo, no Estado de Nova York (EUA), em fevereiro. Além de todos que estavam a bordo da aeronave, uma pessoa que estava em terra morreu no acidente.
No dia 20 de maio, um avião militar caiu na ilha de Java, na Indonésia. O Hércules C-130 da Força Aérea se chocou contra casas antes de tocar um arrozal na província de Java Oriental. Das 109 pessoas a bordo, 98 morreram no acidente. A maioria dos ocupantes era da Força Aérea indonésia. Uma fonte militar declarou que o Hércules que caiu estava em atividade desde a década dos 70. A maioria dos aviões deste modelo, muitos de segunda mão, foi adquirida entre 1960 e 1975.
No dia 15 de janeiro, um piloto da companhia US Airways evitou o que poderia ser a terceira tragédia com um Airbus em poucos meses. Depois de colidir com pássaros, o piloto percebeu a perda de potência em ambas as turbinas e pousou no rio, sem que houvesse vítimas.
Meio de transporte mais seguro?
A repetição permanente de que o avião é o meio de transporte mais seguro é uma maia-verdade. Isso porque, nesta estatística, se comparam as mortes e acidentes aéreos com os acidentes de carros e trens, chegando à conclusão de que viajar de avião é mais seguro. Mas isso é falso, olhado simploriamente.
Em primeiro lugar, porque uma parte considerável das mortes no trânsito, por exemplo, acontece com motos , o que puxa a média para cima. Dentre os acidentes com carros, também há outro aspecto a considerar: a maioria deles, segundo as estatísticas, são decorrência da imprudência, imperícia ou alcoolismo. Isso quer dizer que a pessoa que toma cuidados na direção tem uma chance de sofrer um acidente fatal, num automóvel, bem menor que o índice genérico divulgado.
Além disso, o índice de mortos em ônibus, que é outro meio de transporte de massas, com o qual o avião pode ser comparado mais adequadamente, é muito baixo. Em se tratando do metrô, é quase zero o resultado de mortes em acidentes.
Por isso, o avião, em que qualquer falha mecânica ou de manutenção pode resultar em acidentes, e que estes quase sempre são fatais, torna-se um meio de transporte cheio de incertezas e preocupações, no capitalismo. Ainda podemos falar que é seguro voar... para a maioria das pessoas. A alta tecnologia envolvida e a complexidade dos aviões permitem que ele seja um transporte eficiente e magnífico, no que se refere ao progresso que significou. No entanto, controlado pela lógica privada e do mercado, e sujeito às fraudes, corrupção e precariedade dos órgãos de controle, a aviação apresenta muito mais riscos do que se divulga.
No céu, como na terra, os trabalhadores e a maioria da população só poderão desfrutar do conforto e agilidade dos aviões e demais meios de transporte, assim como de sua total segurança, quando o controle das fabricantes e empresas aéreas estiver em suas mãos.
VOLTAR |