Saída do exercito norte-americano do Iraque: mais uma encenação do imperialismo para continuar a dominação
O governo dos EUA anunciou esse mês o fim da guerra no Iraque. A guerra, deflagrada pelo governo Bush em 2003, foi supostamente travada para combater o desenvolvimento de armas nucleares no governo de Saddam Hussein. Revelada a mentira pouco tempo depois, uma vez que nunca foi encontrado vestígios da produção de armamento nuclear, a invasão permaneceu pelas razões que sempre a motivaram: obter o controle da produção de petróleo do país e da região e aquecer a economia, através da indústria bélica, que, em 2009, lucrou 1,5 trilhão de dólares em todo o mundo, com a produção de armas, veículos, vestuário, prestação de serviços e tudo o mais relacionado às guerras.
O anúncio do presidente Barack Obama de por um fim a guerra é uma resposta à crescente insatisfação dos americanos com a presença das tropas dos EUA no Iraque e no Afeganistão. Informados do aumento do número de americanos mortos e dos gastos bilionários com os confrontos, a população americana rejeita cada dia mais as guerras travadas por seu país. A continuidade da guerra era, inclusive, uma das razões da queda da popularidade de Obama.
Além de tentar reverter seus índices de popularidade, marcar um fim para a ocupação militar do Iraque significa o reconhecimento de Obama da derrota americana. Como declarou o presidente para veteranos de guerra, “a dura verdade é que nós não vimos o final do sacrifício norte-americano no Iraque”.
A divulgação da retirada das tropas do Iraque veio com a notícia que ainda permanecerão 50 mil civis americanos no país. Serão civis armados que terão como tarefas oficiais formar a polícia iraquiana; evitar possíveis confrontos entre o exército iraquiano e outras nações; operar radares, buscar bombas, sobrevoar o espaço aéreo; auxiliar os iraquianos a comprar e utilizar equipamentos bélicos dos EUA, entre outras.
Para isso, o governo americano contará com a presença de 6 a 7 mil empresas de segurança privada, que poderão formar “forças de reação rápida” para “resgatar” civis em perigo.
O que se constata é que a saída das tropas estadunidenses não significa o fim da ocupação americana do Iraque, muito menos o fim da violência. A repressão ao povo iraquiano permanecerá, dessa vez, sob o comando das empresas de segurança privada.
Esse verdadeiro pelotão de civis garantirá a continuidade da ingerência americana no governo e no exército iraquianos. A permanência dos EUA no país é fundamental para garantir os interesses das grandes corporações americanas do petróleo, da construção civil e da indústria bélica.
Os gastos de 751 bilhões de dólares com a guerra não foram suficientes para os EUA saírem vitoriosos do Iraque. O imperialismo nunca conseguiu impor seus planos para a região, sem encontrar forte resistência dos grupos políticos organizados e da população civil. Ao longo de sete anos de guerra, morreram mais de 4.400 americanos e incontáveis iraquianos. As estatísticas são imprecisas, e vão de mais de cem mil a mais de um milhão de iraquianos mortos, evidenciando a brutalidade e desigualdade da guerra.
A luta do povo iraquiano pela sua soberania continuará de pé. A presença de seguranças privados não trará paz ao país, pois está a serviço dos interesses americanos na região. A derrota, que significou para os EUA a retirada das tropas, tem que se repetir com esse novo plano de ocupação civil do governo Obama. É o povo iraquiano que deve estar à frente na reconstrução do país e é para suprir suas necessidades que deve ser utilizada toda a riqueza dele.
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