Publicada em 17/12/2009

ARGENTINA: Uma derrota para Cristina Kirchner e a burocracia sindical. 

            A Argentina atravessa um momento muito importante de sua história.

Como produto das crises econômicas e da ofensiva neoliberal das últimas décadas, os trabalhadores levam hoje uma vida mais difícil do que levavam anos atrás e, por isso, lutam e se mobilizam com cada vez mais força.

            O governo Kirchner, que atua como uma Frente Popular tentando frear as lutas e derrotar o ascenso dos trabalhadores através da cooptação da burocracia sindical peronista, está cada vez mais desmoralizado. Isso se percebeu, por exemplo, nas últimas eleições, onde a oposição de direita e de esquerda ao governo aumentaram suas respectivas votações, provando que quem combate o governo ganha apoio entre as massas. Mas o fundamental é que o governo enfrenta uma onda de protestos e mobilizações, cada vez mais radicalizadas, protagonizadas pela classe trabalhadora, desempregados e movimentos populares.  

            Há poucas semanas, os funcionários da empresa Metrovías, que trabalham no metrô de Buenos Aires, obtiveram uma vitória importantíssima. Essa categoria luta pelo reconhecimento de um sindicato novo, que represente apenas os funcionários do metrô, visto que até então todos os trabalhadores do transporte, incluindo os motoristas de ônibus, por exemplo, formavam uma única categoria e eram representados por um único sindicato, a Associação dos Transportadores Argentinos (UTA).  

O problema, é que a UTA é controlada completamente pela burocracia peronista, defensora incondicional do governo e, a exemplo da CUT brasileira, não possui a menor condição de ser disputada para um programa dos trabalhadores. É isso que explica esse movimento dos trabalhadores da Metrovías, que em um primeiro momento parece dividir e enfraquecer a luta dos trabalhadores, mas que expressa um aumento da consciência antiburocrática e a construção de uma alternativa ao sindicalismo pelego.  

Na verdade, os trabalhadores do metrô perceberam, através da experiência, que para lutar por melhores condições de trabalho, garantir reajuste salarial digno e um serviço de qualidade, é preciso um sindicato forte, por fora da UTA. É esse o sentido do movimento por um sindicato novo, não podendo, por isso, ser confundido com as iniciativas ultra-esquerdistas de criação de novos sindicatos, “puros” e “vermelhos”, onde só os revolucionários atuariam.  

A criação do Sindicato do Subte (como é chamado o metrô) representa um duro golpe contra os interesses da burocracia sindical e do governo. Tanto é assim, que depois da algumas paralisações dos metroviários, que contaram com a solidariedade de boa parte das categorias e das organizações da esquerda argentina, o governo Kirchner, através da central sindical CGT, convocou uma Marcha para Buenos Aires com o objetivo de “defender o modelo sindical”, que estava sendo questionado pela esquerda, em especial pela luta dos funcionários do metrô. No dia seguinte, setores da oposição de esquerda ao governo e à burocracia, convocaram uma Contra-Marcha, para defender os trabalhadores do Subte e seu novo sindicato. O resultado foi a desistência por parte da CGT da Marcha, demonstrando que o governo não está em condições de enfrentar o movimento sindical combativo na Argentina.

Dessa forma, enfrentando o governo, a burocracia com seus bate-paus e a polícia, os trabalhadores do metrô venceram a batalha e o novo sindicato foi reconhecido. Para isso, tiveram que utilizar sua própria autodefesa, garantindo piquetes fortes e enfrentando fisicamente a burocracia da UTA. Essa vitória, que repercute com muita força em todo país, pode significar uma injeção de ânimo para outras categorias enfrentarem a burocracia sindical para organizar as lutas contra o governo Kirchner. Dessa forma, a classe trabalhadora sai mais forte desse processo e se coloca na ofensiva contra um governo e uma burocracia sindical fracos.  

O Movimento Revolucionário, que esteve presente no metrô apoiando a paralisação e o piquete dos trabalhadores, se coloca na defesa dos trabalhadores do Subte e de seu novo sindicato, que servirá para aumentar ainda mais as lutas da nossa classe e impulsionar ainda mais greves e mobilizações na Argentina, para que os trabalhadores possam derrotar os Kirchner, a burocracia e o capitalismo, sendo um exemplo a ser seguido também em outros países, inclusive por nós no Brasil.  

Independente da forma que a luta toma, se é a de ruptura ou de disputa e oposição, o fato é que cada vez mais surgem enfrentamentos entre os trabalhadores e as centrais e organismos sindicais patronais. Nesse sentido, a luta contra os pelegos na Argentina, é a mesma luta contra a CUT e CTB no Brasil. A vitória do Subte é uma vitória de todos os trabalhadores.    

 

 

 

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