Argentina aprova proposta para reabrir troca de dívida externa com credores, garantindo o lucro da burguesia imperialista
7 anos após declarar moratória governo argentino tenta concluir processo de reestruturação da dívida externa concretizada em 2005, para garantir o lucro de bancos multinacionais e do imperialismo.
A presidente da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, anunciou na segunda-feira, dia 29 de setembro, que iniciará formalmente a implementação de uma proposta de três bancos internacionais (Barclays, Citigroup e Deutsche Bank) para reabrir a reestruturação de bônus públicos concretizada em 2005 para os credores privados que, na época, não aderiram a essa troca de dívida.
Há três anos, a Argentina fez uma reestruturação milionária de sua dívida com credores privados em moratória desde 2001, a qual não foi aceita por 24% dos detentores de bônus, com títulos por US$ 20 bilhões, que ficaram de fora da troca, que, no total, superou os US$ 81,8 bilhões. Cristina acrescentou que apesar da reestruturação de 2005 não ter sido completa a Argentina segue crescendo, de tal forma que em 2007 o PIB cresceu ao maior ritmo dos últimos 100 anos.
A moratória da Argentina mostrou que é possível parar de pagar a dívida externa!
Nos países semi-coloniais, como Brasil, Equador e demais Países da América Latina, uma bandeira defendia pelas organizações dos trabalhadores gera muitas dúvidas e temor da população: O não pagamento da dívida externa. Muitas pessoas temem que se seu país não pagar em dia os juros e as parcelas da divida externa ele sofrera todos os tipos de sanções econômicas e políticas, ou poderá ser invadido pelo imperialismo e muitos argumentam que a economia do país deixará de crescer devido ao isolamento que a moratória ocasionaria.
O exemplo argentino ajuda a clarear e derrubar estes temores. Em primeiro lugar, podemos citar a própria presidente da Argentina, que na última semana declarou que o crescimento econômico do país no ano de 2007 é maior num período de 100 anos, sendo sua economia vem registrando crescimentos em todos os anos recentes. Esse crescimento não se deve a uma força externa ou ajuda divina, mas sim a todo dinheiro que antes era desviado para o pagamento da dívida externa. Com a moratória, todos os recursos que antes enchiam os bolsos dos banqueiros imperialistas puderam ser usados para investimentos na economia do país, criando as condições para o crescimento econômico.
Há ainda que se destacar que a Argentina não sofreu nenhuma grande perseguição política e econômica internacional. Não houve desde 2001 nenhum registro de embargo econômico ou grandes sanções contra a Argentina. Houveram tentativas, como a atual do imperialismo em renegociar a dívida, tentando manter seus negócios na região. Mas as tão temidas sanções e isolamento da economia do país não se confirmaram.
Por fim a mais temida de todas as hipóteses, de que o país seria invadido não se confirmou. Até hoje não houve se quer menção a uma possível guerra contra a Argentina. Nenhum país do mundo chegou a cogitar a hipótese de invadir a Argentina.
Mas isso tudo ocorreu não por causa da firmeza ou diplomacia do governo argentino, mas sim porque, por um lado, o imperialismo não pode abrir mão de seus negócios e exploração da Argentina. O imperialismo necessita da exploração econômica dos países semi-coloniais para sustentar sua economia e lucro de sua burguesia. Por outro lado não foi possível para o imperialismo tomar alguma atitude mais dura contra a Argentina graças a luta dos trabalhadores argentinos e de toda a América Latina. Atualmente a correlação de forças é completamente desfavorável ao imperialismo, obrigando a burguesia a apostar em governo de frente popular, que aparentam ser dos trabalhadores mas governam para a burguesia, em quase todos os países da América latina.
É preciso derrotar Cristina Kirchner e sua reestruturação da dívida Externa
O governo argentino vem nos últimos anos tentando reestruturar sua dívida externa para voltar a encher o bolso da burguesia imperialista. Faz isso porque assim como todos os governos dentro do capitalismo, tem o compromisso com a burguesia de garantir os seus lucros e a exploração dos trabalhadores.
O fim da moratória argentina não irá trazer mais desenvolvimento para o país e seus trabalhadores como promete Cristina, mas sim irá reduzir as verbas que a Argentina dispõe para investir em sua economia e áreas sociais. Essa medida atenda aos interesses da Burguesia Imperialista que necessita do dinheiro da dívida externa argentina mais do que nunca na atual crise financeira internacional.
Os trabalhadores argentinos precisam sair às ruas para derrotar Cristina Kirchner e sua reestruturação da Dívida Externa. Somente assim conseguirão garantir melhorias em suas condições de vida, bem como o atendimento de suas reivindicações. Caso contrário a entrega de toda riqueza produzida pelos trabalhadores argentinos ao imperialismo será ainda maior, e Cristina não medirá esforços em atender todas as exigências da Burguesia imperialista como faz agora ao reestruturar a dívida externa. Os trabalhadores argentinos podem contar apenas consigo mesmos, sua luta e organização, para derrotar Cristina Kirchner e sua política de submissão à burguesia imperialista.