Publicado em 30/03/2010

Contra os novos assentamentos judeus. Pelo fim do Estado de Israel!

Não existe negociação com quem invade o território.

Ao longo do mês de março, as autoridades israelenses anunciaram a construção de mais 1600 casas em um novo assentamento de colonos judeus na região de Jerusalém Oriental, região pertencente ao povo palestino.

A cidade já havia sido tomada dos árabes em 1967 na Guerra dos Seis Dias, quando os judeus atacaram violentamente os palestinos sem chance de se defender. Os vencedores da guerra consideram a cidade sua capital indivisível, sede da terra prometida para o “povo escolhido”, como prega o sionismo.

Isso se choca com a realidade, em que milhões de palestinos moravam na cidade e foram expulsos apenas para seu setor oriental. Hoje, os israelenses tentam ir "empurrando" ainda mais seu controle sobre as concentrações palestinas. Essas agressões sistemáticas colocam ainda mais distante a possibilidade de que os palestinos tenham a cidade de Jerusalém como a capital de seu país, que incluiria a Faixa de Gaza e a Cisjordânia.

Com o anuncio feito por Israel, as políticas conciliadoras de esperar a paz por um acordo com o sionismo e a doutrina de "2 povos, 2 Estados" mostra seu total fracasso. As autoridades israelenses têm um dever a cumprir: acabar com o povo palestino e avançar na dominação na região. Por isso, para garantir um Estado palestino não há nenhum acordo possível sem a destruição de Israel.

Apesar das críticas, omissão e apoio a mais uma matança de árabes

Diante da intransigência declarada do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, várias autoridades do mundo todo, inclusive dos próprios Estados Unidos, declaram-se contrários às medidas adotadas pelo país, dizendo que isso somente iria espantar qualquer possibilidade de um acordo em busca da paz.

Ban ki-Moon (secretário da ONU), Joe Biden (vice-presidente dos EUA); e até mesmo Lula; aproveitaram sua passagem pelo Oriente Médio para declarar sua contrariedade aos assentamentos e ao roubo do território palestino. Apesar de representantes da Casa Branca se dizerem contrários às medidas israelenses, porém, nada de prático foi feito contra Israel. Quanto à ONU e ao Brasil, a mesma coisa.

Diante do espanto de parte dos analistas, que identificaram uma "crise" entre os EUA e Israel, por conta da nova ofensiva colonialista sobre a Palestina, Hillary Clinton tratou de esclarecer: “Temos um compromisso absoluto com a segurança de Israel. Temos um vínculo estreito e inabalável entre os Estados Unidos e Israel”.

Nenhuma autoridade propôs medida prática alguma para impedir o novo assentamento, ao mesmo tempo em que os EUA ensaiam um embargo econômico ao Irã. Enquanto todo o imperialismo sustenta o genocídio praticado pelo sionismo, Lula, desavergonhadamente, visitou Israel, junto de uma comitiva de empresários brasileiros, para "estreitar laços" com a burguesia israelense.

A resistência continua

Do outro lado do muro da Cisjordânia, os palestinos se veem cada vez mais encurralados em seu território, e sem ligação com o resto do mundo, já que Israel e os EUA impõem um embargo severo ao povo árabe, com direito a muro por todos os lados, e sanções contra bancos, comércio local e até mesmo transporte de gêneros básicos.

Com essa realidade, a instabilidade política se agrava mais ainda. O Hamas, que governa a Faixa de Gaza, sem ter outra escolha e pressionado pela massa, volta a se enfrentar de modo armado, com lançamentos de foguetes sobre o sul de Israel. O Fatah, por sua vez, governante da Cisjordânia, dá exemplos drásticos de traição ao seu povo, inclusive sendo possível cúmplice do Mossad, o serviço secreto israelense, no caso do assassinato de um dos líderes do Hamas, ocorrido em Dubai. O Fatah, além disso, apenas lamenta as novas ocupações, mas abandona os trabalhadores que querem resistir.

Apesar das direções estarem enfraquecidas, no entanto, a população não demonstra essa fraqueza. Tanto que ataques aleatórios, em que pequenas organizações independentes das organizações oficiais tomam a frente em responder às atrocidades de Israel, têm crescido; assim como a desesperada luta de pedras contra tanques, protagonizada por meninos.

A resistência continua e a população está de volta às ruas, lutando contra tanques com paus e pedras na mão.

Pelo boicote internacional de Israel!

Diante dessa intransigência do Estado sionista de Israel e de seu papel impossível de ser modificado, a única solução são os trabalhadores tomarem as ruas em solidariedade ao povo palestino, pressionando para que os governos de todo o mundo acabem com os acordos comerciais com o país.

Se os EUA podem ameaçar o governo iraniano com isso, os trabalhadores, em defesa do povo árabe, podem e devem lutar para que o mundo inteiro boicote o Estado de Israel.

Israel bloqueia a Palestina desde 2007, quando o Hamas assumiu o controle sobre a Faixa de Gaza. O bloqueio é responsável por manter o desemprego na taxa de 50% da população, além de centenas de mortes e da miséria por todos os lados!

Se a burguesia fecha as fronteiras da Palestina, fechemos as divisas de Israel! A única solução para todo esse conflito é o fim desse Estado genocida e racista.

Os trabalhadores ao redor do globo devem se solidarizar com a realidade dos palestinos e organizarem atos e manifestações em frente às embaixadas dos EUA e Israel denunciando o papel que cumprem na região. Enquanto a ONU e os EUA defendem o "diálogo" das bombas e bloqueios, temos que responder com a guerra aberta ao Estado terrorista de Israel, e expulsar o imperialismo da região.

 

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