Berlusconi é o sétimo governante europeu a cair por causa da crise
Nem todos os escândalos sexuais, nem as inúmeras denúncias de corrupção: foi a crise econômica quem mobilizou os italianos a forçarem a queda do primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, que teve de renunciar ao cargo.
O aumento generalizado do custo de vida na Itália, combinando inflação crescente com desemprego em alta e a ameaça de quebradeira generalizada na economia do país e no orçamento do governo, levaram à revolta irreversível contra o governo do “palhaço”, como nas ruas a massa gritava a Berlusconi, escorraçado do poder e amplamente rejeitado pela população.
Antes de sair, porém, Berlusconi ainda conseguiu que o Parlamento aprovasse o “pacote de austeridade” proposto por seu governo. Na verdade, um pacote de massacre, que vai jogar a crise ainda mais para cima dos trabalhadores, aumentando a idade para se aposentar, atacando especialmente as mulheres, que terão carga da majoração de idade ainda mais pesada, e congelando salários por 4 anos!
A burguesia quebrada da Itália e seus sócios europeus, que assistem seu castelo desmoronar, impuseram a Berlusconi, a quem sempre defenderam, o papel de, já que estava desmoralizado mesmo, garantir a última grande “maldade” antes de sair do cargo. Mas dificilmente, a Itália se estabilizará, mesmo com a derrubada do “palhaço”.
Os custos da dívida italiana, cujos títulos de dez anos já estão pagando 6,5% de juros anuais (se ultrapassar o patamar de 7% o governo da Itália corre risco de calote), já chegaram a níveis semelhantes aos da Grécia, com a diferença que a Grécia tem uma economia incomparavelmente menor.
Antes da renúncia, Berlusconi, que já não tinha respaldo popular, quando tentava aprovar as contas do orçamento do Estado de 2010, venceu por apenas 308 votos a favor e uma abstenção, depois que a oposição retirou-se da votação. Esse resultado mostrou que o chefe de governo não tinha mais uma maioria suficiente para aprovar seus demais projetos e seguir governando. Com a rejeição dos de baixo se transformando em crise nos de cima, a pressão sobre Berlusconi se tornou insuportável e a burguesia como um todo exigiu sua saída, antes que as massas fossem às ruas exigir a cabeça de mais gente.
A Itália é a terceira maior economia da zona do euro, atrás apenas da Alemanha e da França e está se encaminhando para um cenário onde os custos de tomar empréstimo se tornarão insustentáveis e o país precisará de um pacote de “resgate”, um eufemismo para dizer que terá que declarar uma moratória “técnica”, ou ainda mais claramente: dar calote; não pagara dívida pública. Um tabu em qualquer lugar do mundo para o capitalismo, e que assume proporções infernais quando se trata de um dos países originais do ex-G7 – os grandes países imperialistas do mundo.
Há uma dívida nacional de 1,9 trilhões de euros (R$ 4,5 trilhões) na Itália, o que significa 120% de seu PIB. Este patamar impagável da dívida, que só não é pior que a dos gregos, caso leve à necessidade de que a União Europeia socorra o país, poderia quebrar o bloco e o continente inteiros. Analistas preveem que seriam necessários, de saída, ao menos E$ 700 bilhões para rolar os compromissos italianos.
Este drama recém está começando, e certamente as mulheres que tiveram a idade para se aposentar aumentada em 5 anos e a população em geral que terá menos saúde, educação, trabalho e salário, manterão a pressão sobre o governo. Assim, como os credores da dívida. Ou seja, por mais que o “palhaço” tenha saído de cena, o circo vai seguir pegando fogo na Itália.
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