Publicado em 07/12/2011

Italianos fizeram Berlusconi sair, mas Mario Monti continua a mesma política

Após meses lutando contra o governo e as ações do agora defenestrado Sílvio Berlusconi, e de ter finalmente conseguido retirar este magnata da comunicação e ultrarreacionário, os trabalhadores italianos se frustram mais uma vez, ao seu substituto manter uma por uma as medidas de arrocho social.

Ex-comissário europeu e vice-presidente do Banco Central Europeu, o economista Mario Monti é um tecnocrata neoliberal, supostamente um técnico, acima dos partidos, que tem a missão de moralizar as contas e o governo italiano. Na verdade, é uma figura cujos trabalhos durante a vida toda sempre foi a serviço dos governos, e que é um típico representante da direita financeira, um funcionário sempre fiel aos interesses dos banqueiros, sem nem um pouco da alegada “independência” em relação aos partidos políticos repudiados pela população.

Sem nenhum um voto sequer, surgido absolutamente do nada em termos políticos, Monti foi escolhido num complô de partidos, do qual participaram inclusive os ex-comunistas (stalinistas) italianos, sendo convidado para tal cargo diretamente pelo presidente da República, cargo bem menos importante que o de primeiro ministro. O detalhe: o presidente do país é Giorgio Napolitano, histórico dirigente do PCI e atualmente líder destacado da “oposição” na Itália, mas que em tudo sempre esteve ao lado de Berlusconi.

        Sem prestígio nem carisma nenhum, Monti tenta sustentar seu governo na falsa ideia de que é alguém “técnico, independente dos partidos” e, para manter esta farsa, nomeou, como ministros de seu governo interino, uma administração de outros tecnocratas sem filiação partidária, mas que, na verdade, assim como o próprio Monti, sempre estiveram a serviço destes partidos, como seus subordinados, nos mais diversos governos. Um exemplo é Corrado Passera, executivo-chefe do banco italiano Intesa Sanpaolo, que é o novo ministro da Indústria.

        Portanto, este novo governo italiano é representante do que há demais velho na política italiana: a alternância de uma direita liberal e de uma falsa esquerda completamente burguesa. Ambas alternativas são imperialistas e neoliberais, e ambas já mudaram o nome de seus organizações: o PCI virou PDS e depois Democracia de Esquerda, e a direita típica italiana, que se abrigou em nomes variados como a Democracia Cristã, agora tem seu maior partido no Povo da Liberdade, criado por Berlusconi apenas em 2008, sucedendo o Força Itália, também criado por ele somente em 1994.

        Assim, por mais antipatia e ódio que pessoalmente Berlusconi gerasse, com suas estripulias e riqueza pessoal, Mario Monti, Napolitano e todos os outros são farinha do mesmo saco. São muitos partidos e novos nomes, mas a política burguesa de ataque aos trabalhadores é sempre a mesma. A Itália precisa romper com isso, e de uma alternativa nova a partir das ruas, expressa nas greves gerais e manifestações que nos últimos meses ganharam mais corpo. Estas lutas, além de negar o que não presta, tem que forjar uma nova direção.

 Somente por obra dos próprios trabalhadores será possível romper de fato com o que a maioria da população não suporta mais e com os novos planos de “austeridade” de Monti, baseados em corte de salários e direitos, aumento de impostos e da idade para a aposentadoria.

 

 

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