Publicado em 22/09/2008

EVO MORALES TRAI O POVO BOLIVIANO E FORTALECE A DIREITA GOLPISTA

Poucas vezes o debate sobre o caráter do governo Evo Morales foi tão favorecido como nesse momento. As últimas semanas de conflito social aberto na Bolívia trouxeram lições importantes pro movimento de massas a nível mundial. Mais uma vez, o governo de Frente Popular traiu os trabalhadores, dessa vez concedendo todas as reivindicações da direita pró-imperialista, que se levanta contra as massas e o governo boliviano.

Desde o início do novo século, a Bolívia já passou por diversas situações revolucionárias. A eleição de Morales em 2003 é produto de um desses processos, onde as massas lutavam contra os governos neoliberais, fantoches dos EUA. Desde sua eleição, o governo é pressionado pelo movimento de massas a dar passos de enfrentamento com o imperialismo. Por isso foi obrigado a nacionalizar algumas reservas de petróleo, implementar programas assistenciais, e reformar a constituição, para aumentar a intervenção do Estado na Economia e dar mais poder à maioria indígena do país. Nesse sentido, o que existe de progressivo na Bolívia é a luta dos trabalhadores, que exige do governo uma resposta, ainda que nos marcos do capitalismo. Porém, justamente por isso, pelo fato de Evo Morales estar comprometido com a burguesia e ser incapaz de avançar nas transformações sociais expropriando a elite do país, é que o governo é reacionário e impede que as revoluções e as lutas do povo boliviano libertem o país da exploração e miséria capitalista.

A LUTA DE CLASSES MAIS ACIRRADA

A luta de classes na Bolívia se radicalizou nesse último período. O último referendo revogatório confirmou Evo Morales no governo e todos os governadores dos departamentos, com exceção de Cochabamba, onde os governistas ganharam. Com isso, tanto os departamentos da Meia-Lua, controlados pela direita golpista, como os departamentos pró-morales foram legitimados pela população. A direita da Meia-Lua, através disso, intensificou suas mobilizações contra o governo, exigindo mais autonomia, o fim do recolhimento do imposto do gás IDH, que era revertido pelo governo federal para um programa de auxílio a idosos, e a suspensão do referendo sobre a reforma constitucional proposto por Morales.

Esse processo se transformou em um verdadeiro início de guerra-civil, onde bandos fascistas como em Pando e Santa Cruz, através da União da Juventude Cruceñista (UJC), ocuparam prédios públicos, instalações de gás e mataram cerca de 30, entre camponeses e civis. Por outro lado, camponeses e trabalhadores dos próprios departamentos da Meia-Lula se armavam e organizavam grupos de resistência aos bandos fascistas.

CAPITULAÇÃO

Foi nessa situação, de aumento dos enfrentamentos entre a direita e o povo boliviano, que ocorreu a reunião chamada pela presidente chilena, Michelle Bachelet, em Santiago do Chile, 15 de setembro, e o governo aceitou todas as exigências dos líderes da Meia-Lua.   

Evo Morales já é o responsável pelo fato de a direita seguir organizada na Bolívia, por não ter dirigido as massas em 2003 para a tomada do poder e expropriação das riquezas que hoje são propriedade dos golpistas. Além disso, mesmo que o imperialismo precise de governos de Frente Popular em todo o continente, para melhor explorar as massas, o governo boliviano é frouxo e vacilante, fazendo com que setores da burguesia não confiem na sua capacidade de manter a situação sob controle e queiram recuperar o poder para si novamente.   

Agora, esse acordo entre o governo e a direita significa um banho de água-fria nos trabalhadores que lutam contra os golpistas em defesa do governo. Já os bandos fascistas saem mais fortalecidos e com mais moral desse processo, pois já tiveram suas exigências atendidas e agora vão continuar na ofensiva para impedir que o governo dê passos à esquerda, em direção as reivindicações do movimento de massas.

Por isso, mais do que nunca, a derrota da direita pró-imperialista na Bolívia passa por construir uma direção revolucionária, independente do governo Morales e travar uma luta coerente contra a direita da Meia-Lua e em defesa dos interesses dos trabalhadores e do povo boliviano.

 

 

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