E Hugo Cávez se Cala!:
Em recente encontro com o Rei da Espanha, Chávez recebe camisa do "¿Por qué no te callas?" e dá como presente petróleo a preço de banana para a espanha.
Na sexta-feira, dia 5 de julho, o rei Juan Carlos I da Espanha e o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, se reencontraram pela primeira vez após o incidente do "¿Por qué no te callas?" envolvendo os dois na cúpula Ibero-americana em Santiago do Chile, em novembro de 2007.
Hugo Chávez foi ao Palácio Marivent, residência de verão dos reis da Espanha em Palma de Mallorca, pouco antes das 11h30 (6h30 no horário de Brasília), uma hora depois do previsto, para se reunir com o monarca espanhol. Durante o reencontro os dois se cumprimentaram e trocaram tapinhas nas costas. O presidente da Venezuela fez questão selar as pazes com o Juan Carlos, o qual havia chamado de fascista no encontro anterior. Chávez perguntou ao rei: "por que não vamos à praia?", após comentar o calor na ilha mediterrânea, que comparou ao Caribe. Como resposta, e também deboche, Juan Carlos presenteou Chávez com uma camiseta ilustrada com a famosa frase "¿Por qué no te callas?" (Por que não se cala?), que estremeceu as relações diplomáticas entre espanhóis e venezuelanos. O presidente venezuelano contou que pediu a seu "amigo Juan Carlos de Borbón" um "dinheirinho" pelos direitos autorais de propriedade intelectual gerados pela famosa frase, já que foi mérito dos dois. Completou ainda que a frase na época causou "furor", mas agora ficará na "lembrança", para rir por toda a vida cada vez que for lembrada.
Além de se curvar ao Rei da Espanha Chávez ainda presenteará a Espanha vendendo barris de petróleo por US$ 100
Outra demonstração de amizade dada por Hugo Chávez a Juan Carlos é o acordo feito entre os dois países onde a Venezuela venderá à Espanha cerca de 10 mil barris de petróleo diários, a 100 dólares cada, em troca da importação de material médico e de outros bens. Chávez destacou que o acordo foi acertado durante sua reunião com o chefe de governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, na sexta-feira em Madri.
O barril de petróleo era cotado a 125 dólares no mercado internacional na sexta, após atingir os 147 dólares no dia 11 de julho. Chávez anunciou ainda um acordo para ampliar a presença do grupo hispano-argentino Repsol YPF na rica região petroleira do Orinoco. O presidente da Venezuela ainda comentou: "Este petróleo irá para a Espanha, e dou uma boa notícia aos espanhóis: têm garantido por 100 anos o fornecimento de petróleo, porque na Venezuela há petróleo para 200 anos", disse à TVE.
Hugo Chávez: anti-imperialista?
A postura recente de Hugo Chávez vem chocando alguns setores da esquerda, em especial a latino-americana. Isso porque até alguns meses atrás o presidente da Venezuela mantinha um discurso inflamado contra o Imperialismo, contra a exploração da America Latina e seus Hidrocarbonetos pelas multinacionais, a favor das Farc e etc. E agora, em buscando construir uma imagem amigável e confiável para a Burguesia Imperialista, Chávez “virou-se para a direita”.
No recente episódio envolvendo as FARC-EP, o governo da Colômbia e os EUA Chávez se alinhou ao seu grande inimigo, o Imperialismo Ianque, e criticou duramente a guerrilha colombiana, defendeu seu desarmamento e sua conciliação com os EUA e o governo colombiano. No campo econômico promoveu grandes isenções de impostos para a burguesia venezuelana e agora não só pediu desculpas ao rei da Espanha como lhe venderá petróleo a um preço muito inferior ao de mercado, o famoso preço de banana, uma vergonha para um “revolucionário” e “anti-imperilista” como se auto-intitula Chávez.
Mas na verdade Hugo Chávez, embora aparente ter mudado, não mudou em nada o conteúdo de seu governo e de sua política. O que mudou foi a sua relação com o movimento de massas dentro e fora da Venezuela. O presidente bolivariano já não conta com o apoio incondicional de antes. Depois de alguns anos de experiência com o governo de Chávez os trabalhadores venezuelanos já começam a perceber que seu presidente possuí um jeito de governar muito parecido com o de sues antecessores. Embora discurse para “El pueblo”, Hugo Chávez governa para a Burguesia da venezuelana.
A verdadeira face de Chávez vem à tona quando as massas venezuelanas tiveram de protestar e lutar muito até que conseguissem impor o fechamento da emissora RCTV, contra a vontade de Chávez, que manteve a emissora funcionando mesmo depois de esta ter sido uma das principais cabeças do golpe contra seu governo. Depois no processo onde Hugo Chávez tentou promover uma reforma constitucional que pretendia acabar com os direitos democráticos da população e lhe conferir super poderes para governar o país sem oposição, as massas disseram um sonoro NÃO a Chávez, deixando claro que já não estão com ele incondicionalmente. O mesmo aconteceu no episódio da nacionalização da siderúrgica SIDOR, onde os trabalhadores obrigaram o governo a nacionalizar a indústria, o que ocorreu novamente contra a vontade do presidente venezuelano.
Recentemente o episódio envolvendo as FARC da Colômbia desgastou mais um pouco Chávez, que pretendia sair como herói do resgate de Ingrid Bettancourt para ganhar moral com o Imperialismo e com as massas de trabalhadores. Não só ele não conseguiu resgatar Ingrid, como terminou apoiando e defendendo a posição do Imperialismo e do governo colombiano, contra as FARC, mandando as FARC se desarmarem e se entregarem.
Como parte deste processo de desgaste do governo Chávez com as massas na Venezuela e no mundo, Hugo Chávez tem não somente de manter sua política econômica, como avançar na sua implementação. Além disso, ele vem mudando também seu discurso, para buscar agradar mais a Burguesia imperialista. Isso fica claro em sua reconciliação com a Espanha e suas novas medidas econômicas, como a venda de petróleo barato a Espanha e isenções fiscais a burguesia venezuelana, e também no episódio das FARC-EP.
Na Venezuela é preciso lutar contra Hugo Chávez
Os revolucionários não têm nada a saudar no governo Chávez. Pois com ele são os banqueiros e empresários que ficam com a maior parte do que os trabalhadores estão produzindo na Venezuela. Inclusive os Estados Unidos seguem sendo abastecidos pelo petróleo da Venezuela, e também seguem recebendo dividendos da dívida externa, paga por Chávez. E agora a Espanha irá receber o petróleo venezuelano a preço de banana, e em troca Chávez poderá usar a camiseta estampada com o "¿Por qué no te callas?" enquanto fica calado permitindo que a Burguesia e o Imperialismo Europeu e norte-americano, juntamente com a Burguesia venezuelana, exploram os trabalhadores e os hidrocarbonetos de seu país.
Àqueles que diziam que Chávez era melhor que Lula, agora devem estar procurando alguma coisa que tenha sobrado de melhor para defender o presidente bolivariano. O que tem de melhor a Venezuela se comparada ao Brasil é que lá os trabalhadores estão lutando mais do que os brasileiros, inclusive contra o governo de Hugo Chávez. Por isso, Chávez é obrigado a fazer coisas que Lula não faz. Mas, com posturas diferentes, os dois acabam defendendo os mesmo interesses e conteúdo.
Não há saída: para que se consiga mais na Venezuela, só com luta e arrancando do governo. Para que se conquiste o que é necessário e justo, só indo ainda mais além, e derrubando todo e qualquer governo dentro do capitalismo e construindo a Revolução Socialista, e na Venezuela não é diferente. É preciso que os trabalhadores venezuelanos derrotem Hugo Chávez, e a partir de sua luta e organização construam um governo seu juntamente com uma nova sociedade, uma sociedade socialista, onde sejam os próprios trabalhadores que decidam seu destino.