Publicado em 06/01/2012

Um chamado à ação em defesa das revoluções árabes:

Desenvolvamos um comitê de apoio e luta pelas revoluções e preparemos uma viagem à Líbia e ao Egito!

Companheiros,

Há quase um ano, acompanhamos um levante revolucionário sem precedentes no norte da África, protagonizado pelos trabalhadores, pela juventude e por amplos setores populares. Tunísia, Egito, Líbia, Iêmen e Síria... O mundo árabe é sacudido pela onda revolucionária que está pondo abaixo os regimes ditatoriais. Ao mesmo tempo, não temos dúvidas de que as massas norte-africanas não lutam pela democracia como uma concepção abstrata de vida, tampouco são motivadas por questões religiosas. A democracia reivindicada é o direito de que sejam os trabalhadores a governarem a si próprios e controlar os rumos do país. Algo que as democracias burguesas nunca ofereceram nem poderão oferecer em lugar algum.

A Revolução mundial em curso, com epicentro nesta região, é pautada pela necessidade de transformações sociais. É uma revolução, e não pode ser chamada de outra forma, pois questiona todos os alicerces do poder capitalista instituído e coloca a luta pelo poder popular na prática, independentemente de haver uma direção e uma consciência acabada sobre estas tarefas. E suas origens estão na situação de vida dos trabalhadores e na radicalização das massas que nada detêm.

Os povos não aguentam mais conviver com os efeitos da crise econômica, com o desemprego e com a miséria crescente. Por isso, lutam com bravura e heroísmo, e, mesmo mortos aos milhares, mantêm suas marchas, ocupações e greves, avançando cada vez mais em sua organização e consciência política. Pela falta de soluções concretas por dentro das alternativas burguesas, no sentido econômico, social e democrático, acerca de tudo que diz respeito às condições de vida das pessoas e às consignas levantadas pelas multidões, a revolução segue e seguirá em desenvolvimento.

Os governos provisórios ou “transicionais” que se formam na Líbia e Egito são incapazes de solucionar e atender qualquer uma das reivindicações das massas revolucionárias em luta. São governos formados a partir dos escombros dos governos ditatoriais derrubados pela revolução, fortalecidos inicialmente por expressarem a falsa impressão de substituição de Kadafi ou Mubarak, mas extremamente frágeis e instáveis, em função de que são parte da estrutura semifascista de poder imposta durante as últimas décadas, e o ódio popular logo se volta também contra eles.

Não há saída democrática no mundo árabe sem o avanço da revolução. Não haverá o fim do desemprego e da miséria, bem como nenhuma forma de democracia real, se os conselhos populares, as milícias líbias e o povo na Praça Tahrir não tomarem esta tarefa para si. Em suma: não se poderá fazer uma revolução pela metade, ou em etapas. Ou a revolução avança, ou retrocederá. Ou os trabalhadores obtém um triunfo definitivo, ou serão derrotados.

É esta derrota que o imperialismo prepara, através de banhos de sangue mas também da “reação democrática” cooptando lideranças insurgentes e tratando de dar uma saída institucional e por dentro do regime a questionamentos que exigem o fim dos regimes e dos Estados burgueses nestes países, além da queda de seus governos. A pergunta e o desafio do momento passam por decidir “quem governa?”. Os militares, os “democráticos” comandados pela burguesia europeia e norteamericana, ou os trabalhadores e o povo através das organizações construídas durante a luta que derrubou as ditaduras?

Esta luta é difícil e gigantesca, porém necessária! Seu resultado pode e deve determinar os rumos das lutas sindicais, estudantis e populares no mundo todo. A vitória dos egípcios, líbios, sírios e palestinos contra os regimes de fome e repressão será a vitória dos trabalhadores e povos oprimidos em todos os cantos do planeta. Mas esta vitória só se consolidará se expropriar as burguesias nestes países, e romper absolutamente com o imperialismo.

Nesse sentido, seguindo as tradições revolucionárias do marxismo em geral, e do trotskismo em particular, a Corrente Revolucionária Internacional (CRI), formada pelo Movimento Revolucionário do Brasil e pela Convergencia Socialista da Argentina, vem fazendo uma campanha e um chamado ao longo do último período no sentido da solidariedade prática aos revolucionários. Mas defendemos que as iniciativas de defesa dos revolucionários e das revoluções agreguem todos as organizações solidárias às revoluções árabes.

Agora, concretizamos esta política em uma proposta: organizemos uma delegação para ir ao Egito e à Líbia, com o objetivo de prestar nossa solidariedade internacionalista, aprendendo, analisando a situação real, as características e tendências da revolução, e entrando em contato com pessoas e grupos que defendem a continuidade da revolução. O internacionalismo deve-se materializar em atitudes práticas. E, mais do que enviarmos militantes para simplesmente cumprir um papel jornalístico, devemos ter a ousadia e a política de princípio revolucionária, que exigem que se organizem grupos de revolucionários para intervir na revolução.

Sem ter a pretensão de fazer a revolução no lugar das massas, e de substituir o protagonismo e heroísmo dos povos em luta, achamos que é fundamental entrar na guerra que hoje existe sobre qual o futuro dos países onde estouraram as revoluções. Os revolucionários não podem ser meros espectadores da disputa entre diferentes setores burgueses, e precisamos intervir, com o objetivo de colocar nossas forças a serviço da saída por um governo dos trabalhadores, revolucionária e socialista.

Neste mesmo momento, a revolução egípcia segue mostrando sua magnitude e poder, com novos mártires e grandes jornadas revolucionárias, que ameaçam derrubar as Forças Armadas como um todo, após a manutenção da realidade no Egito, mesmo após a queda de Mubarak. Assim, insistimos e reforçamos o chamado às organizações que se reivindicam revolucionárias, em especial a LIT e a UIT, mas incluindo os demais grupos e partidos, a colocarem em prática sua teoria. O processo revolucionário em marcha no mundo árabe exige a dedicação e apoio práticos dos revolucionários de todo o mundo.

Por essa razão, nós da Corrente Revolucionária internacional, estamos organizando uma delegação para viajar aos Egíto e Líbia em janeiro de 2012, para levar nossa cota de solidariedade militante e ajudar a formar a conciência antiimperilialista e socialista das massas dessa região. Convidamos aos companheiros e companheiras das organizações revolucionárias a somar-se a iniciativa, como forma de golpear com um só punho a favor da revolução operária e socialista. Apoiemos a revolução, na prática! Realizemos ações de solidariedade em todo o muno e vamos ao Norte da África para fortalecer a luta dos povos dessa região!

 

 

 

 

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