Chávez mesmo explica: estatiza empresas, mas defende a propriedade privada na Venezuela!
Estatizações a preço de ouro: Chávez estatiza empresas de 3º escalão e pagando fortunas aos donos.
O governo Hugo Chávez, da Venezuela, anunciou uma série de recentes estatizações, entre elas as de 5 empresas metalúrgicas, e de várias companhias de eletricidade, siderúrgicas e bancos. Com isso, o governo Chávez assume principalmente mais algumas empresas pequenas e secundárias, num claro movimento político.
Chávez tomou essas medidas não porque pensa em governar para os trabalhadores, e queira expropriar a burguesia ou grandes empresários. As ações do governo são apenas uma resposta aos trabalhadores que depositaram confiança nele, e que já estão bastante decepcionadas. Chávez é obrigado a falar em socialismo, e dizer ao povo que vai acabar com a miséria e o desemprego porque as massas venezuelanas seguem fortes e permanecem como uma ameaça de luta no país.
Chávez, ao estatizar essas empresas, as anuncia como parte de um plano em direção ao “socialismo”. Mas nenhuma dessas medidas aconteceu por vontade do próprio governo. Quem as arrancou pela força foram os trabalhadores, que vêm ocupando fábricas, fazendo greves e grandes manifestações, e que estão impondo a Chávez que tome algumas medidas, pelo menos para acalmar a população.
Assim, enquanto a classe trabalhadora luta e combate pelo fim da exploração e das multinacionais, Chávez faz o que pode para manter seu prestígio, sem mudar nada de significativo na ordem burguesa. Por um lado, ele estatiza pequenas empresas, muitas das quais insignificantes ou mesmo falidas.
Por outro lado, Chávez compra empresas maiores ,com as quais não tem coragem nem condições de se enfrentar, por verdadeiras fortunas. É o caso, por exemplo, da compra do banco Santander, pelo qual Chávez pagou 1,2 bilhões de dólares, ou da siderúrgica Sidor, que, além de ter sido indenizada em bilhões, manteve 40% do capital na mão dos antigos donos. Nestas condições, as “estatizações” de Chávez são uma furada para os trabalhadores e um ótimo negócio para os burgueses, que acham um comprador no momento em que estão reduzindo seus lucros.
Estas “estatizações”, além disso, não garantem que o povo ganhe nada, nem que os empregados sejam melhor tratados. Isso porque a produção vai permanecer no marco do capitalismo, e submetida aos mesmo interesses de lucro e inserido na anarquia de produção geral do capitalismo. Os salários dos funcionários seguem baixos depois do controle chavista, e por isso várias greves ocorrem, contra Chávez, inclusive.
Do ponto de vista econômico mais geral, o governo de Frente Popular de Hugo Chávez, continuará pagando milhões de juros para a dívida externa, que financia o imperialismo e suas guerras. Chávez também continuará mantendo multinacionais explorando o trabalho do povo e a propriedade privada de meios de produção inalterada. O presidente venezuelano mantém intacto o Estado Burguês e as Forças Armadas da burguesia no seu país.
Chávez é capitalista e inimigo do socialismo!
Por essas e outras, é que Chávez não é socialista, por mais empresas que estatize . Um Estado socialista não se caracteriza pelo número de empresas estatais que existem no seu território, e sim sob o controle de qual classe está a produção, ou seja, se está na mão dos trabalhadores ou da burguesia e seus agentes. Nada disso ocorre na Venezuela e nem em outro país do dito “Socialismo do Século 21”
Caso alguém ainda tenha dúvidas a respeito disso, deixemos que o próprio Chávez fale a respeito. Ele mesmo deixa claro que não é a burguesia que é sua inimiga, mas os trabalhadores e correntes socialistas de verdade, a quem ele chama de extremistas: “Temos que incrementar a estratégia de nossas alianças. Não podemos nos deixar levar pelas correntes extremistas. Não somos extremistas nem podemos ser. Não! Temos que buscar alianças com a classe média, e inclusive com a burguesia nacional.” Esta é a política de Chávez, de colaboração de classes com a burguesia que ele próprio define como golpista e pró-imperialista.
Ele continua: "não podemos ser chantageados por vozes do extremismo, de teses fora de moda, que em nenhuma parte do mundo vão conseguir [ser aplicadas]: a eliminação da propriedade privada... Não, não, não! Essa não é nossa tese. Temos que buscar, mais que isso, as alianças para fortalecer o novo bloco histórico, como chamava Gramsci”. “Não podemos defender teses que fracassaram no mundo inteiro, como isso de eliminar a propriedade privada.” Não se precisa falar mais nada...
Chávez cita o oportunista e revisionista do marxismo, Gramsci, para justificar a mesma tese que deu base ao chamado “eurocomunismo”, e que todos os Partidos Comunistas (stalinistas) seguiram no ocidente. Era a linha social-democrata com roupagem vermelha, e que apoiava Vargas no Brasil, a ditadura na Argentina e assim por diante. Chávez admite: quer e precisa da propriedade privada! E querer expropriá-la, para ele, é algo fora de moda!
Fica então a pergunta: que socialismo mais capitalista é esse que Chávez defende? Ele dá a pista, ao declarar-se admirador do atual presidente da capitalista Bielorrússia, Alexander Lukachenko, que governa o país como um satélite da Rússia de Putin. Diz Chávez, "Lukachenko vem da era soviética, e viu como caiu a União Soviética. E uma das coisas que disse foi: 'os empresários, essa burguesía nacional, temos que tratá-la para que tenha sentido nacional, amor por sua nação e sua pátria, mesmo que sejam empresários e tenham dinheiro. Mas que façam investimentos no país'".
Este é o socialismo fajuto do século 21 de que Chávez fala. Imitar um burocrata saudosista do stalinismo soviético, que restaurou o capitalismo e oprime a população. Os revolucionários precisam derrotar Chávez para garantir o programa que os trabalhadores estão exigindo nas ruas. Mas não adianta pressionar: é preciso derrotar o capitalismo e os burgueses “patriotas” que Chávez defende.
A saída é fortalecer a oposição de esquerda que cada vez é maior, os extremistas nas palavras de Chávez, e impulsionar a luta para a tomada do poder e pela revolução socialista. Se ser extremista fosse isso, então deveríamos todos ser extremistas. Como Lênin e tantos outros socialistas de verdade, e não como os moderados de Chávez, que segue gritando e gritando, mas mantendo a política de joelhos ao imperialismo.
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