Presidente colombiano aceita 7 novas bases militares dos EUA e UNASUL não faz nada
Nas últimas semanas o debate sobre as bases militares imperialistas na América Latina voltou à tona com novas explicações do presidente Álvaro Uribe, da Colômbia, tentando justificar o impossível: a presença de milhares de militares dos EUA em seu próprio território.
Os dois países anunciaram um acordo para que os EUA possam ter mais sete bases militares na região. O fato de o imperialismo ter bases militares espalhadas pela América Latina não é nenhuma novidade. É somente parte da sua política de dominação dos países semicoloniais, como forma de garantir a exploração de mais recursos na região. Na própria Colômbia já existem bases militares dos EUA, mas agora há um salto de qualidade, pois se dá em número e importância política jamais vistos.
Após isso, presidentes de outros países iniciaram um debate, que na aparência vinha no intuito de repudiar esse acordo. Foi chamada uma reunião extraordinária da UNASUL (União das Nações Sulamericanas) para que se pudesse discutir o tema.
“Esquerda” governista sulamericana não faz nada contra bases
Mais uma vez ficou bem claro que existem três tipos de linhas políticas, por parte dos presidentes na América Latina, sobre como se relacionar com o imperialismo, mas nenhuma delas representa os trabalhadores.
Nesse caso, se formaram três blocos: um, encabeçado pelo próprio Uribe, que conta com o apoio de Alan Garcia (Peru), e que defendem com todas as letras a ampliação das bases militares imperialistas na região. Outro bloco, encabeçado por Hugo Chávez (Venezuela), junto com Evo Morales (Bolívia) e Rafael Correa (Equador), faz um discurso agressivo contra as bases. Chávez chega a dizer que a ampliação das bases faz parte da "corrida que tem como objetivo frear a integração regional impulsionada pela UNASUL e pela ALBA (tentativa de bloco político nacionalista-burguês, impulsionado por Chávez)".
Por fim, há o terceiro bloco, que é o da turma do "deixa disso", que se coloca contra bases, mas que aponta como discussão central que nenhum país pode se meter nas questões internas de outros países. Lula, porta-voz desse bloco que conta também com o apoio de Tabaré Vasquez (Uruguai), Michele Bachelet (Chile) e Cristina Kirchner (Argentina), diz que o problema não são as bases em si, mas sim a polêmica que trás essa discussão.
Diante disso, fica explícito que todos os governos da América do Sul são incapazes de defender os trabalhadores contra a escalada de militarização que, se pudessem, Uribe e Obama implementariam na região. Essa realidade só não se generaliza, porque as greves, protestos e revoltas populares impedem que o imperialismo consiga avançar politicamente. Mas,no que depender dos governos de “esquerda” sulamericanos, os Estados Unidos poderiam fazer tudo que quisessem.
Além do entreguismo assumido do bloco de Lula, que vergonhosamente diz “não concordo, mas defendo o direito de vocês trazerem os americanos para a região”, o bloco bolivariano de Chávez também acaba sendo cúmplice do imperialismo. Depois de os Estados Unidos darem num golpe frustrado na Venezuela, e de tramarem contra Correa e Evo, estes países ainda assistiram à invasão de território equatoriano por militares colombianos atrás das FARC, e mais todo tipo de violação da soberania nesta região.
E agora, mais uma vez, os três presidentes só ficam nos discursos. Nenhum deles rompe relações comerciais com a Colômbia nem com o imperialismo norteamericano, como deveriam. Seguem pagando suas dívidas externas, permitindo que a mão-de-obra local seja explorada por empresas dos EUA e assim por diante. O chavismo mostra, sempre que é o caso, que segue apenas sendo um papagaio contra Washington.
Repudiar a militarização latinoamericana
É necessário discutir o que há por trás da ampliação das bases militares imperialistas na América Latina e quais as consequências que isso traz para a classe trabalhadora.
Temos exemplos recentes de qual o objetivo do imperialismo ao impor seu domínio militar sobre alguns povos. O extremo disso foi, e está sendo, visto na guerra do Iraque, onde Bush enviou tropas com centenas de milhares de soldados, e hoje faz com o que o controle do país esteja nas mãos de um governo fantoche dos EUA. Atualmente, Obama faz o mesmo no Afeganistão, deslocando tropas do Iraque e aumentando a ofensiva em mais uma frente.
A desculpa mais que esfarrapada de Álvaro Uribe para justificar a presença de militares dos EUA em seu país foi a de que não são bases dos EUA, e sim colombianas, pois os militares colombianos serão maioria nessas bases. Essa tese é tão ridícula e infantil, que, aplicando este critério de maioria numérica, e não de quem manda, teríamos que dizer que os exércitos são dos trabalhadores, pois a maioria é de gente pobre,que se alista para ter um salário, contra uma minoria de oficiais e militares burgueses.
Acreditar nesse discurso é o mesmo que acreditar que os EUA ocuparam o Iraque matando centenas de milhares de trabalhadores com o fim de promover a paz. Da mesma forma que no Iraque, o propósito de ampliar as bases na Colômbia é o de ter o controle sobre as riquezas, e aumentar o domínio político sob a América Latina.
PELO FIM DE TODAS AS BASES MILITARES IMPERIALISTAS NA AMÉRICA LATINA
É certo que não se vive uma guerra declarada na região, mas existem pequenas demonstrações do que o imperialismo está disposto, vide exemplo de combate às FARC. Essas bases militares devem ser encaradas com o mesmo repúdio que os trabalhadores no mundo todo têm à guerra do Iraque, ou às chacinas promovidas na Palestina. Diferentemente de todos os presidentes, que dizem ser contra essas bases, mas que de prático nada fazem, os trabalhadores precisam repudiar a intervenção dos EUA na região organizando manifestações e atos pelo fim imediato de todas as bases.
É necessário também denunciar o caráter da UNASUL, que o máximo que faz é assinar um documento que contesta o acordo entre EUA e Colômbia. Nenhum destes presidentes dá essas declarações porque tenha algum compromisso com a luta e a necessidade dos trabalhadores. Todos se colocam contra a militarização imperialista, pois existe um sentimento geral em todos os países, de repúdio a mais essa intervenção na América Latina, e no mundo todo. A reação dos governo é somente virtual, e acontece por pressão dos trabalhadores.
Hoje, se hoje Obama consegue ter um relacionamento privilegiado para explorar os trabalhadores de países como Brasil, Bolívia, Venezuela, Equador, etc., isso se dá, não contra os presidentes destes países, mas em acordo com eles. Até mesmo Hugo Chávez, que tenta parecer radical, e uma vez ou outra, expulsa embaixadores, faz um carnaval, etc., não propõe nada de alternativo, e quando propõe são medidas a exemplo da ALBA que nada mais é que uma ALCA (Área de Livre Comércio das Américas) sem a participação direta da burguesia imperialista, dando mais espaço às burguesias nacionais.
Assim como o repúdio dos trabalhadores no mundo todo ajudaram a fazer o imperialismo tomar duras derrotas no Iraque, assim como a classe trabalhadora derrotou a ALCA, é necessário mais uma vez derrotar o imperialismo e suas bases militares espalhadas pelo mundo.
Essa luta deve se dar também contra todos estes governos, que gritam e falam mal do imperialismo mas que, no final das contas, nada fazem para derrotá-lo. Expulsar as bases norteamericanas passa também por derrotar Uribe e as omissas Frentes Populares na América Latina.
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