Publicado em 07/03/2008


Em defesa dos trabalhadores do Equador!
Derrotar Uribe e o Imperialismo norte-americano!

Uribe e Bush são os verdadeiros terroristas!

O Governo da Colômbia de Álvaro Uribe invadiu o território equatoriano e matou cerca de 16 militantes das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), entre eles Raúl Reyes, o segundo principal líder da organização. O assassinato foi diretamente apoiado e organizado pelos EUA, que ajudou o governo colombiano a localizar o acampamento dos militantes que foi bombardeado. Esse atentado está ligado a continuidade do Plano Colômbia, que pretende transformar o país em uma fortaleza militar dos EUA dentro da América Latina. Bilhões de dólares são investidos pelo imperialismo para combater as Farc e o narcotráfico. Se no Oriente Médio a desculpa para ocupar o Afeganistão e o Iraque e tentar obter o controle político e econômico da região foi o combate ao terrorismo, na América Latina, guardadas as proporções, é o combate às Farc.

Esse fato provocou três discussões fundamentais. A primeira diz respeito à soberania dos povos. Nesse sentido o Governo da Colômbia, orientado e dirigido politicamente pelo Governo de Bush, violentou profundamente a soberania do povo equatoriano ao invadir o país sob o pretexto de combater os guerrilheiros.  Por trás desse atentado do governo colombiano estão os planos estratégicos do imperialismo em controlar política e economicamente o continente latino-americano.

O Movimento Revolucionário se coloca incondicionalmente ao lado do povo do Equador e contra o governo de Uribe. A tarefa de todos os lutadores da América Latina é se solidarizarem com os ativistas que morreram nesse massacre e lutar com todas as forças contra os Governos amigos de Bush, que não só abrem as portas para que as multinacionais entrem com tudo em nosso continente como também agem militarmente da forma como manda a casa branca.

A responsabilidade de quem defende a saída diplomática e pacífica para a crise

Mesmo o setor da burguesia que não apóia a ofensiva militar contra os povos da América Latina só o faz no discurso. Lula, por exemplo, defende a solução diplomática e pacífica para essa situação, mas segue enriquecendo muito os grandes empresários norte-americanos, e tem a mesma parcela de culpa em cada um dos planos do imperialismo contra os trabalhadores. Lula é linha de frente na ocupação do Haiti, ajuda a financiar a guerra no Iraque e também faz parte e é cúmplice da política imperialista de invasão do Equador. 

Mais uma vez Hugo Chavez: um discurso e uma prática!

A segunda discussão tem a ver com o papel que Hugo Chavez tem cumprido dentro desse contexto. Logo depois do atentado, o presidente venezuelano, que foi acusado por Uribe de financiar as FARCs, fez grandes denuncias ao governo colombiano e dizendo que lutaria até as últimas conseqüências ao lado dos guerrilheiros, levantando a hipótese de um possível enfrentamento militar entre os países. Chavez deslocou setores da aeronáutica e da marinha para a fronteira da Venezuela com a Colômbia e ameaçou nacionalizar as empresas colombianas no seu país.

O que pretende Hugo Chavez com isso é continuar com sua política de enfrentamento com o imperialismo no discurso e conivência total com este na prática. Todos sabem que o Governo da Venezuela é parceiro econômico das multinacionais norte-americanas, que segue pagando a dívida externa aos grandes banqueiros internacionais e que, nesse sentido, é cúmplice do assassinato promovido por Uribe e o imperialismo. Chavez critica, denuncia e ameaça os imperialistas, porém segue sendo fundamental para que  possam continuar dominando e explorando os povos da América Latina.  Para além do discurso, a prática é o critério da verdade. E na prática Chavez não combate o imperialismo, pelo contrário, o financia! 

O que defendem as FARCs?

         A terceira discussão passa por entender qual a saída para os trabalhadores da América Latina e do mundo se libertarem de fato da exploração capitalista e quais são os métodos de luta adequados para esse objetivo. As Farc possuem um programa político que não contesta o conjunto do sistema capitalista e não aponta para a transformação da sociedade. O que a organização defende são reformas que democratizem esse sistema e que fortaleça a burguesia nacional. Sua principal bandeira é a reforma agrária, visto que na Colômbia as propriedades da terra são muito concentradas nas mãos de poucos grandes latifundiários que, historicamente, se utilizam dos piores métodos possíveis para se apropriarem da terra.  A solução apontada pelas Farc vai no sentido da formação de um governo de unidade nacional (composto com a burguesia) e a construção de um regime democrático (um regime burguês).

            O programa reformista das Farc é posto em prática através do método da guerrilha, isto é, uma atuação política distanciada do movimento dos trabalhadores, que não tem nenhuma ligação com os métodos de luta dos trabalhadores (greves, ocupações, etc.) e que não estabelece uma unidade com os demais setores explorados do movimento de massas. Assim, a guerrilha é caracterizada por ser uma estratégia onde uma vanguarda se lança em uma luta armada para tornar o seu programa uma realidade (no caso, a construção de um governo de unidade com a burguesia).

            O Movimento Revolucionário, ainda que se coloque ao lado dos militantes das Farc contra qualquer ato de violência praticado pelo Governo Uribe e pelo imperialismo, não concorda com o programa e com os métodos da guerrilha.

Concretamente, para derrotar os planos do imperialismo é preciso expropriar sem indenização as multinacionais e parar de pagar a dívida pública. Tudo o que a classe trabalhadora já conquistou e o que precisa conquistar só é possível através de seus próprios métodos e de seu programa histórico, que é a mobilização permanente junto às massas de explorados e a Revolução Socialista que ataque a propriedade privada dos meios de produção, expropriando os grandes latifúndios, as empresas e o sistema financeiro e colocando-os a serviço dos trabalhadores. Somente assim, em uma sociedade que seja dirigida pelos próprios trabalhadores, é possível derrotar os governos “cães de guarda” de Bush e pôr fim à miséria e à exploração que o capitalismo impõe à humanidade.

 

 

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