Publicado em 07/11/2008

Crescem as lutas no Congo

Seguem os confrontos no Congo entre a milícia Mai-Mai, aliada do governo da República Democrática do Congo (RDC), e os rebeldes Tutsis do Congresso Nacional Para a defesa do Povo (CNDP) que acusam o governo de se eleger através de eleições fraudadas e de governar de forma corrupta.

Este conflito no Congo (ex-Zaire) que teve início entre 1998 a 2004 recomeçou agora, depois de que, aparentemente, já havia terminado. O confronto chega a proporções recordes, num verdadeiro genocídio. Neste massacre, o governo criminoso do Congo conta com ajuda internacional de países imperialistas, interessados na riqueza do país, e já matou aproximadamente 3,9 milhões de habitantes, número que perde somente para as mortes cometidas na 2ª Guerra Mundial.

Estes conflitos surgem em um momento de crise mundial, em que cresce o desemprego, o descontentamento dos trabalhadores e, com isso, as lutas e mobilizações. O governo tenta distorcer os enfrentamentos afirmando que a causa é devido a diferenças étnicas e culturais, como se a explicação dos massacres fosse a diferença entre hutus (etnia majoritária) e tutsis. Na realidade, as lutas são por causas econômicas, políticas e sociais contra o governo  corrupto de Joseph Kabila.

Os hutus e tutsi, na verdade, são o mesmo povo. Esta diferenciação foi feita, artificial e arbitrariamente, pelos belgas, que colonizaram a região, para poder dividir e dominar países como o Congo, mas também Ruanda (palco de um genocídio com 1 milhão de mortos em 1994). Os congoleses estão em luta, hoje, porque a vida piorou. Se antes não havia protestos mais massivos, nem rivalidades étnicas, com o aumento das manifestações, o governo e milícias ligadas aos ricos do país, trataram de perseguir minorias étnicas e tentar converter a luta de classes que existe no Congo em uma luta tribal.

Além da população congolesa ser atingida por este conflito armado, causado pela  corrupção e fraude do governo, também sofre com a miséria, falta de saneamento básico,doenças seriíssimas (como a malária, cólera e diarréia).  Essas enfermidades, na realidade atual do mundo, poderiam ser tratadas e curadas com facilidade, mas, infelizmente, este não e o cenário atual do Congo, em que as pessoas vivem abaixo da linha da pobreza. Mas de 50% dos habitantes do país morrem  de causas insalubres, como doenças. Há 2,1 mortes para cada 1.000 pessoas por mês, o que significa mais de 1.700 mortes por dia.

Os trabalhadores e população do Congo só vão conseguir mudar essa realidade quando tomarem o poder para si, criarem um Estado baseado em instituições operárias, com milícias armadas próprias para se defender dos ataques da burguesia.

 O único governo que pode mudar realmente essa situação é um governo dos trabalhadores, organizado por locais de trabalho, escolas, bairros, e que permita que todos decidam sobre os rumos do país. E esse governo só é possível derrotando a burguesia que explora, mata, e dissemina a miséria; ou seja, através de uma revolução socialista.

 

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