Publicado em 13/04/2009

Um aliado que constrange os EUA:

Benjamin Netanyahu assume governo de Israel com discurso radical contra a Palestina

Na terça feira, dia 31 de março, Benjamin Netanyahu assumiu o governo de Israel. Integrante do partido de direita Likud, o conservador passa a comandar o Estado judeu mesmo após seu partido ter sido derrotado nas últimas eleições. O partido Kadima, da chanceler israelense Tzipi Livni, obteve 28 cadeiras, enquanto que o Likud de Benjamin Netanyahu conseguiu 27, no pleito.

A posse de Netanyahu foi fruto de um grande acordo entre os partidos políticos de Israel, construído com a promessa de uma grande quantidade de troca de cargos e dinheiro para atrair aliados. Após perder nas urnas, Netanyahu se viu obrigado a fazer malabarismos para dar espaço no novo governo aos membros mais destacados de seu partido, pois teve de fazer generosas concessões aos principais grupos que apóiam sua coalizão: a extrema direita do Yisrael Beiteinu e o Partido Trabalhista.

Um aliado que constrange

Benjamin Netanyahu é ainda mais radical, no que se refere a agir com mais violência sobre os palestinos na faixa de gaza, do que o governo que o antecede. Sua posição, e conseqüente política, causam um desconforto ao governo dos EUA, em um momento em que a maioria da população mundial se revoltou com o genocídio promovido por Israel contra os palestinos.

Com a forte pressão internacional para que cessem os massacres contra a Palestina, um governo que assuma com a promessa de uma postura mais dura que o anterior prejudica não somente a imagem de Israel como a de seu principal aliado, os EUA de Obama.

O chanceler de Netanyahu, afirmou que o processo de paz em gaza está em um "beco sem saída" e que Israel não tem obrigação de seguir a declaração de Annapolis (2007), promovida pelos EUA, segundo a qual, ambas as partes se comprometiam com "a meta de dois Estados: um palestino e outro israelense". Mas esta medida mesmo se fosse aplicada na pratica não iria funcionar, pois o povo palestino continuaria sofrendo os ataques de Israel que é uma fortaleza armada militarmente a serviço do Imperialismo. 

  A preocupação do EUA de amenizar esta situação é tanta que Obama prometeu fazer da resolução do conflito do Oriente Médio uma prioridade de seu governo. Dois dias depois de sua posse, em janeiro, o presidente norte-americano nomeou um enviado especial para a região. O problema para os EUA não é a política defendida por Netanyahu, mas sim a conjuntura em que ela é assumida pelo novo primeiro ministro israelense.

Obama não está preocupado com a vida ou a defesa dos palestinos, mas sim com a grande rejeição mundial à política genocida de Israel e o apoio dos EUA ao Estado sionista. Obama teme que uma nova ofensiva israelense, militar ou política, contra a Palestina possa gerar uma onda de protestos contra Israel em todo o mundo, e até mesmo estimule e encoraje os povos árabes a lutarem em prol do povo palestino, contra Israel e os EUA militarmente no oriente médio, incendiando a resistência no Iraque e no Afeganistão, por exemplo.

A paz no oriente médio só vira com o fim do Estado de Israel

A defesa do endurecimento da política de Israel contra os palestinos, feita por Benjamin Netanyahu, é mais uma prova de que não existirá paz e muito menos um futuro para os palestinos e demais povos árabes enquanto existir o Estado sionista e assassino de Israel.

A única maneira de conquistar paz e soberania para os povos da região é aumentar a resistência, com o objetivo de destruir o Estado de Israel. Mas para que se avança nesse sentido é preciso que se construa uma organização revolucionaria na Faixa de Gaza e no Oriente Médio, que supere o Hamas e transforme a luta contra o Estado de Israel em uma luta mais ampla contra o poder do imperialismo e em defesa do socialismo. Mais do que isso, essa luta precisa rumar para a construção de uma federação socialista, laica, onde vivam e governem os trabalhadores muçulmanos e judeus.

Nessa luta, somos todos palestinos! 

Pelo fim do Estado de Israel!

Pela construção de um governo laico dos trabalhadores!

Pelo socialismo e a revolução!

 

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