COP-15: nem catástrofes e mortes são suficientes para a burguesia amenizar a destruição
Atualmente , estamos vivenciando as piores e mais trágicas enchentes dos últimos tempos no Brasil , ao mesmo tempo em que a população europeia presencia as piores nevascas dos últimos 40 anos. Acostumamo-nos com manchetes desse caráter nos jornais e na TV, dada a frequência com que têm ocorrido . Tanto no Brasil quanto no mundo, as situações são bastante parecidas .
O efeito da ação do homem leva à degradação da natureza , e acaba causando todas essas consequências . E quem sofre mais com as mudanças climáticas são os países mais pobres , da mesma forma como são também as populações mais pobres dos países ricos .
Diante disso, a ONU organizou sua 15ª conferência sobre as mudanças climáticas, ocorrida em Copenhagen , como expressão dessa realidade preocupante de deterioração ambiental e reações climáticas desastrosas. Apesar de muitas expectativas em torno das discussões que ocorreram , contudo, nenhuma solução foi apresentada , e sequer um relatório ou qualquer tipo objetivo de meta de redução de poluição foi votado .
A conferência já começou de uma equivocada, já que grande parte dos países, e principalmente os dois maiores poluidores, China e EUA, não iriam levar à COP-15 nenhuma proposta de redução de gases causadores do efeito estufa. Inclusive, por muito tempo , foram presenças duvidosas nos debates . Ao final, porém, ambos participaram, mas simplesmente para demarcar sua posição de nada decidir, o que contribui decisivamente para o fracasso da COP-15 .
Durante os dias, foram ouvidos diversos cientistas, que anunciavam o quadro drástico no qual estamos inseridos , através da demonstração inequívoca de que a temperatura está aumentando, e, junto disso, as enchentes, secas e furacões têm tomado rumos catastróficos. Mas isso não foi o suficiente para sensibilizar os líderes que estavam presentes .
A marca registrada dessa da conferência foi a indiferença , tanto naquilo que a ciência há anos já vem anunciando, quanto a todas as populações que hoje morrem pelos efeitos das catástrofes naturais e do descaso de seus governos .
Dessa maneira, a conferência fracassou, e não poderia ser diferente já que os políticos levaram à discussão aquilo que aplicam diariamente em seus respectivos países , ou seja, pouquíssima coisa. Medidas irrisórias, como Lula dizendo que diminui a destruição da Amazônia , foram a regra do debate, sem haver, de nenhuma parte, qualquer compromisso sério e abrangente sobre a redução das emissões de CO2, por exemplo .
Polarização falsa entre duas posições contrárias aos trabalhadores
A recente conferência deixou claro que os governos capitalistas tratam a discussão ecológica apenas como um negócio. Quando prometem se empenhar, o fazem, na verdade, em busca de aumentarem seus lucros , com as "empresas verdes" - aquelas que teriam “consciência ” ambiental -; e fica em segundo plano a degradação da natureza .
Diante do fato de toda a conferência estar indo por água abaixo, sendo que, nos últimos dias, não haviam chegado a acordo algum, Obama , presidente dos EUA , junto de Índia, China e Brasil , propuseram o “Acordo de Copenhagen ”, um acordo que fica muito aquém daquilo que era proposto inicialmente . O acordo seria somente um texto para cumprir tabela, que tira como encaminhamento um fundo de US$ 100 bilhões para ajudar os países pobres a reduzir suas emissões, como, por exemplo , através de projetos visando diminuir o desmatamento .
Esta inusitada aliança dos EUA com países em desenvolvimento, entre eles o Brasil, que vinha sendo bastante crítico dos EUA e "brigava" por metas mais ambiciosas, mostrou que, no fundo, eles são todos iguais. Nem os principais países imperialistas, que são grandes poluidores, nem as semicolônias e países mais atrasados, que querem se desenvolver às custas da natureza, são capazes de impedir o crescimento das emissões tóxicas. Não existe, de fato, diferenças entre os supostos blocos dos desenvolvidos e subdesenvolvidos.
Mesmo que se chegasse a metas concretas, e que se tomasse um rumo diante do objetivo de conter o aumento da temperatura ; mesmo assim, isso não seria garantia de nada. Já é uma tradição dos acordos firmados pela ONU , que não sejam penalizados de forma alguma os países que não os cumprem. Então, mesmo que os EUA assinassem um tratado , caso não viesse a cumpri -lo , nenhuma sanção seria feita . Como nem isso foi votado, segue aberto o caminho da destruição.
O pensamento do país imperialista, e líder em poluição, continua sendo o de não diminuir sua produção industrial a fim de não reduzir suas taxas de lucro . Nisso, em menor grau, dado o menor desenvolvimento nacional, os EUA são seguidos pela mesma lógica de Brasil, China e todos os outros. Portanto, a humanidade continuará a pagar um preço muito caro para a burguesia dos EUA e, marginalmente, dos demais países, continuar sendo o que é .
Apesar de críticas, o rumo segue o mesmo
Discursos com aparência de radicais foram feitos na tribuna da conferência . Todos os países, inclusive aliados históricos do EUA , como Grã -Bretanha, que nas atividades militares norte-americanas usa seu exército com prontidão , através do 1o Ministro Gordon Brown discursaram criticando Obama . Essa é a velha tática de falar publicamente o que as pessoas querem ouvir, concentrando as responsabilidades nos EUA, mas não fazendo nada de efetivo a respeito.
Nenhum país, nem mesmo a Venezuela de Hugo Chávez , ferrenho crítico dos EUA, da boca para fora, se propôs a apresentar uma proposta concreta, o que significaria, independentemente de acordos multilaterais, aplicar imediatamente a redução de CO2, por exemplo .
A própria ONU impede que qualquer medida que não seja consensual seja aplicada , inviabilizando que qualquer coisa seja votada . Dessa maneira, os países que não estão dispostos a procurar soluções sérias acabam fazendo com que se imponham acordos mais amenos e que não dizem nada, demonstrando aos trabalhadores do mundo todo que, se depender de seus governos, que são atrelados ao imperialismo, nada será feito .
A burguesia cava o túmulo da humanidade
O capitalismo , com suas lideranças, demonstra, como de costume, que não consegue resolver coisa alguma , pois mesmo tendo representantes de mais de 150 países, nenhum desses líderes é capaz de dar uma resposta a esses problemas. E tudo isso por um simples fato: a solução para a degradação da natureza é oposta à existência do capitalismo .
Nenhuma organização, nenhum líder por mais radical que seja , e nenhum acordo de cúpula, conseguirá mudar essa realidade em sua estrutura, sem que se proponha a destruir o Estado capitalista .
Uma sociedade em que sua classe dominante, a burguesia, busca somente o aumento de seu lucro é incompatível com a qualidade de vida da maioria da população . Por isso , é corriqueiro vermos notícias de grandes empresas que despejam produtos químicos diretamente na natureza, sem nenhum tratamento prévio , pelo simples fato de que isso representaria um aumento de custo . Milhares de outros exemplos comprovam este caráter predador do capitalismo.
O marxismo chama a isso de "alienação da espécie", pois a burguesia, em defesa de seus interesses de classe, joga por terra a própria manutenção da vida no planeta e da espécie humana como um todo. O capitalismo se caracteriza por uma produção anárquica, seguindo as "leis do mercado". Dessa forma, o desperdício, a superprodução combinada com a escassez, e a falta de racionamento, planejamento e equilíbrio são a marca desse modo de produção.
Mudanças drásticas - aquelas que realmente a humanidade necessita - não serão possíveis por dentro do capitalismo. Somente quando os trabalhadores chegarem ao poder em vários países isso pode se tornar uma realidade . Nesse momento, a classe trabalhadora, com sua solidariedade de classe, e tendo em vista que toda a humanidade corre o risco de vida , devem combater o aquecimento global da mesma forma como combatem a burguesia e seu Estado, causadores da situação atual.
Desenvolvimento com sustentabilidade, só é possível com a expropriação da burguesia, essa classe parasitária que lucra em cima da morte e degradação de milhões de pessoas .
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