ONU vota sanções contra Coreia do Norte. Por unanimidade, imperialismo tenta impedir direito de dominar tecnologia nuclear.
_____O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, comemorou a resolução aprovada por unanimidade pelo Conselho de Segurança da ONU, que, depois de muita pressão, votou punições contra a Coreia do Norte. A alegação dos países que já invadiram a Coréia, massacraram sua população por meio de guerras, assassinatos e bloqueios é que o país quer manter seus testes nucleares.
Junto com Estados Unidos, Japão e Coreia do Sul, o trio que quer a destruição dos nortecoreanos, também os supostos defensores da Coreia do Norte, China e Rússia, votaram a favor de novas sanções, que segundo eles, enviam uma "mensagem forte e clara" a Pyongyang, a capital da Coreia do Norte.
"Atuando unanimemente e aplicando medidas críveis, os membros do Conselho de Segurança (CS) enviaram uma mensagem forte e clara", disse Ban em um comunicado, elogiando a votação do CS. Chega a ser repugnante que um burguês da Coreia do Sul, que só existe porque é sustentada militarmente pelos EUA, que mantêm soldados até hoje em seu território, seja o porta-voz da ONU e de suas “lições” aos nortecoreanos. Ban e o governo de seu país são apenas um setor completamente capacho do imperialismo, que faz da Coreia do Sul um posto avançado, econômica e militarmente, na região.
E o texto da resolução, proposto pela escória moral do mundo, e aprovado por todos os outros países cúmplices, é uma grave agressão ao direito de desenvolvimento tecnológico e de defesa de qualquer país. As medidas significam a ampliação das sanções impostas depois do primeiro teste nuclear norte-coreano, em 2006. A nova resolução autoriza os países membros da ONU a inspecionar carregamentos nortecoreanos transportados por terra, mar ou ar e destruir qualquer material suspeito de estar relacionado a armas de destruição em massa. Isso quer dizer um atentado à soberania de um país independente.
O secretário-geral da ONU, cinicamente, disse ter esperança de que a Coreia do Norte e todos os outros membros da organização "acatem totalmente as medidas estabelecidas" pela medida 1874 do Conselho de Segurança. Essa declaração, carregada de uma chantagem a quem não aceitar a sanção, só pode ser rechaçada e combatida com toda a força pelos trabalhadores.
Pelo direito à autodeterminação dos povos. Pela autodefesa militar e nuclear.
O governo da Coreia do Norte realizou um segundo teste nuclear, conforme a agência estatal de notícias nortecoreana KCNA. A nota foi confirmada por sondagens de aviões espiões norteamericanos e japoneses, que detectaram radiação proveniente do teste. O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS, na sigla em inglês) informou que detectou um sismo de 4,7 graus de magnitude
O governo da Coreia do Norte disse: "De acordo com a demanda dos nossos cientistas e técnicos, a nossa república realizou com sucesso um teste nuclear subterrâneo em 25 de maio [...] como parte das medidas para reforçar sua potência nuclear em autodefesa", através da KCNA, que ainda disse que o teste ocorreu "em um novo nível, mais elevado em termos de força explosiva e de tecnologia de controle".
É evidente que parte dessas notícias é exagerada pelo regime burocrático liderado pelo ditador Kim Jong-Il, que se diz comunista. A Coreia do Norte já fraudou outros testes, como a patética tentativa de maquiar um míssel que não conseguiu sair do lugar, durante lançamento programado meses atrás pelo regime. Dessa vez, também é preciso dar um desconto nas comemorações da Coreia do Norte.
O país provou mais uma vez que detém, de fato, a bomba nuclear, cujo 1º lançamento ocorreu em outubro de 2006 (de onde iniciou a escalada de novas sanções ao país). Por outro lado, a Coreia do Norte não possui ainda (e ainda faltam, com boa vontade, anos de desenvolvimento para isso) condições de fazer da tecnologia nuclear, artefatos que possam equipar mísseis, e que pudessem atingir outros países com estar armas ou bombas nucleares.
A pergunta, então, fica no ar: se o que está em jogo não é a ameaça iminente de um conflito nuclear, o que justifica a “ousadia” da Coreia do Norte, por um lado, e as sanções e revolta do imperialismo, por outro lado? O próprio governo nortecoreano dá uma pista, quando justificou que o lançamento de mísseis e do teste nuclear ocorriam em protesto contra a advertência do Conselho de Segurança da ONU de repreender o país pelo teste de um foguete de longa distância em 5 de abril passado.
Os novos testes da Coreia do Norte são medidas de “resposta” ao imperialismo que estava lhe restringindo envio de verbas e de comércio. Além dos testes, ela expulsou também técnicos da AIEA (agência atômica da ONU) e Pyongyang abandonou Grupo dos Seis (EUA, Rússia, Japão, China e as Coreias), fórum das negociações que culminaram no desligamento do reator nuclear de Yongbyon, em 2007, após o primeiro teste.
Portanto, a política da Coreia do Norte não é rumo à autonomia nuclear e enfrentamento ao imperialismo, mas uma medida de intimidação com o propósito de garantir mais benefícios financeiros das grandes potências. Por isso, depois de exlpodir a primeira bomba, a Coreia do Norte destruiu o reator nuclear e suspendeu qualquer desenvolvimento do setor. O que está em jogo é que preço terá a rendição nuclear e política total da Coreia do Norte, por parte de Kim Jong-Il.
Não podemos aceitar nenhum tipo de punição a um país que compra, desenvolve ou testa armas diante da ameaça imperialista a seu território e habitantes. Essa ameaça, aliás, já foi levada adiante, quando os EUA praticamente destruíram o país durante a década de 50, numa guerra que matou milhares de nortecoreanos. É não só legítimo como necessário que a Coreia do Norte desenvolva e multiplique suas armas nucleares, para poder impedir que seja bombardeada. Só por possuir a bomba atômica e um exército de dezenas de milhões de pessoas, a China não foi atacada pelos EUA. Só por ter milhares de ogivas nucleares a ex-URSS não foi bombardeada pelo imperialismo. Ou seja, neste caso, é se armando que um país consegue evitar uma guerra, ou de ser ocupado.
Neste sentido, além de apoiar a Coreia do Norte no caso de uma invasão, os trabalhadores devem denunciar a política do governo Kim Jong-Il, que não leva a sério o enfrentamento aos EUA. Só os trabalhadores podem impedir um ataque dos Estados Unidos e, para isso, precisam derrotar o governo capitalista e restauracionista de Kim Jong-Il, que governa através de um regime de terror contra a maioria da população, cercado de privilégios, e de olho nas verbas e mesadas sulcoreanas e norteamericanas, prometidas sempre que acena com a desmilitarização.
A China e a Rússia são cúmplices dos Estados Unidos
Todos os 15 membros do Conselho de Segurança endossaram a resolução sugerida por Estados Unidos, Reino Unido, França, Coreia do Sul e Japão para punir a Coreia do Norte pelos testes nucleares subterrâneos realizados no dia 25 de maio e por testes recentes com mísseis.
A medida, que amplia o embargo ao comércio de armas com a Coreia do Norte, foi comemorada também pelo embaixador da China, por exemplo. Zhang Yesui, disse que a resolução demonstra a "firme oposição" do mundo às ambições nucleares da Coreia do Norte. E ainda continuou: "Nós pedimos veementemente que a Coreia do Norte honre seu comprometimento de desnuclearização, interrompa qualquer ação que possa piorar ainda mais a situação e retome as negociações (para seu desarmamento nuclear)". É uma vergonha!
Zhang disse ainda que a resolução é "apropriada e equilibrada", numa demonstração que também a China é uma semicolônia, que não sabe dizer não aos Estados Unidos.
Por sua vez, o embaixador russo na ONU, Vitaly Churkin, disse que os testes norte-coreanos colocaram em risco a segurança e a estabilidade da região. “As resoluções do Conselho existem para serem respeitadas", disse Churkin, que completou dizendo que ser ameaçada "não é uma justificativa para que a Coreia do Norte realize testes nucleares e lançamento de mísseis balísticos. Isso está claro". Que vergonha, novamente.
O oportunista e pró-imperialista representante russo elogiou os terroristas dos EUA, Japão e a Coreia do Sul, se identificando com eles: "compartilhamos a frustração e a preocupação que a Coreia do Norte criou com suas recentes atividades". E seguiu: "Impor sanções não é algo que tenhamos escolhido, mas é preciso enviar uma mensagem política e também é preciso tomar medidas, porque há um risco de proliferação nuclear". A Rússia que antes falava alto contra os EUA, hoje é uma piada. Aceitou, humilhada, o escudo antimísseis dos EUA no leste europeu, está falida depois da crise econômica e agora ainda serve de testa de ferro do imperialismo para agredir um país que se achava seu protegido.
Só nos resta concluir que, fora do campo da revolução socialista, eles são todos iguais. Não há saída independente, democrática ou nacional, que possa existir por dentro do capitalismo. O imperialismo, fase superior do capitalismo, se caracteriza por uma realidade de superconcentração burguesa e agudização da luta de classes. O que ocorre hoje na Coreia do Norte só confirma isso tudo: a necessidade de uma nova Revolução socialista, dessa vez dirigida por uma organização baseada no poder proletário e não da burocracia, para salvar não apenas os trabalhadores da Península Coreana de um massacre, como da barbárie a qual o capitalismo se dirige.
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