Crise econômica ataca Correios dos Estados Unidos
Não é novidade alguma que várias empresas estão sofrendo com a crise econômica, incluindo várias de grandes nomes, como a GM, empresa que já foi a maior montadora automobilística do mundo, e que agora esteve à beira da falência, e precisou ser estatizada. Nem mesmo empresas estatais ficam fora disso, e esse é o caso da United States Postal Service.
A USPS se trata do Correio norteamericano, e, mesmo tendo o monopólio de algumas formas de correspondência, está vendo sua receita cair bruscamente. Somente esse ano, devido à baixa de envio do tipo “first-class”, a estatal deve perder em arrecadação 617 milhões de dólares.
A maior parte da receita da USPS advém de serviços prestados a empresas, num montante que chega a 95% da arrecadação da estatal. Porém, devido à crise, seus clientes estão com negócios em baixa, fazendo com que envie menos correspondências. Inclusive empresas obrigam seus consumidores a se comunicar via internet, e não mais com impressos; usa-se mais e-mail e se economiza com o serviço postal.
Os números negativos não param por ai. A empresa passa pelo seu pior momento financeiro de toda História, sendo que o rombo esse ano deve chegar a US$7 bilhões. Diante disso, a USPS já procura alternativas para se manter no mercado, obviamente sempre contra os trabalhadores, conforme a política neoliberal de Obama.
Inclusive, a empresa teve que abrir mão de parte do seu patrimônio, privatizando parcialmente um serviço dos trabalhadores, e diminuindo o atendimento de parte dos serviços, como o funcionamento das agências, que agora passam a funcionar somente cinco dias por semana, ao contrário de outros momentos, em que funcionavam seis dias.
E vale tudo para tentar manter a receita da empresa norteamericana. John Potter, atual presidente dos Correios sugeriu ao congresso a "modernização e reestruturação" da empresa, da mesma forma que Lula e o ministério das comunicações estão fazendo no Brasil, o que é um nome ameno para falar que o serviço vai piorar e vão haver demissões. Assim, a UPSP vai entrar em outros serviços, como atividades como pagar contas e tirar carteira de motorista, colocando maiores encargos aos funcionários, sem mudar nada da remuneração.
Privatização e demissões são a receita de Obama
Mas a empresa já demonstrou sua forma preferida de tirar o pé da lama. Assim como todos os setores da burguesia fazem para manter sua taxa de lucros, foram os trabalhadores que pagaram a conta. A empresa, além de reduzir seu funcionamento, já retirou as horas extras de funcionários, que garantiam uma engordada nas folhas de pagamento; e trabalhadores temporários foram demitidos.
A USPS, que tinha um contingente de 803 mil empregados, hoje trabalha com 630 mil trabalhadores, tendo demitido mais de 170 empregados! Seu objetivo final é ainda pior, e pretende atingir os 550 mil funcionários, colocando no olho da rua ainda mais 80 mil empregados.
Apesar dos governos em geral, incluindo Obama e Lula, dizerem que o pior da crise econômica já passou, quando se observa um projeto como o dos Correios, dirigido pelo próprio presidente americano e sua equipe, se vê que não passa de história essa estabilidade econômica, principalmente para esses 80 mil trabalhadores dos correios que estão prestes a serem demitidos.
Não há setor econômico que hoje possa se dizer estável, tanto nos países ricos como os EUA, ou pobres como o Brasil. Hoje estamos às vésperas de uma possível greve dos trabalhadores em correios brasileiros e vemos que a situação para os trabalhadores em correios dos EUA não é nada diferente. Por isso a única saída é a luta, indo ate as últimas consequências.
Já que os trabalhadores não têm garantia alguma do seu futuro enquanto a burguesia comandar todos os setores econômicos, é preciso derrotar os patrões e os governos, em defesa de um serviço postal de qualidade e acessível aos trabalhadores, que respeite os direitos dos funcionários e não explore os clientes. Por isso nós do Movimento Revolucionário fortalecemos a luta dos trabalhadores, para que derrotem Obama e seus projetos de demissão e manutenção do capitalismo. E a partir dos organismos dos trabalhadores se construa uma sociedade socialista, onde não haja ameaça de demissão e em que o controle dos trabalhadores sobre a produção seja uma realidade estendida a todas às empresas e setores da sociedade, que deve ser governada por aqueles que trabalham.
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