EUA em crise anunciam cortes militares de mais de 450 bilhões de dólares!
O secretário de Defesa americano, Robert Gates, anunciou, como porta-voz do presidente Barack Obama, uma série de cortes em áreas do orçamento do Pentágono, com o objetivo de economizar recursos de um orçamento falimentar de um país afundado em dívidas.
Após o anúncio de Gates, Obama reafirmou a medida em entrevista no Pentágono, e deve cortar, entre outros, um dos 10 maiores comandos militares dos Estados Unidos, o Joint Forces Command (Comando das Forças Conjuntas), que possui 2,8 mil funcionários civis e militares e 3 mil terceirizados. O comando, com sede no Estado da Virgínia, é responsável por treinar tropas de diferentes serviços militares americanos, que agora serão bastante precarizadas.
Ao total, serão reduzidos 10% dos gastos com serviços terceirizados em 2012, o que, longe do que possa parecer – que são apenas serviços secundários – afeta setores essenciais, incluindo contratos relacionados a serviços de inteligência.
Ao longo dos próximos dois anos, serão extintos até 50 cargos de generais e almirantes, além de 150 postos civis de alta hierarquia no Pentágono. Entre os soldados, serão dezenas de milhares a menos.
O orçamento militar do país é atualmente de cerca de US$ 700 bilhões (cerca de R$ 1,23 trilhão). Em meio à estagnação econômica, Obama não tem opção que não seja contrariar parcialmente os interesses da indústria armamentista, e vai cortar, num plano de 10 anos, mais de 450 bilhões de dólares, uma decisão tomada, não por acaso, logo em seguida da expulsão das tropas invasoras do Iraque e de sua derrota explícita no Afeganistão.
Ao implementar estes cortes, Obama apenas efetiva uma pressão cada vez mais forte das ruas, que exigem que não sejam os trabalhadores a pagar pelos efeitos da crise e sim os ricos e seus gastos militaristas. No entanto, os cortes de Obama ainda não são nada perto da necessidade de acabar com todos os gastos militares do imperialismo e canalizar os recursos do orçamento para a saúde, educação, habitação e geração de emprego em áreas que sejam de interesse social à maioria da população.
Obama é incapaz de atender qualquer destas necessidades e corta verbas bélicas apenas para satisfazer o setor burguês que lhe sustenta, escolhendo alguma área do governo para reduzir seu financiamento, enquanto os trabalhadores pagam o grosso da crise, com despejos, pobreza e dívidas impagáveis.
Os trabalhadores precisam seguir mobilizados e derrotar Obama e seus falsos adversários do Partido Republicano, todos comprometidos com a manutenção da máquina de guerra imperialista. Se a medida de Obama expressa, mesmo que com interesses próprios e oportunistas, um recuo dos EUA, por conta de seu inegável declínio financeiro e militar, a hora é de pressionar ainda mais e obrigar o fechamento de todas as bases e campanhas militares no exterior; assim como o fim de todos os recursos das Forças Armadas, usados como munição para reprimir revoluções e protestos no mundo inteiro.
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