Publicada em 08//01/2010

Venezuela no escuro: cortes, blecautes e restrições no fornecimento de energia.

        Desde o ano passado, o governo da Venezuela vem tendo dificuldades em fornecer energia à população. Blecautes e cortes vêm acontecendo com frequência. Desde que começaram os cortes, Hugo Chávez passou a dizer que o país vive à beira de um colapso de falta de energia (apesar da Venezuela ser um dos maiores produtores de petróleo) e, com isso, justifica os cortes sistemáticos no fornecimento.

Chávez chegou a recomendar que as pessoas não cantassem no chuveiro, e que 3 minutos é o suficiente para um banho. Isso é uma piada com os trabalhadores! Chávez tenta esconder que esses blecautes e cortes de energia acontecem depois de ele estar há anos na presidência do país, e ser o culpado pelo apagão, que revela o sucateamento da infraestrutura do país. Só o fato de ter chegado a esse ponto já prova o quanto esse governo é incapaz de garantir o mínimo que seja.

        Mas a grande justificativa e explicação do governo venezuelano pela escassez de energia foi jogada sobre a natureza, afirmando que são consequências do fenômeno El Niño que atinge a região os motivos. É certo que o capitalismo destrói a natureza, e que os efeitos climáticos, naturais ou causados pelo sistema econômico, podem afetar a disponibilidade de recursos, mas é certo também que Chávez "força a barra" em atribuir a causas "históricas e globais" o fracasso que seu sistema elétrico está demonstrando.

        Diante disso, o governo implementou um decreto onde restringe o consumo. Nos centros comerciais, o período de fornecimento é das 9:00 às 20:00. Além disso, em algumas mineradoras estatais, a produção foi cortada em 50%. Também a Sidor, maior produtora de aço da América Latina, já está operando sem usar toda sua capacidade.

Os trabalhadores é que acabam pagando mais essa conta

         Grande parte do consumo de energia é de indústrias, só as que pertencem ao governo são responsáveis por ¼ do consumo. Para a população que usa energia em casa e que pagam contas bastante altas os cortes acontecem com maior intensidade, com hora marcada e tudo.

O resultado do apagão de Chávez é o desconforto à população, insegurança e colapso produtivo, por meio de uma ação atrapalhada e que revela a falência do modelo de investimentos chavistas, sustentados num petróleo cujo barril custava mais de US$ 150, e hoje caiu à metade disso.

Que se ampliem os protestos contra Chávez!

       Esse total descaso do governo vem gerando revolta entre os trabalhadores, que já realizaram protestos contra os cortes.

      Para resolver o problema de escassez energética, só com investimentos massivos em tecnologia e infraestrutura, o que, mesmo assim, poderia resolver a questão durante apenas alguns anos. A longo prazo, só por meio de uma economia onde a produção esteja direcionada ao necessário ao ser humano, de forma planificada e sem desperdícios, é possível não destruir o meio-ambiente e ter energia para todos.

       A Venezuela, um país rico em petróleo, passa por uma situação vexatória, mas, ao mesmo tempo recorrente dentro do capitalismo. Sua riqueza segue servindo para financiar a burguesia internacional, enquanto nem mesmo as necessidades mais básicas dos trabalhadores são garantidas.

 

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