Publicado em 24/02/2010

Costa do Marfim: protestos se ampliam e instabilidade política aumenta.

        A Costa do Marfim é um país que tem uma história recente de conflitos acirrados e radicalizados. Nos últimos dias, a instabilidade voltou a tomar conta do País. Manifestantes do oeste incendiaram um prédio do governo local no dia 16 de fevereiro, durante manifestação contra o processo de registro dos eleitores para as eleições, já muito atrasadas.

A radicalização dos protestos foi tamanha que os mais de mil manifestantes nas passeatas incendiaram a sub-Prefeitura e também tentaram queimar a Câmara Municipal. As passeatas têm irrompido quase diariamente no maior exportador mundial de cacau, desde que o presidente Laurent Gbagbo dissolveu o governo e a comissão eleitoral, que estava encarregada de organizar as eleições presidenciais.

        Depois de muitos anos, a saída da democracia burguesa se mostra também ineficiente e incapaz de proporcionar qualquer mudança na vida dos trabalhadores marfinenses.

Uma história de golpes, traições e lutas

        Para entender este processo, é necessário compreender um pouco mais a História recente do país. De 1960 a 1990, o único partido legal era o Partido Democrata da Costa do Marfim, alinhado à política da Europa Ocidental, ou seja, diretamente ligado e capacho do imperialismo. Na década de 70, este partido e o governo, junto com os EUA, tiveram interferência direta na aplicação do Apartheid na África do Sul.

       Somente na década de 90, outros partidos foram legalizados, mas ainda assim o presidente Houphouët-Boigny foi reeleito para um sétimo mandato, deixando a presidência apenas com sua morte, em 1993. Após isso, assumiu o cargo o até então presidente do Parlamento, Henri Konan Bédié, que foi deposto mais adiante, em um golpe organizado pelo general Robert Guel.

Depois dessa experiência, os protestos e manifestações se ampliaram assustadoramente, levando a que o líder histórico da oposição no país, Laurent Gbagbo, fosse eleito. Em 2002 estes protestos se radicalizaram ainda mais, fazendo com que Robert Guel, o militar golpista, fosse assassinado em uma destas manifestações.

 Só com o socialismo e a revolução pode haver democracia de fato.

        Esse últimos anos foram um dos períodos mais turbulentos da Costa do Marfim, iniciando uma guerra que até hoje deixa marcas. O país ficou dividido: de um lado a população insurgente que tomava controle do país, e de outro o imperialismo e a ONU, com mais de 10.000 capacetes azuis, vindos principalmente da França.

Até hoje, a ONU tenta disfarçar sua dominação flagrante, através de acordos de "paz", se utilizando da colaboração com a oposição. Assim, desde 2003 se estabeleceu um governo de unidade nacional, ou seja, com integrantes tanto do imperialismo diretamente, quanto do setor daquele que posava como herói, Laurent Gbagbo.

        Agora, depois de anos de mentiras e ataques de Gbagbo, a revolta toma conta do país, fazendo com que, mesmo que inconscientemente, a população questione o modo de produção capitalista e o imperialismo como um todo, ao rejeitar todas as alternativas burguesas.

A saída apresentada por quem explora os trabalhadores marfinenses se demonstrou um fracasso, em suas duas vertentes, e incapaz de se sustentar. Todas as lideranças do país estão sendo questionadas e começa a entrar em cena a luta da classe explorada, se utilizando de métodos radicais, como queima de carros, ateamento de fogo em prédios públicos, etc.

O Movimento Revolucionário entende este processo como expressão da radicalização das lutas no mundo todo, que dão exemplo da necessidade e possibilidade de se construir outro tipo de sociedade. A sorte da Costa do Marfim depende de que os trabalhadores tomem o poder, expulsando o imperialismo e os traidores do país. Só com ampliação das lutas e de uma revolução socialista é possível resolver esse impasse histórico, e é disso que depende a vitória dos trabalhadores na Costa do Marfim.

VOLTAR

 
Notícias Relacionadas

• Volkswagen e Porsche; Fiat e Chrysler; Renault e GM: Crise estimula fusões na indústria automobilística.

• Governo do Sri Lanka massacra população que luta por independência do Eelam Tamil!

•Fernando Lugo assume paternidade de criança de 2 anos e mostra que seja como presidente, seja como bispo, sempre agiu contra os explorados e oprimidos

• GM está próxima de pedir concordata! Obama exige que empresa se divida em duas: Uma falida, com as dívidas trabalhistas e financeiras, e outra com o lucro e o patrimônio da GM

• O leste europeu 20 anos depois da queda do muro: Geração pós-queda do muro de Berlim diz não ao capitalismo no Leste Europeu

• Crise põe PIB mundial em queda livre: Pela 1ª vez, economia mundial deve ter recessão anual

• Uruguai aprova o direito à eutanásia!