PREJUÍZOS HISTÓRICOS
A economia capitalista atravessa uma das piores crises de sua história. A bolha imobiliária que estourou nos EUA contaminou o conjunto do sistema financeiro do império e do mundo inteiro. Para além da crise nas bolsas de valores, a economia real está se desmoronando e a recessão econômica (quando o PIB deixa de crescer) já é realidade nos EUA, na Europa e na Ásia.
Os prejuízos com a crise já são gigantescos. As principais companhias imobiliárias dos EUA, Freddie Mac e Fannie Mae, tiveram de ser socorrida pelo governo Bush. O banco Lehman Brothers faliu e passou a ser controlado pelo governo. A maior entidade financeira da historia do país, Washington Mutual também foi estatizada. A maior seguradora do país, a AIG, foi socorrida com 85 bilhões de dólares.
E assim, com diversas iniciativas envolvendo centenas de bilhões de dólares, os bancos centrais dos principais países imperialistas tentam evitar o agravamento da crise. Porém, o cenário segue piorando. Nem mesmo o pacote de 700 bilhões de dólares aprovado por democratas e republicanos foi suficiente. O início do mês de outubro foi um dos piores da história. As bolsas acumularam perdas praticamente todos os dias do mês, em todo o canto do mundo. Na Europa e no Japão importantes bancos e seguradoras faliram e foram socorridos ou comprados pelos governos.
O FIM DO NEOLIBERALISMO E DO MITO DO CAPITALISMO ETERNO
O mais importante nessa crise, do ponto de vista político e ideológico, é a derrota de todo o discurso propagado desde o fim do leste europeu a respeito de um capitalismo vitorioso, eterno e inquebrável. Além disso, mais uma vez na história, cai o mito do livre mercado, da não intervenção do Estado na economia, um dos pilares do neoliberalismo. A solução apontada pelo capitalismo em 2008 é a mesma da utilizada em 1929, porém, ainda mais expressiva. Dessa vez, o Estado, além de intervir no mercado, está estatizando setores importantes do sistema financeiro.
Entretanto, o capitalismo é incapaz de solucionar a crise, pois o problema é estrutural do sistema, ainda que possa ser agravado ou amenizado conjunturalmente. As crises no capitalismo são cíclicas, ou seja, oscila entre períodos de crescimento e recessão. Mas do ponto de vista da estrutura do modo de produção, as forças produtivas já se esgotaram. O avanço da técnica já não significa mais melhoria na qualidade de vida da humanidade, e o próprio avanço da ciência e tecnologia é freado em função dos grandes monopólios e da falta de poder aquisitivo da população. Além disso, em função da anarquia da economia capitalista, sempre chega um momento onde existe mais produção do que consumo, fazendo com que os preços despenquem e os burgueses diminuam a produção, com cortes de salário, direitos e demissões.
QUE OS RICOS PAGUEM PELA CRISE!
PELO SOCIALISMO E A REVOLUÇÃO
Como em toda a crise, os governos e a burguesia mundial fazem de tudo para salvar seus lucros e jogar todo o prejuízo nas costas dos trabalhadores e das populações mais pobres. Assim, não faltam iniciativas e verbas para pagar indenizações bilionárias à proprietários de bancos falidos, porém os governos e os patrões não hesitarão em cortar salários, demitir e retirar direitos históricos. Nesse sentido, a realidade tende a ficar ainda pior para a maioria da população mundial no próximo período. A recessão econômica irá agravar todos os problemas sociais, do emprego, salário e condições de vida, como a violência, saúde e educação. Já começam a ocorrer protestos em países europeus contra os gastos bilionários dos governos com os banqueiros falidos. No próximo período, a situação revolucionária a nível mundial deve se aprofundar em todos os cantos do planeta.
Inclusive, em países onde os conflitos de classes não estão tão violentos e generalizados, como no Brasil, a situação deve se radicalizar no próximo período. A crise já chegou ao país e os primeiros sintomas estão no aumento do custo de vida, com o crédito mais caro e a inflação em alta. Além disso, Lula já voltou a discutir a necessidade da reforma trabalhista, que retira direitos como 13º, férias, etc., e anunciou que deverá cortar investimentos sociais e reduzir gastos. Isso significa menos verba para saúde, educação, salário e emprego.
Nesse sentido, a única arma que os trabalhadores possuem para se preparar contra os efeitos da crise é fortalecendo as lutas em curso, como as campanhas salariais e as greves de trabalhadores, para conquistarem reajustes salariais que reponha a inflação e as perdas históricas.
Cada uma dessas lutas deve estar ligada a uma luta muito maior, que tem a ver com a luta pelo socialismo e a construção de uma economia planificada. Diante da crise, a saída deve ser a estatização, sem indenização, de todo o sistema financeiro e as grandes empresas, sob controle dos trabalhadores. Os bens dos burgueses responsáveis pela crise devem ser confiscados pelo Estado socialista, apoiado nas organizações democráticas dos trabalhadores e da população.
O fato de as crises do capitalismo serem inevitáveis não significa que a sua destruição também é. A superação desse sistema e a construção do socialismo dependem da ação social humana. Nesse sentido, toda crise histórica da humanidade, como dizia Trotsky, depende da existência de uma direção revolucionária, capaz de dirigir as luas das massas para a revolução socialista.