Desemprego em massa no coração do capitalismo
Depois de estraçalhar a s ações de milhares de empresas ao redor do mundo, provocar caos no sistema financeiro, falências e fusões, a crise econômica mundial atinge em cheio o emprego dos trabalhadores em todo o mundo. Em função dos salários mais altos e de estarem no centro do furacão da crise, são os trabalhadores dos países mais desenvolvidos do capitalismo quem mais sofrem as conseqüências, neste momento.
Nos Estados Unidos, um quarto das empresas prevê demissões nos próximos 12 meses. De 248 empresas consultadas em outubro, 26% previam demissões e 25% antecipavam a suspensão de contratações. Isso significa mais da metade já admitindo crise no emprego.
O número de trabalhadores demitidos nos Estados Unidos no acumulado do ano de janeiro a outubro atingiu 1,750 milhão de pessoas, o maior número de dispensas em seis anos, segundo o Departamento do Trabalho.
Em Setembro, foram 235.681 trabalhadores demitidos, sendo 2.269 episódios de demissões em massa, ou seja, quando as empresas demitem 50 pessoas ou mais de uma só vez. As dispensas realizadas em setembro foram as maiores desde a passagem do furacão Katrina, em agosto de 2005.
Em Outubro, foi ainda pior, com 240 mil novos desempregados. Somente a construção civil demitiu 49 mil pessoas. Em percentuais, o desemprego subiu de 6,1% em setembro, para 6,5% em outubro. Sendo que estes números desconsideram os imigrantes ilegais e o subemprego.
O Departamento de Trabalho dos EUA informou que os pedidos de Seguro Desemprego aumentaram de 15.000 para 478.000 na última semana de Outubro. Um ano atrás, os pedidos estavam, no total, em 333.000.
Para materializar a dimensão destes cortes, é importante conhecermos seus efeitos sobre empresas tradicionais, com os desempregados de cada uma delas:
Chrysler (1.825 demissões); Goldman Sachs (10% de seus funcionários, aproximadamente 3.300 empregos); a empresa de biotecnologia Maxygen (30% de sua força de trabalho); Janus Capital Group ( 9%); Xerox (5% de seus funcionários, ou 3.000 empregos); a produtora de equipamentos de mineração, Terex Corporation (centenas de trabalhadores); A Fidelity National Financial Inc. (1.000 empregos e diminuirá o salário dos que ficarem em 10%); O conglomerado financeiro, Popular Inc. (600 empregos e fechando mais de um quarto de suas seções nos EUA).
Na indústria automobilística, a Chrysler, que anunciou 1.825 demissões através da eliminação de um turno em uma fábrica em Toledo, Ohio, já disse que antecipará o fechamento de uma fábrica em Newark, Delaware, que tinha programado fechar em dezembro de 2009. Ou seja, a catástrofe social ainda está apenas iniciando.
A GM anunciou a provável venda da AC Delco, sua filial internacional,gerando mais desemprego. A empresa também suspenderá muitos benefícios dos funcionários. Enquanto isso, a General Motors já anunciou a demissão de 1.600 trabalhadores em três fábricas, uma em Delaware e duas em Michigan (Pontiac e Detroit). Também divulgou o plano de fechamento de fábricas em Janesville, Wisconsin, Grand Rapids, Michigan e Moraine, Ohio.
A GM reduziu seus trabalhadores quase pela metade desde 2000, e os trabalhadores sindicalizados da empresa caíram de 133.000 para apenas 72.000.
A Chrysler e a GM têm realizado uma série de discussões em tentativas desesperadas de superar a crise financeira. A Chrysler está, inclusive, considerando uma fusão ou parceria com a Renault-Nissan. O grupo Cerebus Capital Management, dono da Chrysler, já eliminou 22.000 empregos desde o começo de 2007 e tem planos de corte de, no mínimo, mais 4.000 no próximo ano, deixando a empresa automobilística com apenas 60.000 trabalhadores. São números gigantescos, em apenas um grupo.
No ramo da logística, a gigante alemã Deutsche Post, do setor de encomendas, pôs fim à sua tentativa de expansão para os Estados Unidos, ao anunciar o corte de 15.000 empregos. O grupo alemão suspenderá, a partir de 30 de janeiro, suas entregas de correio expresso no mercado doméstico americano, controladas por sua filial DHL. Como conseqüência, 9.500 empregos serão cortados, além dos 5.400 já sacrificados este ano na divisão interna americana. Segundo a imprensa alemã, indiretamente, mais cerca de 20.000 empregos dependem da DHL Express, através de pessoal terceirizado, e devem ser afetados.
Além dos EUA, onda de demissões na Europa
Os cortes de empregos também aumentam na indústria automobilística européia. A Volvo AB da Suécia demitirá mais 850 trabalhadores, depois de já ter demitido outros 500 na mesma unidade, assim como mais 1.400 demissões em outras unidades, na Suécia e Bélgica.
A Volkswagen planeja cortar a maioria ou todos os seus 25.000 funcionários temporários.
A Nissan anunciou corte de 1.680 empregos em sua fábrica em Barcelona, Espanha. O The Guardian noticiou que a fabricante de carros pertencente a Volkswagen planeja demitir temporariamente 4.700 trabalhadores em uma de suas fábricas em Barcelona. Isso acompanha a redução da produção anual em 5% e demissão de, no mínimo, 750 trabalhadores. Também na Espanha, a produtora de pneus Bridgestone está planejando cortar 2.800 empregos de um total de 3.300 em duas fábricas. Quer dizer, está quase fechando as portas!
Na Alemanha, a maior economia da Europa, o governo revisou esta semana suas previsões para 2009 sobre o crescimento dos PIB do país, de 1.2% para 0.2%. A pesquisa alertou que até 400.000 empregos alemães poderiam acabar em 2009!
No Reino Unido, o número de pedidos de auxílio-desemprego aumentou 36.500 em outubro, maior alta desde dezembro de 1992. É o nono mês consecutivo de avanço.
O capitalismo só tem miséria a oferecer
A avalanche de desemprego e precarização da vida de trabalhadores europeus e norte-americanos, revela o lado mais profundo do capitalismo. Durante muitos anos, estes países, através de seus governos, puderam conceder um grau de concessões sociais e nível de vida um pouco melhores, em função da taxa de exploração que as empresas e governos imperialistas destes países arrancavam do resto do mundo.
O lucro obtido pelas multinacionais na América Latina, Leste Europeu e Ásia; os milhões de barris de petróleo roubados do Oriente Médio; as riquezas minerais extraídas da África: tudo permitia garantir uma economia com mais emprego e melhor remuneração aos trabalhadores dos países centrais do capitalismo.
Esta possibilidade, baseada no confisco e super-exploração dos países pobres, sustentava um discurso ilusório, de que todos os países poderiam chegar ao nível de vida que o capitalismo proporcionava nos Estados Unidos e Europa. Agora que o castelo de areia desmoronou, a realidade vem à tona: o capitalismo só tem miséria, desemprego e sofrimento a oferecer.
A classe trabalhadora dos países imperialistas conseguiu ser “poupada” parcialmente dos efeitos de degradação social do capitalismo, nos últimos anos, por duas razões. A 1ª delas é que, enquanto isso, 3 bilhões de pessoas vivem na pobreza ao redor do mundo, pagando este preço. O grau de recolonização, ocupações militares e destruição das economias nacionais avançou muito neste período, fazendo com que os países pobres e semi-coloniais financiassem o bem-estar no imperialismo.
A 2ª razão pela qual os trabalhadores europeus e dos EUA possuem ainda um melhor nível de vida é em função de sua importância política. As lutas grandiosas da classe trabalhadora nestes países, como durante e no pós 2ª Guerra na Europa; e nos EUA do início do século ou dos anos 60, obrigaram seus governos a fazer concessões sociais. Além disso, o capitalismo tem um medo enorme de que estes trabalhadores saiam do seu controle. Se uma revolução num país como a Bolívia já pode derrubar empresas inteiras, imagine uma crise revolucionária num país imperialista...
De toda forma, mesmo com estes aspectos, a “maquiagem” não poderia durar para sempre. Agora, com empresas e bancos falindo, e a taxa de lucro encostando no chão, acabou a farsa. Os trabalhadores do coração do imperialismo também se vêem sem esperanças neste sistema.
A única solução passa pela luta e por destruir o capitalismo como um todo. Não é possível que um sistema que concentra a riqueza na mão de tão poucos burgueses, donos de banco, terras e fábricas, possa garantir as mínimas condições de vida à maioria da população.
Mesmo na hipótese de uma recuperação econômica capitalista, depois de alguns anos, a vida nunca mais voltará ao mesmo lugar. Ainda que se recuperem parte dos empregos, é inevitável que ainda menos empresas restarão, diante das fusões que já acontecem. O patamar salarial não vai mais ser reposto, e o número de pobres, subempregados e trabalhadores que entrarão para a mendicância, prostituição e criminalidade será ainda maior.
A crise, que destrói a vida de muita gente ao redor do mundo, nos comprova, principalmente, que a vida só pode mudar com outra sociedade, com a estatização das empresas sem indenização, a planificação econômica e o fim da exploração.
É preciso uma revolução dos trabalhadores, através da construção de uma organização socialista e revolucionária, que impulsione esta necessidade de todos os trabalhadores, no mundo todo. Cada vez mais a classe trabalhadora é unificada pela pobreza. Cabe agora unificar-se sob uma mesma organização e programa revolucionários, de transformação radical da sociedade, destruição deste estado e construção de um novo mundo.